Tuesday, 4 November 2008

A beautiful picture a day... 003


Falham-me as palavras. Sabe, quem me conhece, que sou mãe a fulltime, tempo inteiro para os amigos. Reconhece, quem me conhece, o amor animalesco que tenho pelas minhas Crias… daí o nome. Percebe, quem me conhece, que as minhas Crias são para mim o início, o meio e o fim de tudo.


Questionou-me, no entanto, alguém que julga conhecer-me, se será isso válido ou até benéfico para os filhos. Isto de fazer tudo por e para os descendentes. Se não será um peso que não merece ninguém. Se valerá a pena ou útil esse filhocentrismo.

Respondi-lhe que sim.
Respondi-lhe que fazer tudo pelas e por causa das crianças não deverá onerar um filho.
Antes de mais, e para mim, óbvio, é um direito delas.
Posto linearmente, não é o facto de se fazer tudo pelas crianças que poderá ser benéfico, mas o oposto é, de certeza, extremamente prejudicial.

Por isso amo tanto a expressão “Cria”. Não antropomorfizemos as bestas do campo ou da selva, mas é obvio que o plano (chamem-lhe transcendental, irracional, instintivo, se quiserem) da progenitora em tudo o que faz (quando faz, claro) é preparar a sua Cria para a vida. Para, e neste caso, literalmente, a selva.

Não, amigos, não é um post de culpa nem desespero.
Atendo o telefone - pergunto-lhe o que achas - e a voz que ouço do outro lado é branda, calma e diz-me nitidamente para seguir em frente.

Lembrei-me, sim, enquanto importava esta foto de duas belas crias escondidas entre as folhagens, desse Alguém que questionava a minha afirmação – tudo pelos nossos filhos – e da sua relevância.
Amar os filhos e fazer tudo pelos filhos não é, nunca, desculpabilizar. Aliás, recusar a verdade que se nos depara quando olhamos para eles é recusar-lhes uma característica muito própria e fundamental – a de que são, antes de nossas Crias, Seres Humanos, adultos em projecto, cidadãos do futuro.
Defini então a minha expressão “tudo pelos filhos” pela negativa. Não fazer tudo ao nosso alcance, o bom, o mau, o castigo, a reprimenda, a verdade, a vida, o amor – isso sim – é prejudicial, muito prejudicial.

Atentem na natureza.
Quando esta decide privar a infância da figura protectora e ensinadora da mãe dota-a de números.
Muitos e muitos infantes para que, na lotaria da eclosão no buraco arenoso, pela caminhada até ao mar e aí o escape aleatório até à maioridade, alguém ganhe o jackpot.

E números, meus caros, é coisa que as minhas Crias nunca são.

(menos, claro, quando preencho o IRS - :) - e vejo os dígitos todos somadinhos das despesas com “a educação”)

Um bom dia para todos

E Viva o Sporting!


7 comments:

Once said...

já vi tanta tese defendida neste panoramos Querida Amiga .. ! Que eles não podem ser responsáveis pela felicidade dos Pais .. e que podem. Que não podem ser sobrecarregados com a carga sentimental que nutrimos por eles.. e que podem. Que .. Que .. Que ..

A ti .. duas linhas:
Continua como te conhecem os teus filhos, adapta-te com a inteligência que te é inata, às pequenas mudanças que todos sofremos ao longo da vida, ama-os como sempre e sempre .. sem condição ou condicionante.

ok .. foram mais de duas linhas .. *

Beijo aos 4 :)

Once said...

(era panorama aquela coisa ali em cima .. )

Nocas Verde said...

Amiga,

As teses são isso mesmo... teses. e, como os conselhos, só valem para quem os acolhe. :)

O dia a dia feito de adaptações... certeira como sempre.
(E gostei da inteligência :))

beijos

Luísa said...

Viva o Sporting, Nocas!!!
P.S.: É como dar mimo às crianças, querida Nocas. Nunca é demais, só pode ser de menos. Por dar mimo entendo dar ternura, carinho, mas não deseducar, claro. :-)

Nocas Verde said...

Toda a razão, Luísa! :)

drengo said...

...os "filhotes" sempre o são, sempre o serão. Nem que sejam adoptivos, são uns projectinhos que crescem com a modesta parceria dos "velhotes". Nos bons e nos maus momentos. ...foi bem ler este post... obrigado..

Nocas Verde said...

Caríssimo Drengo,
Tenho uma tia (já disse deste lado algures) que adoptou, por força das circunstância - vulgo abandono - uma criança que foi por nós e, principalmente, pela Tia, acolhido como um de nós... igual nos beijos e nas enormes reprimendas às nossas imensas patifarias :)
Dizia no seu linguajar tão português que parir é a dor mas criar é... amor!
Velhotes????? (risos) por enquanto só "pais". pode ficar o "velhotes" para mais tarde, sim? grata :)
Obrigada eu pela leitura e pelo comentário deste lado sempre aguardado :)