Tuesday, 28 October 2008

Queria escrever sobre uma coisa...




... mas escrevo sobre outra.




Há coisas (muitas, muitas! Mais do que queria pensar) que não compreendo. Há coisas que não consigo compreender. Há coisas que não quero compreender.




Na primeira incluo Organização Judiciária. Estou a estudar. Ainda não compreendo. Mas hei de lá chegar. Ai podem ter a certeza!...




Na segunda incluo a avaliação da Linha do Tua. Parece que aquilo era uma lojinha de horrores feita metro de superfície. Com erros e faltas de manutenção com mais de 40 anos. Com elementos "facilmente detectáveis". E, ainda assim, parece que a conclusão é: Ninguém é responsável...




A terceira é mais pragmática. Não quero, logo, nunca vou compreender. Chamar-lhe-ei o elogio da burrice. Não sabem o que é? Recordam-se certamente dos conselhos da avó, do pai, da mãe, da mana mais velha, da Bíblia...


Os pequeninos ouvem.


Quando um burro fala o outro baixa as orelhas


Lesto a ouvir, tardio a falar


Até o burro quando se cala é tomado por sábio


(...)


e podia continuar...




Por mim, fico furiosa quando não sei uma coisa. Não estou a falar de assuntos como a Química Quântica, ou as teses geo-políticas, ou até ler um haiku na sua língua original...


(se bem que esta última seria bem divertida!)


... Mas de assuntos que era suposto (pelo menos pela minha bitola) eu saber ou ter, pelo menos, alguma noção.


Fico furiosa, aponto na agenda e procuro assim que me for possível. Entretanto calo-me.


Mas há, de facto, um sentimento de "elogio da estupidez" em que as pessoas se "vangloriam" (tenho mesmo que por aspas. É impensável que alguém o faça. Mas há, há - é um pouco como as bruxas...) de não saberem determinada coisa. Não têm a mínima noção do quão ridículos estão a ser... muitas vezes apenas quando um outro alguém (no caso concreto, um professor) sentencia - e, é claro, por esta altura para a turma toda - que não sabemos nada de Direito. que pensava que estava a falar com juristas, que coitadinhos de nós alunos "do Bolonha", etc, etc. No caso em apreço EU sabia do que o sr. falava. Eu e outros, asseguro-vos. Mas o barulho dos Elogiadores era maior. Vi que o que enfadou tremendamente o Professor foi o que me provoca esta escrita. Os sorrisos, as gargalhadas até, do "não sei, não quero saber e tenho..." e da resposta "claro que não está!" à afirmação acima.




Esta que Vos escreve calou-se. Desta vez não porque não soubesse, não porque não pudesse falar mas por um outro ditado bíblico, maternal, paternal, o que quiserem...




Se responderes a um tolo segundo a sua estulticia, és tão tolo como ele.




Um bom dia para todos!!!

5 comments:

Paulo Cunha Porto said...

Querida Nocas,
quanto à Física Quântica, nem os mais eminentes especialistas pescam por aí além. Acerca do sentimento reactivo, nunca acredite que "quem cala consente". Como dizia o meu Mestre de Direito Romano, Sebastião Cruz, isso, quando muito, será lá fora. Em Direito, quem cala nada diz.
Beijinho

Nocas Verde said...

Claro que tem razão!
É verdade que em Direito quem cala não recusa nem aceita. A minha opção em calar foi... sei lá. Para não começar uma discussão despropositada... os porfessores saberão sempre (ou quase) pelas intervenção orais quem é tolo porque se cala ou quem não é tolo porque se cala... ou!!! ai! fundiu-se um fusível! :)

Agora a sério...
Calei sem consentir... é isso mesmo.

Luísa said...

Só se vangloria de não saber quem julga saber «tudo» o que interessa, Nocas. É de uma presunção descomunal, bem maior do que a do que se vangloria de saber «muito». :-)

drengo said...

...quanto aos "haiku", o ideal é conseguir "desenhá-los". por mim, sei que uma vida que me resta já não vai chegar, mas fica-me a ousadia de acreditar, um dia, conseguir fazer um. Mesmo que o próprio Eugénio de Andrade não tenha tentado, e apenas conseguido a quatro versos... (que eu saiba)...

Nocas Verde said...

Incisiva, querida Luísa, é claro!

Mas devo acrescentar que talvez seja essa presunção de saber "tudo o que interessa" que mais me impressiona!

Querido Drengo,
As regras do Haiku eu consigo perceber e cumprir (sem a beleza, claro, dos "verdadeiros").
Ouvi, em tempos idos noutras profissões, alguém declamá-los na língua original e têm uma beleza impressionante, provocada, provavelmente, também pela musicalidade da língua e dos sentidos dúbios das palavras.
Por outro lado, se Eugénio de Andrade não conseguiu, não me sinto tão sozinha neste clube.
Por fim acalento-lhe a ousadia! Ouse. E dê notícias! :)