- estamos só nós os dois, minha Cria.
- podíamos fazer o almoço juntos!
(…)
Uma saladinha simples que os dias são de calor.
Reparo que a casa, não sendo enorme nem cheia de pessoas, está poucas vezes silenciosa. Principalmente, reparo que estou poucas vezes apenas com uma das minhas Crias. Nesse dia estávamos só nós os dois. Eu e a CN.
Desafio-a a comermos nas cadeiras, em frente à televisão.
- Sério, mãe? – com um sorriso aberto.
Muitas tarefas burocráticas a fazer, a CN acompanha-me em todas, com paragens para uma água fresca ou um gelado. A cidade parece que gosta de nós, ri para nós. Mãe e Cria, de mãos dadas, sorrisos e carinhos trocados.
Depois de um duche refrescante, ficamos os dois sentados no sofá, só a música do rádio, cumplicidades de dois seres tão diferentes.
Enquanto me sento a fazer contas de sumir com as facturas a CN aproxima-se de mim e pergunta-me se estou bem. Como lhe respondo sem erguer os olhos dos papéis, levanta-me ele a cara. Carinha próxima da minha, beijo de esquimó como lhe chamava em bebé.
- Vamos conseguir, mãe. Tu sabes que sim.
As frequências começam amanhã.
As férias deles aproximam-se.
Últimos cartuchos de um ano escolar difícil, muito mais difícil que poderia supor, ainda sem balanços.
Uma boa semana para todos.
...mas näo me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o que lhe confiei até àquele dia.
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Monday, 15 June 2009
Thursday, 4 June 2009
isto hoje não aconteceria, pois não, mãe?
Há vinte anos atrás o mundo assistiu a (mais) um massacre.

As imagens que nos chegaram pareciam tiradas de um filme. Inimagináveis, impensáveis… inconcebíveis.
Na altura pensei “como seria possível?”. Hoje, vinte anos depois, estou menos inocente, menos incrédula. Nos olhos das minhas Crias vejo o que senti na altura e o meu silêncio em resposta ao “isto hoje não aconteceria, pois não, mãe?” foi incómodo, assumindo a forma de uma lágrima teimosa naqueles olhos inocentes tão meus.
Na altura olhei para aquele acontecimento como estudante. Senti-me orgulhosa de haver gente da minha idade capaz de tal actos heróicos, estudantes que se preocupam, agem, lutam.
Hoje olho para os acontecimentos abraçando os meus próprios filhos, pedindo interna e secretamente nunca me ver na posição orgulhosa de mãe de um estu
dante capaz de um acto tão heróico.
Vinte anos não apagam nada. Celebram-se os “redondos” apenas, como ouvi de uma dessas Mães, apenas para que o Mundo não esqueça. Porque para elas, sei, todos os dias são mais um dia sem os seus meninos.
Que o Mundo não esqueça, minhas Mães.

As imagens que nos chegaram pareciam tiradas de um filme. Inimagináveis, impensáveis… inconcebíveis.
Na altura pensei “como seria possível?”. Hoje, vinte anos depois, estou menos inocente, menos incrédula. Nos olhos das minhas Crias vejo o que senti na altura e o meu silêncio em resposta ao “isto hoje não aconteceria, pois não, mãe?” foi incómodo, assumindo a forma de uma lágrima teimosa naqueles olhos inocentes tão meus.
Na altura olhei para aquele acontecimento como estudante. Senti-me orgulhosa de haver gente da minha idade capaz de tal actos heróicos, estudantes que se preocupam, agem, lutam.
Hoje olho para os acontecimentos abraçando os meus próprios filhos, pedindo interna e secretamente nunca me ver na posição orgulhosa de mãe de um estu
dante capaz de um acto tão heróico.Vinte anos não apagam nada. Celebram-se os “redondos” apenas, como ouvi de uma dessas Mães, apenas para que o Mundo não esqueça. Porque para elas, sei, todos os dias são mais um dia sem os seus meninos.
Que o Mundo não esqueça, minhas Mães.
Thursday, 31 July 2008
Hoje...
Hoje faz anos.
Cinquenta e sete anos.
Cinquenta e sete anos.
Acordo-a com um telefonema em coro, eu e as Crias cantando os parabéns.
Riu e agradeceu.
Parabéns!
Não teve uma vida fácil. Não teve nada do que pretendeu e não tem, ainda hoje, a vida que quer.
