Tuesday, 20 January 2009

A beautiful picture a day... 013



Dizia muitas vezes, principalmente quando me começou a escapar, que a juventude era desperdiçada nos jovens.

Que a força, a intrepidez, a coragem, as acções inconsequentemente feitas eram absoluta e irrevogavelmente desperdiçadas em quem ainda não percebe o quão efémera a juventude é. O quanto poderia ela ser aproveitada para outras coisas que não as futilidades, mesquinhices, medos desnecessários, outros necessários mas inexistentes...

Hoje?
Já não penso assim.
Se a juventude for vivida com aquilo que desperdiçam deixaria de ser isso mesmo: juventude. É intrinsecamente necessária a inconsciência, a irresponsabilidade e tudo o resto.
Aliás, dizem os sábios que se por alguma razão, pelas vicissitudes da vida ela não for vivida em pleno, a factura chegará à cobrança, meses ou até anos mais tarde.

A minha juventude? Foi ligeiramente adiada. Cumpriu-se toda a panóplia de dizeres. A factura veio mais tarde, com juros, em forma de inveja tremenda, direi mesmo dor de corno ao reparar em jovens irresponsáveis a fazerem aquilo que é suposto: serem irresponsáveis. Veio também em forma de medo. Medo terrível de ver a vida a esvair-se por entre as minhas mãos, de algum modo já cansadas de trabalhar, marcados elas, os olhos e os sonhos por uma juventude desperdiçada. No entanto, felizmente, chegou cedo a factura. A tempo de diminuir os estragos. Chegou à viragem da vintena. Tive tempo de decidir se queria desperdiçar o “resto” da juventude – já não a irresponsável e desmedida, mas ainda assim – em choradinhos e lamúrias ou viver no seu esplendor. Será hipérbole chamar esplendor à vida que levo, mas devo acrescentar, em verdadeiro abono da verdade, que me sinto ainda e cada vez mais intrépida, destemida, feroz.

Não vivo os melhores dos meus dias. Vivo-os com a sapiência da juventude que já desperdicei, com a força da que me falta.

Não vivo os mais felizes dos meus dias. Vivo-os com a serenidade de que de certeza melhores dias virão. Com a serenidade de que a presente batalha está perdida mas de que não é, em absoluto, nem a última nem a mais importante que viverei.

Uma boa semana para todos.

4 comments:

once said...

este último parágrafo Querida Amiga resume a sensatez e o bom senso que te reconheço .. diariamente.
Parabéns por isso.

Um beijo e uma boa semana para ti também *

nocas verde said...

hum?
acho que... agradeço... :)
beijo, querida!

Luísa said...

Perder a batalha não significa perder a guerra, Nocas. E aposto que está assim, um pouco melancólica, por causa das duas frequências que ainda faltam. Sempre odiei… odeio frequências!!! :-D

nocas verde said...

Querida Luísa,

Apesar de não gostar de frequências não estou "assim" por causa delas... no entanto... é como diz: não perdi a guerra. Grata pelo conforto! :)