Tuesday, 9 September 2008

Primeiro dia

O despertador toca às 6.45.



- Mas que barulho é este? - resmungo eu. Espreito para a sala e vejo a luz acesa e a televisão ligada.

- Whatda?

- É a CN - diz o F. com um sorriso. Já lá está há muito tempo.



Claro. Primeiro dia.

Bons dias trocados. Inspeciono a disposição e vejo-o bem. Sorri e diz-me com ar de adulto.

- Eu faço os meus cereais, mãe.

- Queres que eu os faça?

- Sim, se faz favor.- com um sorriso lamechas.



Pequeno-almoço e higiene matinal passados, levo-lhe a roupa para o meu quarto para nos podermos vestir juntos. Conversa ligeira e pede-me o gel para "arranjar o cabelo". Vê o casaco em cima da cama e dirige-se à janela.

- Não deve ser preciso levar o casaco. Não me parece que vá fazer frio.

(onde está o meu filho infantil e o que fizeste com ele?????)

Vai à sala e vem com o jogo Batumi.

- Mãe, posso levar este jogo?

- Podes, claro.



Beijos à CV que ainda fica na cama e de repente puxa-me ao quarto.

- Mãe, que estranho. Tenho calor no corpo e frio no estômago. É esquisito.

- É medo. Todos temos medo quando vamos para um sítio novo. - lembrei-me dos heróis desta CN. Jack Sparrow, "Senhor dos Anéis", e outros. e lembrei-me de um clichet que nem sei se algum deles diz - É normal termos medo. - e com ar solene - a ausência de medo não nos torna heróis. Torna-nos estúpidos. - silêncio enquanto assimilava semelhante pérola. Deve ter surtido efeito.

- É verdade.

Por entre preocupações de "não quero chegar atrasado" lá nos despachamos e entrámos no colégio. A simpática D. B recebe a CN pelo nome com um grande abraço e beijos bem repuxados na face.

Um último beijo singelo (as despedidas sentidas foram estrategicamente efectuadas antes de tocar na campaínha, na solidão de mãe/filho). E uma correria "adeus, mãe" para dentro da escola como se fosse a centésima vez que ali entrava.

Fica bem, meu herói.

5 comments:

Luísa said...

Coragem, querida Nocas, não é não ter medo, mas sim tê-lo e vencê-lo. Coragem a CN já demonstrou, enfrentando o desconhecido. E quem tem coragem, costuma também ter sorte… :-)

Nocas Verde said...

Luísa,
Mais uma vez grata pelo conforto.
A mim, Verde de nome, pessimista por formação e optimista por convicção, permita-me discordar. Nem sempre quem tem coragem tem sorte. Mas acredito sim que a CN tem força e aconchego na rectaguarda para o bom e o bem, para o mal eo mau.
:)

Once said...

e o teu herói vai surpreender-te .. atenta no que te escrevo ;)
Beijo a ele .. outro na mãe-galinha ;)

Nocas Verde said...

Não fosse pelo epíteto de galinha (só na canja) e aqui me rendería a molhar estes projectos arquitectónicos que povoam a minha secretária com lágrimas comovidas por tão ternas palavras de quem me atura os desabafos há (muito) tempo demais. ihihihihi
beijo

Once said...

na amizade minha querida não existe a palavra "demais" ;)
Cuida mas é dos projectos s.f.f. :)