História de Romeu e Julieta com fim diferido. Perdeu o seu Romeu.
Lutou, frágil que é, com as armas que conheceu.
Compreendo-a hoje um pouco melhor, mulher apaixonada que sou, co
mpreendo-a muito menos, mãe que sou também. O amor pelo mesmo homem separou-nos.
O amor que desapareceu sem honra e sem exéquias.
Hoje faz anos, cinquenta e sete anos.
Não os vai festejar comigo. Compreendo como mulher… não como filha, menos como mãe.
É inevitável para mim fazer balanços e o nosso mal consegue escapar ao défice.
Pergunto-me porque não me lembro do seu aconchego, de palavras ternas, de força transmitida. Porque não me lembro eu da confiança, do ombro amigo. Porque me lembro da dureza, da solidão, do desamparo.
Hoje faz cinquenta e sete anos.
Hoje faz anos a minha mãe.
Parabéns.
Wednesday, 29 August 2007
Animais e o dia ecológico
Este fim de semana fizemos uma saída ecológica.
Sem carro, andámos até ao "novo" metro de Almada.
Conversámos, brincámos, falámos mal (está bem,) falei - lol- mal do sistema complicadíssimo de tirar bilhetes, do nome das estações...
Mas é simpático.
Na última estação decidimos, assim como quem não quer a coisa, mas sempre querendo... andar de comboio. Fomos até à estação, bebemos um cafezinho, fumámos um cigarrinho, gelados para as crias. Uma garrafa de água bem fresquinha... com todo o tempo do mundo. O comboio, as escadas rolantes, a ponte, o barulho, o rio, o sol... tudo serve para brincar. As crias têm pulgas e não sossegam um segundo.
E se fôssemos ao Zoo - diz o F à laia de segredo...
BOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!
Segredo nem vê-lo.
Os preços são, para a minha parca e - este mês - assaltada carteira, caríssimos.
Mas o dia foi tão espectacular como aprazível, delicioso, cansativo também, que isto de calcorrear as ruelas, esquerda, direita, sobe desce... mãe, olha, o bebé está a comer... volta para a quela jaula que da primeira vez estava muita gente e não conseguimos contar o número exacto de folhas que a árvore tinha!!!
E os felinos que têm, melhor, DEVEM ser vistos, pelo menos, 3 vezes em alturas do dia diferentes.
Oh, os micos estão todos recolhidos.
Claro, está a "chover" - bem giro aquele sistema de imitar a humidade. Voltamos cá depois
E voltámos
Os carimbos nas mãos - invisíveis, mãe! - não posso lavar as mãos, mãe? - como é que eles sabem, mãe? - que luz é, pai?
Vamos lá sair, para experimentar.
Atravessar o parque inteiro, sair e voltar a entrar e andar tudo outra vez??? No problem.
Falta os lobos, mãe! estão recolhidos. A área está a ser remodelada.
Oh, mummy (há alturas que, talvez por serem seguidas de um daqueles pedidos muito difíceis, mereço o "mummy" com voz melada) podíamos ir outra vez... aos felinos
Claro (porque NÃO resisto) a qual
Trio:
TODOS
Sentámo-nos
Esta apresentação é às 14, a outra às tantas
Mas F, são em lados opostos(!)
No problem
Eram 10.20 (give or take) quando pusemos o pé fora do T3 da CP...
Tenho fome, mãe.
Ai! são quase 4 horas! (não me matem... não sou má mãe... juro. mas o tempo voa!!!!!!!!!!)
Os espectáculos e apresentações foram vistas. A cria escolhida para andar de barco (!)
Os beijos enviados
Mummy (sim!...) da próxima tem que ser a cria-mana a ir.
motherproud
E depois o regresso onde-vais?-PARA-A-FESTA!!!-de-onde-vens?-da-festa...
com abraços apertados, corpos cansados e uma enorme taça de cereais, porque nem tenho forças para trincar, mãe.
Sem carro, andámos até ao "novo" metro de Almada.
Conversámos, brincámos, falámos mal (está bem,) falei - lol- mal do sistema complicadíssimo de tirar bilhetes, do nome das estações...
Mas é simpático.
