Friday, 4 September 2009

Podem fazer mais umas estações de metro, se faz favor? e de preferência com escadas rolantes que rolem a sério, não daquelas que estão paradas dia sim

As novas estações de metro não me ajudam em nada. Mesmo, mesmo nada. Especada na estação do Cais do Sodré faço contas e planeio e verifico que a grande maioria dos serviços a que tenho que me deslocar ficam exactamente em zonas ainda não abrangidas pelo Metro. Mais: continuo a ter que fazer todos os transbordos que fazia, palmilhar aqueles corredores imensos, descer, subir, descer, andar, andar, andar.
Não é coisa fácil com os Tacões Altos com me apanham.
Sou duas pessoas diferentes consoante trago os referidos Tacões altos (doravante, T.A.) e as minhas fantástiscas alpercatas bem giras; daquelas descartáveis, com destino “lixo” no fim da estação mas que enquanto duram me dão aquele jeitaço!
Com as últimas desafio quem quiser a palmilhar as ruas de Lisboa, as escadas do Metro e o mais que houver. Desvio-me, contorno e desenvencilho-me com artes de todo-o-terreno.
Com os T.A. adopto um andar que pode ser qualificado como “vai andando e quando lá chegares telefona”. Muno-me de paciência, principalmente para as passadeiras. Sim, porque a maioria delas não me permite atravessar as duas faixas durante o mesmo sinal verde; ou seja, tenho que estar vigilante e de “primeira mudança mental” metida para arrancar logo que o meu verde dispare e, ainda assim, arrisco-me a fazer a última parte do trajecto já com o vermelho para peões. Ando devagar devagarinho, encosto-me à direita e deixo-me ultrapassar por todos. Todos? Nem todos. Sou normalmente acompanhada na minha velocidade cruzeiro por pré-mamãs, vulgo “afastem-se que estou quase a explodir com esta coisa aqui dentro que nunca mais sai cá para fora, a.k.a. grávidas em fim de tempo”, acompanhantes de crianças pequenas da espécie “empata caminhantes que nem andam depressa nem são sossegados e são já muito pesados para fazer dos adultos seus burros de cargaium” (o ium final é para dar ar de nome latim) e cidadãos (no meu tempo eram carinhosamente chamados de idosos mas agora parece que há uma candidata a autarca que afirma que não se tratam assim as pessoas que já tem cabelos brancos e uma vida longa, diz ela no cartaz que com ela os idosos passam a chamar-se cidadãos… whatever!). Por vezes consigo ultrapassar, principalmente nas subidas escadatórias, uns espécimes da raça Trólais, esses seres recentemente descobertos que não raras vezes se fazem acompanhar de viajantes incautos – que não se lembram ou foram hipnotizados para não se incomodarem por aquele barulho infernal e que se esqueceram ou foram formatados para não saberem que Lisboa tem muitas (muitas, senhores!) escadas, escadinhas, buracos e, pasmem-se, calçada – brumlp, click, clonk, cktch… banda sonora melodiosa que os acompanha e aspirantes a advogados para transportarem os volumosos códigos.
Muno-me de paciência, dizia eu.
Por vezes também sou acompanhada por góticos. estes espécimes andam devagar porque têm a convicção que o mundo vai acabar a qualquer altura, logo, não precisam de correr e caminham como se fosse sempre o funeral de alguém. No meu tempo chamávamo-nos vans (petit nom de vanguardistas mas esta palavra era brega, só o diminutivo era porreiro), respondíamos por alcunhas como Piriri, Mamã Dalton, Loirinha, Bandana e assim, ouvíamos The Cure e abominávamos t-shirts brancas com calças de ganga; calçávamos Doctor Martinez, umas botas lindas de morrer, pretas que eram apenas vendidas, a um preço alucinante (trabalhei dois meses para poder comprar umas) apenas numa loja, algures para os lados da Andrade corvo, se não me engano, ao lado de uma loja de tatuagens. Havia as “Docs”, umas botas falseadas que custavam para aí um décimo do preço mas que tinham uma característica fascinante: ao fim de um, dois meses de uso ficavam sem sola. Tenho para mim que foi daí, e não da sua ideologia, que adveio o andar característico dos vans, melhor, góticos; o andar pausado e pisar forte nada mais é que o cuidado para não ficar sem sola – acontecimento que poderei dizer não seria sem precedentes.
Muno-me de paciência, dizia eu.
E tudo porque trouxe T.A.
Mas a menina até praticou ballet, diz-me alguém quando me queixo de dores nos pés.
Pois sim. Mas nem a Pina Bausch ou o Petit Pas se lembrou de coreografar para Calçada Portuguesa, pois não? Então estamos arrumados.
Doem-me os pés.
Mas é Sexta-Feira. Amanhã é dia de Veterinário e depois um último (?) salto à praia, God willing.
Bom fim-de-semana a todos.

2 comments:

Luísa said...

Nocas. T.A.’s, só em interiores. E mesmo aí, o equilíbrio é precaríssimo, porque estou muito desabituada. Na nossa calçada à portuguesa, até em saltos rasos me aguento mal: as pedrinhas, ora estão demasiado polidas (e escorregadias), ora desniveladas... Um perigo!
Espero que tenha tido um excelente fim-de-semana e faço votos para que a semana corra a preceito. :-)

nocas verde said...

Luísa, tem razão. Eu e a minha parva ideia ou ambição de ultrpapassar o metro e meio, eis a razão porque insisto em usar T.A.'s.
Foi um excelente fim-de-semana, sim, muito obrigada.
Uma óptima semana para si também! :)