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Friday, 15 January 2010

podem chamar-me utópica…
podem, podem. não me incomodo.
já está?
ok, então.
o Assunto não é, de facto, para rir, mas ao reler o que escrevi acho que sou mesmo utópica. ou naif. ou as duas.


como (muito) poucos a minha querida Cházinha (d)escreve o que aconteceu naquela pequena ilha. o chão a tremer. o mundo a ruir. quem já tinha tão pouco ficou sem nada. as notícias chegam, como outros tremores de terra. a falta de Tudo. Tudo.
E vamos ouvindo e vendo e sabendo e agradecendo intimamente pelo quentinho das casas, pelo prato à frente por poder reclamar da cria que não come tudo, por… levantamos as nossas preces para que algum conforto chegue. apetece fechar os olhos, mudar o canal mas não é essa a decisão lá em casa.

não trago nada de novo, eu sei, mas enquanto deixávamos arrefecer o prato porque víamos e comentávamos uma das minhas Crias fala
- mãe, o mundo inteiro está a ajudar, que bonito…
ficamos em silêncio. fiquei eu a pensar que – infelizmente? – vê-se nestas alturas a mobilização de todos. liga a Humanidade o botão da solidariedade, numa acção conjunta… Bonita
e depois (tenho a mania de ligar a estes pormenores, desculpem lá) uma história que até pode ser “fofoca”. daquelas coisas que até podem irritar. a história do jogador haitiano de um clube português. as imagens mostram-no sentado com uma lágrima que esconde como se fosse suor. baixa a cara porque sabe que está lá a televisão. um outro jogador põe-lhe displicentemente o braço por cima dos ombros. abana-o e diz-lhe qualquer coisa, arranca-lhe um sorriso e um suspiro. aquele abraço como se não fosse nada, aquele esforço por arrancar um sorriso, uma baboseira talvez. levou-me às lágrimas.
que bonito, digo eu também
uma oração que se levanta, um Coração que se une. a Humanidade que se revela.

que bonito

Monday, 4 January 2010



… e 2010 chegou.
(assim. só com ponto final. de propósito. não porque me sinta infeliz, apenas porque gosto da secura de um ponto final. e de escrever propositadamente – acreditem, não é preguiça – sem maiúsculas. perguntaram-me lá em casa – matriarca defensora fundamentalista da boa escrita que facilmente desespero por ver um erro… - porque erro eu aqui… onde “toda a gente vê” – riso – digo-lhes que, em primeiro lugar, o “toda a gente” é muito pouca gente, gente de grande importância, sem dúvida, mas não muita gente. em segundo lugar e quanto aos erros que me encontram penalizo-me por eles mas afirmo que esta escrita assim não é erro. mas também não é original. ouvi a entrevista de um escritor (perdoe-me, Senhor, porque não me lembro do seu nome; inculta eu) que afirmava que a escrita assim sem grandes pudores podia proporcionar muitas coisas. tentei. e, a meu ver, a escrita flui descomprometida como se se tratasse de uma conversa. conversa de amigos ou até de conhecidos apenas mas sem grandes formalidades. no entanto, se quiser dar ênfase a qualquer coisa - como o nome do escritor que criminalmente não me lembro - ponho-lhe uma maiúscula e “a coisa” fica importante…)

passando à frente do que foi, provavelmente, o maior parêntesis deste lado, fica o regresso às rotina.



e as memórias (oh, as memórias) das festividades.

tenho dois homens pequenos lá em casa, já Vos disse?
estamos num limbo, eu sei. Não são “crianças” que nos acompanham com lamúrias e conseguimos fazer planos a quatro (e, sim, também sei, devo aproveitar muito bem este limbo, não tardará a quererem fazer planos com os amigos)


e este ano que começou já?

mais um… mas mais um cheio de dias limpinhos em folha. limpos para errar, para acertar, para perder, para vencer… para Viver.

deixo-Vos os seguintes “brindes”:
os meus dois homens em visita à exposição de “animais venenosos”





e os meus dois belos gatos com o brinquedo novo lá no covil








Thursday, 3 December 2009

e depois há destas coisas

Como já tenho dito por aqui o mês de Dezembro e principalmente o Natal trazem-me memórias e sentimentos díspares.

Por entre a alegria e excitação vem a saudade, o rancor, a dúvida;

Enquanto celebro o aniversário do meu Rei, não evito redordar aqueles que não o podem celebrar, a miséria e a guerra;

Faço listas de prendas mas entristeço-me por ter que as reduzir;

É como se as feridas estivessem na maior parte do ano escondidas pela folhagem e que nesta altura, mercê do frio que sinto na alma, aparecessem quase intactas ou cicatrizadas em riscos profundos desnudando-se a cada cair de folha.

