Friday, 27 March 2009

Liberdade (versão thank God it's Friday)

Nunca os vejo à noite.
Nunca? Não é bem verdade. À sexta-feira, porque no dia seguinte não há aulas, ficam acordados à minha espera.
Mas dizia, e corrigindo, quase nunca os vejo à noite. As conversas são feitas de manhã. Por entre torradas, cereais, leite, roupa, esquecimentos de última hora e tal, vão relatando os acontecimentos. Por vezes atropelam-se porque o tempo escasseia e as histórias são muitas.

Infelizmente é também de manhã que os raspanetes acontecem. Fico sempre dividida entre não falar, com o peso na consciência de azedar o pouco tempo que tenho com eles, ou a emergência de os corrigir, castigar e repreender. A dúvida vem também de, muitas vezes – na maioria das vezes – são eles próprios que me contam os seus erros; ou seja, deverá a honestidade ser recompensada, por vias de atenuar a “pena”, ou, ainda assim, prosseguir no «obrigada por me contares mas toma lá disto»? Confesso que nunca sei. Confesso que qualquer que seja a minha decisão a dúvida unida ao sentido de dever ficam ali juntinhos...

Mas até nem era por isso que pensei em escrever este postal.

Liberdade?
Sim, as minhas Crias têm liberdade. Para dizerem que o tratamento que lhes dou é injusto, que as tarefas que lhes imponho são demasiadas, que sou muito rigorosa com eles também.
Falamos numa democracia diz o que queres mas quem manda sou eu (riso)... ficam eles contentes e acabam quase sempre por afirmar «eu sei, eu sei que é para o nosso bem...»

Dizia-me a CV que uma colega já tinha ido de férias. Quando remato que era, provavelmente, um prémio pelas boas notas dela, indigna-se.
- Nem penses, mãe. Teve 3 a quase tudo e muitos dos “3” eram quase 2. E – acentua – ainda assim, foi de férias mais cedo.
Ficamos os dois parados. Olhos nos olhos. Leio-lhe um «o que farias tu se eu tivesse essas notas?», eu, que reclamo com os 4 que tem.
- Desculpa – balbucio – calhou-te esta mãe.
O abraço que me dá? Interpreto-o na perfeição, creio.
Em tons de desanuviar – muito diplomático esta minha Cria – conta-me o que disse no dia anterior ao pai, enquanto viam um certo programa televisivo. Ao que parece o comentador diz a frase “nada se equipara à raiva de uma mãe” (parece que a dita – a do programa – se terá “virado à pancada” a um homem fugitivo à polícia depois de este ter batido no carro dela onde seguia também o seu filho. A “tareia” terá sido tanta que o homem preferiu entregar-se à polícia exclamando que não podia aguentar mais. O riso nas caras das minhas Crias é cristalino quando afirmam em coro «e nós sabemos isso muito bem!».

Riu-me com eles. Digo-lhes que isso, para mim que até me acho meio cobardolas, é um elogio.
A CN remata:
- És capaz disso e muito mais! Nós já vimos!

Um óptimo fim-de-semana para todos.
Por este lado há testes nas proximidades mas haverá tempo também para a diversão e descanso.


ps – não fiquem a pensar que ando para aí a bater em todos os que aparecem à minha frente, está bem?

10 comments:

once said...

intimista tu .. eu, retirava aquele desculpa. de resto, perfeito.

bom fim-de-semana :)

nocas verde said...

foi com alguma ironia, confesso :) e eles sabem :)

grata eu pelo adjectivo :)

2u2

beijos**

once said...

ah ..! "burrinha" eu.

nocas verde said...

então????!!!!
não quero essa palavra por aí...
ou é ironia também?
ovelha eu
burra, digo
ai!!!

Rita said...

O que é certo é que mãe que é mãe assim como pai que é pai, pelos filhos, move mundos...
Jokas e bom fim de semana

nocas verde said...

Move mundos, destrói-os, vaporiza-os!
Um bom fim-de-semana para aí também, Rita!
beijo

drengo said...

Bom fim de semana. ...fiquei a rir quando imaginei a expressão da sua cria quando exclamou : "nós já vimos"!
(¨,)

nocas verde said...

caríssimo Drengo,
também me ri eu!
bj

Luísa said...

Em todos, não, Nocas. Mas mãe-leoa é mãe-leoa!
Um excelente fim-de-semana! :-D

nocas verde said...

luísa querida,
foi um bom fim-de-semana, sim. Espero que o seu também.
Em todos? só os que se intrometem...
mãe-leoa? claro...
beijos de boa semana!