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Thursday, 24 September 2009

Cartão Vermelho


“Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para dar o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que de alguma forma nos incomoda, se quiser e precisar, dê uma justificativa breve. Após fazer isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá”

Tarde, eu sei, mas aqui respondo ao desafio que a minha cházinha me deixou.

Já devo ter postado isto algures mas quanto mais penso nisso mais me convenço que com as coisas que abomino, a ponto de lhes dar um cartão vermelho, faço o mesmo que às couves de Bruxelas… ponho-as ao canto do prato.

Ainda assim, em tom brincadeiró-sério, elenco então os meus com ajuda do que tirei daqui).

Faltas Passíveis de Expulsão

Um jogador deve ser expulso do terreno de jogo (cartão vermelho) quando cometa uma das sete faltas seguintes:

· Tornar-se culpado de conduta violenta
a mesquinhez daqueles que, por incapacidade inata, azucrinam, diminuem, humilham e desprezam aqueles que o rodeiam. ninguém, por mais “alta” ou importante que seja a sua posição, por mais fantástico o seu percurso, tem o direito de ter uma conduta violenta para com o seu próximo.

· Tornar-se culpado dum acto de brutalidade
será o exacerbar do anteriormente dito? para efeitos deste post, direi que não. brutalidade é a ignorância pura e simples. não a que vem da falta de estudo ou dinheiro.
é bruto aquele que se contenta com a sua própria conduta. torna-se um mero fruto dos acontecimentos, deixa a vida passar por ele. não arrisca, não evolui, não se renova (aprendi esta ontem…)
é bruto aquele que alarvemente se considera o Calimero de tudo e em tudo, aquele que muito simplesmente diz (e aqui vem a repetição) “é assim que eu sou, não mudo” como justificação para “aguenta-te!”

· Cuspir num adversário ou em qualquer outra pessoa
(esta é difícil de adaptar)
não medir as palavras. não medir os actos.
das reacções que mais me impressionam num ser civilizado é – antiga eu – o sentido de honra, de fazer o que está certo, o que é, enfim, honrado. de, caso for, parar num sinal vermelho em pleno deserto, porque é assim.
pessoas há que dizem as maiores barbaridades porque são sinceros, dizem eles. são aqueles do tipo “sai de baixo”, javali enraivecido, cego e bruto. A civilização ensinou-nos melhor, não?

· Impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma ocasião clara de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de grande penalidade)
(vou gostar desta)
muito sucintamente, jogar sujo. ir descaradamente contra as regras. como disse um grande filósofo “andebol… mão; futebol… pé!” as regras são para cumprir e não só quando nos dá jeito.

a excepção? simples, não acham? em defesa da minha baliza poderei agir dentro das regras, aquelas criadas para o guarda-redes.

· Destruir uma ocasião clara de golo dum adversário que se dirija em direcção à sua baliza cometendo uma falta passível de um pontapé-livre ou de um pontapé de grande penalidade
um dia, um namorado de uma amiga minha pediu para falar comigo. encurtando uma palerma cantata, verifiquei horrorizada que o “menino” se estava a “atirar a mim”. Recusei-o veementemente. a dor de corno dele fê-lo transformar o seu avanço! foi rapidamente dizer à namorada que tinha sido eu(!)... felizmente a menina era mesmo “minha amiga”, daquelas que me conhece bem, daquelas que sabe que sempre (sem falsas modéstias) encarei os namorados das amigas como eunucos (esta soou mal) e o menino foi recambiado para onde quis. nem uma nem outra.
há muitos meninos (e meninas) desses por aí.
Destroem (ou tentam) o que podia ser uma bela amizade, um relacionamento, uma experiência, porque sim. Destroem tudo, atacam tudo, porque sabem, lá no fundo, que nunca poderão ser felizes por si e decidem que mais ninguém o será.

· Actuar com propósitos ou fazer gestos desabridos, injuriosos ou grosseiros
A educação é muito bonita e eu gosto.
e não, queridas sufragistas, não nos faz menos mulheres aceitarmos a prioridade na passagem, a porta que se abre o levantar quando nos aproximamos.