Houve então um dia que decidi estar só. Ficar só. viver só.

Houve uma altura em que me decidi a fazer desta música o meu mote de vida. Quem me lê sabe. Quem me conhece também.

Ontem ouvi-a outra vez.

Recordei os sentimentos. É fácil este caminho, digo eu agora. Escolher não sofrer para não sofrer.

É fácil afastar todos e afastarmo-nos de todos.

Mas um dia (na verdade dois!) Deus deu-me dois sorrisos.

E por estes sorrisos vale a pena sair da ilha, quebrar a pedra.

Por estes sorrisos, ainda que percam com o passar dos anos esta inocência e entrega, por estes sorrisos, faz-se mais um esforço, abre-se o nosso sorriso também.

(...)
No feriado metemo-nos por aventuras e não fizemos a árvore. “Desculpem, digo eu, fazemos no Sábado, pode ser?”

Ontem encontrei a árvore feita pelos meus sorrisos, ainda que já sem aquela inocência de bebe, feita pelos meus pequenos homens de sorrisos marotos, juvenis mas entregues com orgulho, entregando-me a tarefa feita, esperando o meu aval.

Ontem lembrei-me outra vez desta música e agradeci a hora em que decidi arriscar. é preciso amar para sofrer. e eu não me importo da segunda se for o preço da primeira.

Com um dia de atraso ontem começámos a contagem decrescente para o aniversário mais feliz da nossa casa.

Um bom resto de semana








nota: "I am a rock", Simon & Garfunkel, e pode ser ouvida na playlist ali ao lado

Tuesday, 24 November 2009

2007 - babaalert

Poema dos povos antigos

Os romanos eram loucos
E os gregos muito espertos
Os lusitanos valentes
Já sem contar com os iberos

Os celtas eram linguistas
Extremamente pacientes
Tantos povos cá passaram
Que até ficamos doentes

Estiveram cá visigodos
Que eram altos e louros
Até que chegaram os mouros

Passaram ainda os alanos
Mas quem mais marcas deixou
Foi a tribo dos romanos

_________________________________
feito pela CV em 2007

Thursday, 19 November 2009

peço-vos um exercício mental

imaginem que vão ver um espectáculo, um qualquer que não desporto e muito menos futebol, ok?
uma ópera, uma peça de teatro, um bailado, uma performance “andsoión”.
imaginem que pagam o vosso bilhete, que se sentam no vosso lugar sossegadinho e imaginem que não têm ninguém de chapéu ou peruca grande à vossa frente. é difícil, eu sei, mas imaginem ainda que ninguém tosse naquele interlúdio em que as luzem baixam e as cortinas começam a abrir.

o espectáculo começa e vêem, com pasmo, que a “coisa” não está a correr bem. Os actores esquecem-se das deixas, os cantores desafinam, os bailarinos caiem.
Imaginem que de repente o mist… digo, director, vem a palco e informa-vos das “vicissitudes”.

que não tiveram tempo suficiente para ensaiar, que algumas figuras essenciais estão lesion… digo, magoadas ou doentes; que o palco é torto, que o electricista é manco… o mais certo é zangarem-se ligeiramente, não?
mas então, imaginem que NÃO são como eu, que são pacientes e aceitam a oferta do director, recebem outro bilhete para outro espectáculo, num outro dia.
até aqui apanharam?

o grande dia chega
(o adjectivo grande é irónico)

o espectáculo lá se desenrola na normalidade (bem acentuado o adjectivo normal).
nem assim-assim nem brilhantismo, nem nenhuma falha de maior.
passa-se um bom bocado mas fica assim a faltar qualquer coisa… um pedido de desculpa ia bem, dizemos nós. ou então um bocadinho mais de entusiasmo, um bocadinho mais de entrega.

queremos mais, queremos mais, queremos mais, diria, se se tratasse de outra coisa.
mas, digo eu que sou do contra, poderemos exigir mais? afinal eles fizeram o possível, tentaram e cumpriram com o que estava no bilhete. não estaria impresso, com toda a certeza, que iríamos assistir ao fantástico espectáculo de qualquer-coisa. no bilhete não.
mas aquele sensação de amargo na boca, de uma entrega compensatória, de “sangue”, essa fica e permanece.
(...)
para quem ainda não percebeu parece que ontem Portugal ganhou à Bósnia e que, assim, continuou a caminhada gloriosa para o Mundial
(o adjectivo gloriosa também é ironia… da pura e dura)

assim sendo fiquemo-nos por estas glórias que conseguimos (este pronome pessoal parece irónico, não parece? e parece muito bem, sim senhor!) porque o director do espectáculo, digo, o mister, é muito do bom… pelos menos a julgar pelas palavras que ilustres senhores fulanos disseram sobre esta vitória ter “calado as bocas dos detractores do xenhorprofesso”.