Na última estação decidimos, assim como quem não quer a coisa, mas sempre querendo... andar de comboio. Fomos até à estação, bebemos um cafezinho, fumámos um cigarrinho, gelados para as crias. Uma garrafa de água bem fresquinha... com todo o tempo do mundo. O comboio, as escadas rolantes, a ponte, o barulho, o rio, o sol... tudo serve para brincar. As crias têm pulgas e não sossegam um segundo.
E se fôssemos ao Zoo - diz o F à laia de segredo...
BOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!
Segredo nem vê-lo.
Os preços são, para a minha parca e - este mês - assaltada carteira, caríssimos.
Mas o dia foi tão espectacular como aprazível, delicioso, cansativo também, que isto de calcorrear as ruelas, esquerda, direita, sobe desce... mãe, olha, o bebé está a comer... volta para a quela jaula que da primeira vez estava muita gente e não conseguimos contar o número exacto de folhas que a árvore tinha!!!
E os felinos que têm, melhor, DEVEM ser vistos, pelo menos, 3 vezes em alturas do dia diferentes.
Oh, os micos estão todos recolhidos.
Claro, está a "chover" - bem giro aquele sistema de imitar a humidade. Voltamos cá depois
E voltámos
Os carimbos nas mãos - invisíveis, mãe! - não posso lavar as mãos, mãe? - como é que eles sabem, mãe? - que luz é, pai?
Vamos lá sair, para experimentar.
Atravessar o parque inteiro, sair e voltar a entrar e andar tudo outra vez??? No problem.
Falta os lobos, mãe! estão recolhidos. A área está a ser remodelada.
Oh, mummy (há alturas que, talvez por serem seguidas de um daqueles pedidos muito difíceis, mereço o "mummy" com voz melada) podíamos ir outra vez... aos felinos
Claro (porque NÃO resisto) a qual
Trio:
TODOS
Sentámo-nos
Esta apresentação é às 14, a outra às tantas
Mas F, são em lados opostos(!)
No problem
Eram 10.20 (give or take) quando pusemos o pé fora do T3 da CP...
Tenho fome, mãe.
Ai! são quase 4 horas! (não me matem... não sou má mãe... juro. mas o tempo voa!!!!!!!!!!)
Os espectáculos e apresentações foram vistas. A cria escolhida para andar de barco (!)
Os beijos enviados
Mummy (sim!...) da próxima tem que ser a cria-mana a ir.
motherproud
E depois o regresso onde-vais?-PARA-A-FESTA!!!-de-onde-vens?-da-festa...
com abraços apertados, corpos cansados e uma enorme taça de cereais, porque nem tenho forças para trincar, mãe.
Tuesday, 29 May 2007
Ainda e sempre o mesmo
Mais do mesmo...
Mas afinal o que é isto de ser Pai?
De um ponto de vista meramente científico será nutrir, cuidar, preparar, transmitir uma herança...
Se olharmos para a Natureza, veremos tantos exemplos de tudo... o excelso exemplo de sacrifício parental representado pela mãe polvo, que, à custa de manter a "offspring" oxigenada e protegida, fica tão debilitada que acaba por morrer... ou ainda o grande exemplo de desprendimento da mãe cuco que "abandona" os ovos noutro ninho para que outra mãe o crie (não sem antes retirar todos os ovos legítimos...)
Temos de tudo
É surpreendente a variedade de relações...
Mas e nós?
O que devemos ser para os nossos filhos, e porque os temos?
A segunda é ainda mais difícil que a primeira, não? A percentagem de filhos do acaso é ENORME... e não reduz nem aumenta a vontade - posterior - de criar aquela cria.
O que acontece quando o homem ou a mulher descobrem que vão ter um filho?
Acredito que para a mulher será mais fácil, numa primeira fase... a biologia ajuda. Para o homem, e apenas podendo referenciar o caso do meu parceiro, foi uma altura complicada (no nosso caso ainda mais porque teve que partir para o estrangeiro quando desconfiámos que poderia estar grávida, e soube lá longe que ía ser pai pela primeira vez!)
Tive a felicidade de me deixarem pegar na minha cria assim que nasceu e posso garantir que morri e nasci naquela altura.
Horas mais tarde, peguei naquela coisa e deitei-a na minha cama. Sentei-me numa cadeira e fiquei a olhar para ela.
- E agora, cria?
Morri outra vez. Morri porque não seria mais eu. Porque aquele ser indefeso seria, é e será, daquela hora em diante o único e contínuo estímulo da minha vida. Morri porque todos ( e digo mesmo todos) os medos que tinha antes desapareceram. Morri porque cresceram e dominaram muitos outros medos. É possível morrer de amor. Aconteceu-me naquela altura.