· Receber uma segunda advertência no decurso do mesmo jogo
reincidentes. erram e erram e voltam a errar.
não aprendem

(and now for something even more stupid)

os três últimos cartões vermelhos
. a minha conta bancária
alguém que lhe ponha um cartão vermelho e o expulse da minha vida (e já agora, tragam-me uma bem recheadinha, saxavor)

. condutores de fim-de-semana
defendo a passagem de carta provisória a definitiva por contabilização de horas e não pelo passar do tempo do calendário
mais – defendo revisões à condução e aos condutores, não só aos carros
melhor ainda – não conduzam senhores condutores-que-só-pegam-no-carrinho-limpinho-com- escova-de-dentes-e-gostam-de-andar-a-passear-à-velocidade-vertiginosa-de-10-km/h nos trajectos supermercado / praça correios / papelaria / etc ao mesmo tempo que eu. as minhas voltas de fim-de-semana agradecem

(um toque de seriedade no fim)
. a hipocrisia
com educação, respeitando as regras, jogando limpo e aprendendo, sim, mas honestos. com os outros, claro; connosco, sobretudo.
viver e sobreviver. resmungar, sim, também, sabendo qual a nossa posição, almejando mais e melhor, usufruindo o que já alcançámos. não prometer sem cumprir.
fingir, mentir, dissimular é perigoso e cansativo. criar um mundo de ilusão à volta, a todo o tempo, enganando todos, enganando-se a si mesmo deve ser extenuante. vá para o balneário mais cedo, tome um banho fresquinho, equacione o que fez e recomece... com melhor atitude, se faz favor.

____________________________________
permitam-me que não passe a ninguém a particular. todos os que por aqui passam e ainda não responderam a este desafio sintam-se automática e carinhosamente compelidos a fazê-lo.

obrigada pela paciência
um bom dia!
(imagem daqui)

Wednesday, 2 September 2009

Ano Novo

Gostei das férias.

Das que tirei mesmo (mas não a ninguém que são minhas de direito) e das que tirei daqui.

Fez-me querer voltar e querer voltar é bom sinal.

Fez-me regressar à escrita de caneta. Em agendas usadas como fiz em tempos, nas bordas das páginas não escritas, nos espaços (todos) em branco que ficaram.

Fez-me ler os outros com atenção. Fez-me ter saudades.

Na forja estão muitos textos em revisão para colocação oportuna.

Como repararam antes da minha fugida, abri um (outro) lado junto do wordpress.

Lá colocarei os meus contos. Utilizo a expressão sem qualquer pudor e sem ambição ou auto-elogio ou outra coisa qualquer. Chamo o meu boi pelo nome que lhe dei. São contos que escrevo - simplesmente porque sim. Aí desse lado digam (ou não) o que Vos aprouver.

Deixo-Vos apenas com uma das notícias que ressalto deste meu interregno:

O meu querido Faramir (vejam que lindo está neste close and personal) tem um companheiro:
Lord Legolas Zezinho.

Adoptado da querida Associação Bianca recebeu o nome via "Lord of the Rings".

Deixo para o fim o mais importante:

Os agradecimentos a quem me visitou.

Querido Jes:
Estive, devo confessar, como o televisor. Mas o tempo, a praia e a minha família foram óptimos curativos, tal como tão sabiamente dizia.
Agradeço-lhe muito as suas palavras e a sua referência ao meu lado no JPPTO. Espero não o desiludir.

Querida Gi:
Foi em Setembro... (ai, que isto me lembrou uma daquelas músicas) E Setembro veio.
Obrigada pelos votos.

Querida Paralelo Longe:
Seja muito bem-vinda. Volte sempre.
Obrigada pelas suas palavras.
Devo confessar que o adjectivo que utilizou ficou a bailar cá dentro.

Querido Rafeiro Perfumado:
Fazes-me rir (mas isso já sabias). E eu lá sou miúda de comprar televisores em saldos??? (riso) Tratei do meu. Mantive-o. Nada como este modelo que trabalha a velas e suporta uma boa pancada. É resistente. Como eu.
Volta sempre.