tudo bem visto, é evidente que eu – ferverosa amante de futebol – vou seguir e torcer por Portugal. Até porque a Selecção, por aquilo que valer para quem gosta de futebol é maior e melhor que o somatório dos vários fulanos que por lá passarem.
o arrepio na espinha quando “A Portuguesa” tocar vai existir.
só espero que não volte a acontecer um jogo destes enquanto decido quem matou quem, como e porquê (ah, pois é… teste de penal com “goooolo” ao fundo. simpático, não acham?)
-------------------------------------
and now, for something completely different

BABALERT

ele haverá coisa melhor que ver a nossa CV tocar uma linda e melodiosa peça, sentado num fantástico jardim, de olhos fechados para sentir a música?



melhor não












mas ver a nossa CN equipado com o novíssimo equipamento do clube, mostrar-me as costas com o número da camisola e nome impressos enquanto faz toques fantásticos na bola é perfeitamente equivalente…




















pelo menos para mim, mãe babada de um estudioso da bola e um estudioso da música

sou boa parideira, disseram-me na maternidade (é evidente que não foi quem me disse isso que passou lá vinte e três horasde perna aberta , mas enfim).
mas sou melhor torcedora, fã, entusiasta

os vizinhos que se cuidem porque eu quero ouvir os meus filhos tocarem na guitarra e na bola todos os dias




Friday, 13 November 2009

Bom fim de semana


mas que vida!!!
Juro que vou tentar que o meu também seja assim...
na lanzeira

Friday, 30 October 2009

é de mim com toda a certeza...

Parece que o tratado de Lisboa vai avante. as pretensões de um certo país foram ouvidas. hurra! hurra!
e quais eram as pretensões, perguntará o povo, já de si tão arredado do que os bosses “lá longe” vão fazendo?

queria o excelso país ficar fora da carta dos direitos fundamentais da união europeia. e – pasmem-se – nem sequer é inédita esta posição… se virem aqui já Reino Unido e Polónia tinham dito – só para evitar dúvidas – que afinal o que estava presente na Carta não era para ser interpretado bem assim. interpretando eu de um modo até grosseiro parece que, afinal, o que a Carta reconhece só será válido se os próprios países já o tiverem feito.

nada de novo portanto.

uns dizem que sim, senhor, façam como melhor vos aprouver, outros dizem ah, e tal, só se nós já tivermos isso no nosso ordenamento.
a aplicabilidade directa das convenções no seu melhor

como já disse por aqui, tinha esperança que o tratado de… (ao contrário do Sr. PM não tenho nenhum orgulho nisto, mas enfim, o que está, está) Lisboa não seguisse.

tinha esperança que o povo do trevo conseguisse parar este documento.
o mesmo que não foi por cá sujeito a nenhum processo de escrutínio, referendo… – parece que tinha sido prometido, mas que sei eu! –devem ter pensado que tínhamos mais o que fazer e que quando o povo os elegeu lhes terá automaticamente passado uma carta-branca para fazerem tudo… referendo? para quê? aprovamos assim mesmo, qual pai simpático que inscreve o filho bebé no benfica porque ele sabe melhor. (lembram-se deste texto?)

It would be like the authority of a parent, if, like that authority, its
object
was to prepare men for manhood; but it seeks on the contrary to keep
them in
perpetual childhood: it is well content that the people should
rejoice, provided
they think of nothing but rejoicing

afinal o que me tinham dito era verdade.
muda-se a Irlanda.
e tantas vezes foi o cântaro à fonte que a Irlanda partiu-se, digo, aprovou o referendo. e que faltava agora? um outro estado tem dúvidas quanto à referida carta. oh, meu amigo checo, é que é já a seguir. e ainda temos uma garantia de que está tudo conforme a ordem até porque são países onde nada se passa e vivem todos muito felizes "for ever after" e todos muito contentes porque nos garantem que vão respeitar os direitos fundamentais. (e nós, os outros, não?)

já vi que não percebo muito disto e nem me apetece alongar e incomodar os meus dois queridos leitores.