Quando o pai a viu, e vi o seu olhar, amei-o como nunca o tinha amado... agradeci-lhe do fundo do meu coração e tive a certeza que aquela magia nunca se repetiria.
Já lá vão 9 anos, quase 10.
E todos os dias, 10 anos volvidos, outra cria nascida, outra magia, outra morte, quando os aconchego à noite e lhes dou beijos de boa noite e lhes digo
- Deus vos abençoe! Durmam bem!
Pergunto silenciosamente
- E agora crias?
E morro outra vez...
Mas afinal o que é isto de ser Pai?
De um ponto de vista meramente científico será nutrir, cuidar, preparar, transmitir uma herança...
Se olharmos para a Natureza, veremos tantos exemplos de tudo... o excelso exemplo de sacrifício parental representado pela mãe polvo, que, à custa de manter a "offspring" oxigenada e protegida, fica tão debilitada que acaba por morrer... ou ainda o grande exemplo de desprendimento da mãe cuco que "abandona" os ovos noutro ninho para que outra mãe o crie (não sem antes retirar todos os ovos legítimos...)
Temos de tudo
É surpreendente a variedade de relações...
Mas e nós?
O que devemos ser para os nossos filhos, e porque os temos?
A segunda é ainda mais difícil que a primeira, não? A percentagem de filhos do acaso é ENORME... e não reduz nem aumenta a vontade - posterior - de criar aquela cria.
O que acontece quando o homem ou a mulher descobrem que vão ter um filho?
Acredito que para a mulher será mais fácil, numa primeira fase... a biologia ajuda. Para o homem, e apenas podendo referenciar o caso do meu parceiro, foi uma altura complicada (no nosso caso ainda mais porque teve que partir para o estrangeiro quando desconfiámos que poderia estar grávida, e soube lá longe que ía ser pai pela primeira vez!)
Tive a felicidade de me deixarem pegar na minha cria assim que nasceu e posso garantir que morri e nasci naquela altura.
Horas mais tarde, peguei naquela coisa e deitei-a na minha cama. Sentei-me numa cadeira e fiquei a olhar para ela.
- E agora, cria?
Morri outra vez. Morri porque não seria mais eu. Porque aquele ser indefeso seria, é e será, daquela hora em diante o único e contínuo estímulo da minha vida. Morri porque todos ( e digo mesmo todos) os medos que tinha antes desapareceram. Morri porque cresceram e dominaram muitos outros medos. É possível morrer de amor. Aconteceu-me naquela altura.
Quando o pai a viu, e vi o seu olhar, amei-o como nunca o tinha amado... agradeci-lhe do fundo do meu coração e tive a certeza que aquela magia nunca se repetiria.
Já lá vão 9 anos, quase 10.
E todos os dias, 10 anos volvidos, outra cria nascida, outra magia, outra morte, quando os aconchego à noite e lhes dou beijos de boa noite e lhes digo
- Deus vos abençoe! Durmam bem!
Pergunto silenciosamente
- E agora crias?
E morro outra vez...
Wednesday, 16 May 2007
Isto hoje!...
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
Oscar Wilde
Hoje nem existo... apenas resisto- e mal...
Mas afinal, o que é ser mãe?
O que é isto de ser "parent"
Parenthood - the state of being a parent
Parent - Noun (plural parents)
One of the two persons from whom one is immediately biologically descended; a mother or father.
A person who acts as a parent in rearing a child. (adoptive parent, foster parent)
(biology) An organism from which a plant or animal is immediately biologically descended.
The source or origin of something.
Mother
A parent is a father or mother; one who begets or one who gives birth to or nurtures and raises a child or a relative who plays the role of a guardian.
Oscar Wilde
Hoje nem existo... apenas resisto- e mal...
Mas afinal, o que é ser mãe?
O que é isto de ser "parent"
Parenthood - the state of being a parent
Parent - Noun (plural parents)
One of the two persons from whom one is immediately biologically descended; a mother or father.
A person who acts as a parent in rearing a child. (adoptive parent, foster parent)
(biology) An organism from which a plant or animal is immediately biologically descended.
The source or origin of something.
Mother
A parent is a father or mother; one who begets or one who gives birth to or nurtures and raises a child or a relative who plays the role of a guardian.
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