mas - ajudem-me - será que percebi bem? não, de certeza.
temos uma carta de direitos fundamentais à qual se promete aderir como condição sine qua non da adesão ao próprio tratado.

temos uns países que dizem, sim, claro, aderimos a tudo mas "estas letrinhas que aqui se escrevem não reconhecem quaisquer direitos". até me apetecia fazer uma analogia qualquer com as calças de um homem mas não vou por aí.

não sei se dei a perceber mas não vou muito à bola com este “coisa” a que chamam UE. mas – pacta sunt servanda – estamos “lá” cumpramos e/ou lutemos pelos nossos interesses. e não digo nossos=portugueses (mas também) mas nossos desta cidadania europeia que nos vendem – impingem? – como um factor e consequência de um mundo global, aqui como sinónimo de mais justiça para todos, mais igualdade.

recuo até ao discurso de Churchill e medito nesta parte

Trata-se de reconstituir a família europeia ou, pelo menos, a parte que
nos for
possível reconstituir e assegurar-lhe uma estrutura que lhe permita
viver em
paz, segurança e liberdade


ainda que a parte de estados unidos da europa me azucrinasse a cabeça… sou inocente e pouco sabida nestas coisas mas somos todos iguais… mas uns mais iguais que outros.

quanto ao resto tenham um óptimo fim-de-semana. no meu covil tentaremos fazer artesanato por aqui.

Monday, 26 October 2009

a mudança de hora

parece que é copiado daqui… mas não é!
até porque ali reflecte-se (e bem) na vida, nesta coisa que vamos vivendo por aqui e nesta frase que me fica no ouvido

E a capacidade de não sofrermos tanto numa segunda ou terceira vez tem
precisamente a ver com a inexistência do factor surpresa.

por aqui falamos da surpresa com revi este actor.

e como tudo é discutível. admito que para alguns de vós ele não preste ou que os seus filmes sejam básicos ou outra coisa qualquer.

lembro-me dele nesta série e teria apostado tudo em como desapareceria num instante...

quando este filme saiu, ou mesmo este fiquei certa de que nunca seria mais nada além de um pretty boy e que a sua graça desapareceria com o peso da idade.

Mas depois vi este filme e fiquei admirada. Chorei, sofri e vivi com ele. Este achei um bocado lamechas demais… too american mas, ainda assim, surprise, surprise…

O que vi este fim-de-semana encheu-me as medidas. Nada neste filme é linear e a melhor maneira de o ver, para quem não o tenha feito é, como eu, não ler nada sobre ele. Ir descobrindo e vivendo com ele, descobrindo a sua mágoa e a profundidade da raiva, da crueldade…

acaba com o registo… não digo

em véspera de mudança de hora a CN acompanha-me (achava eu que era leve e tal) e falamos até “às tantas”. Gosto destas conversas. Gosto que discorde, concorde, equacione, racionalize e acabe por pensar por si. Mesmo quando as suas conclusões são repletas de dez anos sensíveis e semi-paradisíacos são as suas conclusões. E – babalert – lindas, sensíveis, inocentes, apaziguadoras…

quando vagueamos por assuntos – em que o filme se tornou uma miragem longínqua - e se apercebe do quanto “andámos” diz-me que gosta de falar connosco… “não sei – pensativo – parece que me compreendem, mesmo quando não concordam.”

Uma óptima semana para todos

e, cházinha, desculpa ter pegado no teu mote… (e feito isto!)

Monday, 19 October 2009

Good mornin' good mornin'


Um dia ainda escrevo sobre a minha Cria Mais Nova e o seu enorme talento para dançar e cantar...
Hoje não é o dia!
Mas foi delicioso rever (a seu pedido) este filme. Péssimo no enredo, "estucha" na história, contém alguns dos melhores momentos que se criaram em cinema musical.
Brilhante, my cub!
uma boa semana para todos




Monday, 21 September 2009

Mom

Uma semana por ano sou “mãe a tempo inteiro”.

Levo as Crias à escola e faço-lhes todos os mimos.
Os almoços que querem, a roupa vestida quentinha acabada de sair da tábua, a recepção calorosa, tudo o que têm direito.
Todos os anos há uma nova etapa.
Ora a Cv que já quer ir para a escola sozinha, a mãe que “o persegue sem ser vista, para ter mesmo a certeza que as passadeiras são atravessadas como deve ser, ora a Cn que já vai pelo mesmo. Os almoços que começam a ser ensaiados para quando a mãe não está. O micro-ondas, as tartes, a sopa, o(s) lanche(s) que fica(m) separado(s) por saco(s)… os homens que crescem.
Tanto, meu Deus, ainda que tanto reclame, admoeste, ensine e passe sermões.

Os horários curriculares e extra coordenam-se, as tarefas dividem-se, as “sinergias” reclamam-se.
Ontem dei-lhes, confesso, uma dose extra de mimo com lanchinho nocturno (coisa quase proibida lá em casa) e beijos repuxados porque agora, respondi eu quando se espantam, só vos poderei beijar de manhã. Quando a mãe chega já estão a dormir.
E então? – responde aquela estranha criatura que fez doze anos, um homem(!), que me tirou da terra das mulheres normais e me colocou assim, sem dar por ela, na terra das mães, esse país onde não há sossego, nem despreocupação, nem irresponsabilidade mas rios abundantes de momentos brilhantes, carícias, abraços, medos, febres, tosses, fraldas e olhares, muitos olhares; montanhas imensas de sentimentos que não se conseguem descrever (há quem o faça, claro, e muito bem…) um universo alternativo que não pára de me espantar. E então, dizia ele, eu sei que nos beijas tooodas as noites. Eu sinto.

Dois homens que crio. Duas Crias que Deus me colocou nas mãos. Dois seres humanos imensos, complicados de quem tenho a honra de ser mãe.

Uma boa semana para todos. Férias? Só para o ano… snif.
(imagem tirada da net)

Tuesday, 8 September 2009

quase, quase

... a recomeçar a lida e o lufa lufa.

estão grandes as minhas crias.

ontem era dia de jantar de família.

o quê? pergunta (quem?) me visita

bem, é um eufemismo - mas o que é isso, podes explicar-me? sim, claro CN, eufemismo é uma maneira bonita de dizer uma coisa. por exemplo, diz-se - recorro ao Rui Veloso - "lado lunar" e não "estar com a telha". sim, já percebi. é como o pai dizer "a mãe está com dor de cabeça" e não "está com aquilo outra vez". sim, sim. machos!

jantar de família, como dizia, eufemismo de "não temos pai-cozinheiro em casa por isso toca todos para a cozinha fingir que fazemos qualquer coisa engraçada"

dirijo-me à dispensa para recolher os dois banquinhos vermelhos para que as Crias possam chegar à bancada. Zangam-se, claro!
- Mãe!! Já chegamos muito bem, obrigado!

Gostamos de ver o Hell's Kitchen, se bem que a versão é legendada em espanhol(?) e é uma grande confusão e digo que vou ser o Gordon da malta.

Fazemos ervilhas com ovos escalfados para um, salsichas com "massa grande tipo esparguete gordo, branco e verde misturado" para outro, restos de frango com cogumelos para mim. Tudo bem acompanhado de uma salada multicolor. rúcula, tomates, couve roxa, rebentos de soja. Um verdadeiro arco-íris. Tudo muito bem regado com azeite, vinagre balsâmico (porque não são só os beirões que inundam a salada) sal e salsa picadinha.

Pedem-me para cortar a cebola.
(e é nestas alturas que sabemos que já não temos bebés em casa)
deixo tudo o que fazia, baixo o lume e vigio cuidadosamente o que fazem.
Para a CV uma cebola para a sopa de amanhã - corta apenas em quatro
Para a CN a cebola picadinha para as ervilhas

rimos com as lágrimas que ficamos todos a deitar. tudo muito bem cortadinho, tudo muito cuidadoso e sem cortes.

a hora pós jantar é invariavelmente para cada um estar com cada um. Uns beijos, umas conversas mas terminamos o serão (que por estas alturas vai ficando mais curto para nos adaptarmos à hora escolar) em tranquilidade. cada um no seu quarto, portas abertas, o silêncio a instalar-se devagarinho.

- mãe? podes até não cozinhar como o gordon... mas não dizes asneiras... e és mais gira que ele!
(...)

Thursday, 3 September 2009

Falando no meu banco de jardim

Vemo-los todos os dias. Damos-lhes comida, vestimo-los, beijamo-los enquanto corrigimos.
São os nossos filhos.
Sentimos as suas dores, protegemo-los e tentamos prepará-los para tudo o que a vida pode fazer.
Às vezes, só às vezes, somos surpreendidos.
Onde estiveste este tempo todo?

Num agradabilíssimo jantar que tive há pouco tempo pediram-me que lhes explicasse porque os trato por Crias.
Já escrevi algures por aqui como me identifico com algumas mães do reino animal.
A razão menos romântica vem de um “vício” que ganhei quando nasceram: cheirá-los e pô-los perto da minha cara.

E as minhas Crias crescem. Sem tanta surpresa como escrevi lá em cima, mas, ainda assim, com saltos temporais.

Mostrou-me a minha CV um texto seu. Li-o achando que seria sobre os jogos ou filmes e os seus inúmeros follow ups (sim, porque as minhas Crias criam novos jogos, pensam em novas ideias para sequelas). Mas Aquele texto era diferente. De um modo juvenil descrevia-se, com um despudor que me assustou (?)… De um modo calmo, esperou a minha reacção. Nem sabia por onde começar. Se ficava espantada por me mostrar – boys don’t usually talk – se por dominar tão bem uma língua estrangeira – esqueci-me de mencionar que o texto estava escrito em inglês? – se por ter ideias assim, como as que li, tão seguras – sweet innocence?

Com a Vossa desculpa, não o reproduzirei. Mas tem a minha CV ideias sobre as grandes questões da vida, daquelas certezas nossas de adolescente. Até aqui nada de novo? São, na sua maioria, diferentes da “ideologia dominante” lá em casa.

Ficou, como disse, à espera da minha reacção.
- Sabes, CV, enquanto morares nesta casa vais ter que cumprir as regras de cá de casa. Mas não te obrigarei nunca a compartilhares as minhas ideias ou ideais.
- Eu sei – respondeu-me com um abraço – por isso é que te mostro.

Sempre achei que os ideais não são aprendidos por osmose. Não se é assim ou assado porque o pai ou a mãe é. Há, obrigatoriamente, uma altura em que as Crias saem, pensam pela própria cabeça, formulam raciocínios.

- Sei que não pensas assim como eu, mãe. Mas comecei a pensar… - e explica de um modo assustadoramente (?) lógico as dúvidas imensas que tem, as certezas que foi alcançando, a recolha de opiniões, “este diz isto, mas li aquele que dizia aquilo”, “concordo com o que o outro diz, nem tanto com o que aqueloutro diz”.

De que mensagem fiquei eu orgulhosa de estar(mos) a conseguir transmitir?
De pensar pela própria cabeça. Duvidar para ter a certeza. Informar para consubstanciar as opiniões.

- Não sou ovelha, mãe. Sou um ser humano. Com liberdade para pensar.

Um bom dia para todos,
vou ali limpar a baba…

Monday, 15 June 2009

Monday, monday

- estamos só nós os dois, minha Cria.
- podíamos fazer o almoço juntos!
(…)
Uma saladinha simples que os dias são de calor.
Reparo que a casa, não sendo enorme nem cheia de pessoas, está poucas vezes silenciosa. Principalmente, reparo que estou poucas vezes apenas com uma das minhas Crias. Nesse dia estávamos só nós os dois. Eu e a CN.
Desafio-a a comermos nas cadeiras, em frente à televisão.
- Sério, mãe? – com um sorriso aberto.
Muitas tarefas burocráticas a fazer, a CN acompanha-me em todas, com paragens para uma água fresca ou um gelado. A cidade parece que gosta de nós, ri para nós. Mãe e Cria, de mãos dadas, sorrisos e carinhos trocados.

Depois de um duche refrescante, ficamos os dois sentados no sofá, só a música do rádio, cumplicidades de dois seres tão diferentes.

Enquanto me sento a fazer contas de sumir com as facturas a CN aproxima-se de mim e pergunta-me se estou bem. Como lhe respondo sem erguer os olhos dos papéis, levanta-me ele a cara. Carinha próxima da minha, beijo de esquimó como lhe chamava em bebé.
- Vamos conseguir, mãe. Tu sabes que sim.

As frequências começam amanhã.
As férias deles aproximam-se.
Últimos cartuchos de um ano escolar difícil, muito mais difícil que poderia supor, ainda sem balanços.

Uma boa semana para todos.

Tuesday, 9 June 2009

Um dia quis...

... ser crescida, ser grande, forte e independente

... voar, lutar e vencer.

... mandar na minha vida, fazer o que me apetecesse.

... ter um trabalho e não o fazer, ter um livro e não o ler, ter uma vida e não a viver.

(cópia descabida do Poeta, claro)

Hoje?

É esse dia.

Se estão todos os desejos que tinha?

Não. Mas os que estão são os mais importantes.

Descobri...

Que mais importante do que fazermos o que queremos

é querermos o que fazemos

E isso eu quero e muito.

Frequências mesmo, mesmo à espreita, o fim do ano das Crias a chegar, as minhas desejadas folgas mesmo ao virar da esquina.

Uma interrupção leve e breve deste Lado.

Bem hajam

Monday, 8 June 2009

A beautiful picture a day... 027




Chove lá fora...



Fim-de-semana produtivo (?)



Sim, se por produtivo se entender fazer pouco ou quase nada do que nos aborrece, muito do que nos agrada e dá na real... - hum - gana!



Cineminha, pois claro, com direito a votação... a quatro e (pasmem-se) sem a nv exercer o seu "direito constitucionalmente maternal" de voto de qualidade. A maioria, nua e crua, ganhou.


O filme? Gostei, claro (ah... disse que o meu voto não era de qualidade? pois disse. Mas "esqueci-me" de dizer que o meu filme ganhou na votação. E se não? Pois vou fingir que não usaria o tal poder. só fingir, pode ser?)


Onde ía?


O filme.


X-men

reunindo duas das minhas personagens, quem sabe As minhas personagens favoritas.

(e juro, juro, que o facto dos meninos serem bonitos não tem nada a ver...

está bem, não juro, pronto)

O Gambit, como dizia, está ali na linha ténue que separa os bons dos maus. Tem um sentido de honra mas recusa-se a ser mais um na equipa do professor Xavier.

Com o olhar trocista e um ar de deixa andar que não me importo com nada, lá acaba por salvar o dia e partir...

Em comentário familiar

- porque gostas só de bad boys, mãe?

- porque... bem... porque (e nem encontro um avatarzito ou isso para me ajudar!)

- porque não são ovelhas, não é? como dizes sempre. Não são ovelhas que seguem tudo e todos sem pensar. Fazem e seguem os seus próprios caminhos.

fico sem palavras. esta educação contracorrente que pareço dar às minhas Crias poderá necessitar de reavaliação...

ou não

No domingo fomos à praia. (estava mau tempo? que importa! a praia é sempre que uma mãe desesperada quiser!!)... não sem antes votar, pois claro.

A CN acompanha-me e treme a mão enquanto põe o voto na caixa negra (nome dele). Treme porquê? "Porque ainda há tantos em tanto lado que não podem fazer isto, não é verdade, mãe? É tão importante, não é, mãe?"

É sim, minha querida Cria inocente.

Chove lá fora mas o fim-de-semana foi muito, muito bom (e o meu bolo de laranja hiper delicioso que se comeu em menos de dois segundos?)

Amazing, é só o que eu Vos digo!


Uma óptima semana para todos

Tuesday, 26 May 2009

Ideias précon-(re)cebidas (Adenda)

A CN estuda história de Portugal. Aprende sobre a conquista do nosso Portugal aos povos que cá estavam.

A CN ouve um comentário parvo qualquer imbuído de xenofobismo aleatório na rua.

A CN estuda num colégio onde, por consenso paternal, e devido à multiculturalidade dos meninos, os feriados são aprendidos mas não festejados. O Natal foi a Festa do Fim de Ano. Às famílias caberia o festejar religioso ou não, em casa.

Com colegas budistas, muçulmanos, católicos, protestantes e judeus, nunca pensou a estouvada Cria que o "muçulmano" que aprende nas aulas de história, o colega X e "aquela" palavra que ouviu na rua pudessem estar relacionados.

Vemos o colega X e o pai no supermercado (coincidência) em filas afastadas. A CN e o X cumprimentam-se efusivamente. Nós, pais, acenamos por de trás dos carros de compras.

Remata:
o X e o pai são muçulmanos. Quando o vai buscar dá-lhe um beijo e um abraço.
Como eu e o pai.

Monday, 25 May 2009

Ideias précon-(re)cebidas

Se quiser apontar, de repente, uma parte do fim-de-semana pelo qual aguardamos com prazer é, sem dúvida, o lanche de Sábado.

Talvez por ser aquela refeição onde já desacelerámos do stress da semana mas ainda não entrámos no stress da semana seguinte. A casa vai estando em ordem, os trabalhos de casa alinhavados, o cesto da roupa já não me grita “socorro” cada vez que me vê, os quartos já (há muito) arejam, enfim.
Pomos isto e mais aquilo, conforme o nosso “mood” da altura e do ano. No Inverno vai o chá quente, o chocolate derretido, as torradas e o bolo a fumegar. Com o tempo mais ligeiro vêm as saladas, petiscos, fruta e carnes frias.

Sentamo-nos os quatro, cada um por si.
A televisão desliga-se, o cd (esta semana quem escolhe?) toca baixinho, a conversa surge. Sem grandes preparos, às vezes ficamos em silêncio, outras atropelamo-nos, ou quase…

Normalmente os temas são tão banais como a vidinha que levamos (não necessariamente (des)importantes, apenas histórias que não houve tempo para contar – à noite ao pai, de manhã à mãe, sempre corre-corre).

Esta semana a CN sai com a pergunta

- quando foram os muçulmanos derrotados?
Como?! Perguntamos os três em coro.

Explicações dadas, recuamos no tempo os quatro, ajudando a CN a enquadrar os conhecimentos que finge não ter, refreando os demasiados que a CV tem. Explica-se o que é ser muçulmano, aproveitamos para fazer uma resenha das religiões e dos povos do mundo...

Alegro-me por saber que tenho duas Crias sem ideias pré concebidas, apenas, em alguns temas, mal informados – mea culpa – e interpretando mal a muita e descabida que recebem.

- Estou a ver, remata a CN. Há bons, maus, óptimos e péssimos, como em tudo. Como é aquela frase que dizes quase – com olhos que reviram – tooooodos os dias?
- Não há verdades absolutas. – ajuda a CV com sorriso trocista – apenas o meu amor – tenta imitar a minha voz e gesto, provoca-me o riso (não sei se pelas três escalas que a voz dele agora faz em cada frase se pela sua captação perfeita dos meus maneirismos).
O assunto fica arrumado. Isto hoje até correu bem, digo eu. Assuntos há – e digo-o com orgulho, confesso – em que as nossas opiniões divergem e acendem-se as argumentações.

Retalhos (in)significantes… talvez.

Friday, 15 May 2009

Bom fim-de-semana


I want this back, please...
Right now!
Um bom fim-de-semana para todos!

Wednesday, 13 May 2009

Verde

A maravilha da Primavera, contra todos os desencantos que se nos deparam nesta v*** (hoje a palavra vida parece-me quase uma asneira... adiante)

É ver isto.
As pequenas folhas que despontam na minha romanzeira em prelúdio do "dia seguinte poderá ser melhor"










A flor é do morangueiro... bela, não é?



Depois temos este pequenino, escondido e tímido
E, claro, o meu herói... ei-lo, Senhores!



A courgette também deu flor (vêem-na?)





E o meu pequeno aprendiz de ainda-não-sei-bem-o-quê que fez um bolo de cenoura... (não cheguei a tempo da foto!)
Um bom dia a todos






Monday, 27 April 2009




A Festa da Primavera. Por entre trabalhos e estudo lá arranjámos um tempinho para nos deslocarmos ao belíssimo Jardim Botânico da Ajuda. Gente simpática a fazer-nos sentir como se aquela fosse também a nossa casa. O tempo não estava pelos ajustes mas para nós ainda bem (!). Pudemos gozar o Sol, a luz e o calor. Sentamo-nos na fonte dissertando sobre a razão de escolha dos animais lá representados… (tanta invenção!)

A exposição de orquídeas foi, talvez, dos espaços mais fantásticos! As nossas favoritas ficam aqui.

A feira de artigos artesanais era pequena mas muito simpática com gente sempre disposta a responder a perguntas que fariam envergonhar qualquer pessoa minimamente campestre. Não resistimos e comprámos dois vasinhos – um de courgettes e outro de feijão verde. “Da do mel” trouxemos um potezinho e muitas histórias contadas pelo simpático senhor sobre as abelhas. (parecíamos três estarolas, absolutamente fascinados…)

Na casinha do chocolate lambuzámo-nos e no concurso de espantalhos divertimo-nos e sujámo-nos… muito!
A mala pesada com muitas roupas velhas – tínhamos pensado fazer dois espantalhos – serviu para alegrar uma outra família apanhada desprevenida. A palha provocou alguns cortes nas mãos desta citadina e desajeitada mãe, mas conseguimos que o nosso verdinho se aguentasse em pé. O júri deliberou e não ganhámos… mas no Outono lá estaremos, com a experiência adquirida e prontos para novo e melhor! (Infelizmente a foto do que ganhou está completamente desfocado – ups).

Com as plantinhas que lá adquirimos, mais uma experiência escolar da Cria e umas outras compradas na lojinha, começámos o nosso jardim citadino de que Vos traremos notícias, boas esperamos.

Muito cansados, na verdade, mas com um fim-de-semana cheio, enfrentamos a (mais pequena) semana que se inicia, com coragem (?) para os testes…

Uma óptima semana para todos deste Lado para o mundo…