Querida Once, vulgo Cházinho, vulgo CPrice (ufa - é o que dá ter amigas tãããão nobres):
Como amiga obediente e serviçal competente aqui te obedeço (riso). Voltei. Voltei para cá (ai, que me lembrei de outra música - é isto que dá ver o filme "O meu querido mês de Agosto").
Obrigada, mate. Sério, sério.

Querida Luísa:
Baterias devidamente carregadas, garanto-lhe. Volte depressa da sua viagem. Corra tudo bem. Aqui a espero.
Obrigada

Querida Rita:
Obrigada por visitares o outro ladecos. Obrigada pelo interesse. Volta sempre.

Querida Ka:
Que óptima surpresa foi o encontro. Obrigada pela organização
Obrigada pelo jantar.




Agora sim.
Deixo-vos com fotografias dos meus meninos.

Um óptimo dia e resto de semana!










Thursday, 28 May 2009

28 de Maio



Quereria escrever alguma coisa de espectacular (eu sei, eu sei, desculpa barata e muito utilizada por aqui a lembrar a velha história do cão que comeu o trabalho de casa... mas que fazer? é verdade!)




O dia acorda lindo. E porque não? Hoje celebra-se um grande dia. Não sabem? Pois hoje é o aniversário de uma grande Amiga minha.




O dia acorda lindo, a fila é imensa mas antecipo a pequena surpresa que lhe preparei e rio sozinha. Espero que gostes. (Mme. Campos)




Componho mentalmente o postal de hoje. Porque por esta altura, tenho o carro desligado, vidros abertos e alguns condutores a caminharem pela Avenida, tenho vontade de colocar uma música do filme "Fame" mas não o faço. Gosto do meu carro sem mossas (para além daquelas que eu fiz...)




Pego numa folha de papel e começo a escrevinhar... ponho assim, brinco com isto e aquilo...




... como quem não quer a coisa olho para o cockpit (não é, mas é bem mais giro dizer que o meu carro tem "cockpit" que um "tablier", ou "mostradores", não acham? adiante) passou já para além do "L" a temperatura. Ai, ai! Ouço a voz do F. "mas tu não olhas para os mostradores???" não, my dear. Fico aflita. Mas há quanto tempo não ponho eu água no radiador? há muito... consigo sair da fila por artes mágicas e dirijo-me à bomba. Pestanejo e peço ajuda ao menino simpático.




Uma longa história depois (...) estou na ponte parada (eu e a ponte) e a bela a folha voa... voa digo-Vos! Fico aflita primeiro. E se cai num espelho de alguém? Tipo filme, vejo-a cair tranquilamente ponte fora, ou borda fora e adivinho um barco de recreio que o receba. Tudo posto, mais uns quantos fogos para apagar por aqui na Casa da Caldeira, já não sei mesmo o que queria escrever... fico triste




Aceitas, minha Querida, apenas um Grande, Grande
Parabéns
do fundo do coração sentido e desta cabeça estouvada?




Obrigada por me deixares festejar mais um aniversário Teu!


Que Deus te abençoe!

Tuesday, 26 May 2009

Nunca mas nunca (!) julguem a Rosa pelo seu nome

Hoje comprei uma publicação. Não a compraria se não soubesse que devia - mesmo, mesmo - conhecer o seu conteúdo.

Venho cedo para a minha mesa enquanto ainda não chegaram os outros, enquanto apenas estou eu, a fornalha e o carvão...

Sento-me no meu montinho.

Propositadamente saboreio cuidadosamente o seu recheio. Folha depois de folha. Tentando alargar a distância que me separava.

Ei-lo

Conteúdo precioso. Letra a letra. Belo!

E de repente recordo uma passagem de um livro. Está sublinhada. Encontro-a facilmente

- O senhor também o leu? (...)
- Quase ninguém. (...) está proibido. (...) Porque é velho. (...) Sobretudo
quando são belas. A beleza atrai (...) Porque o nosso mundo (...) é estável,
agora. As pessoas (...) conseguem o que querem e nunca querem aquilo que não
podem obter. (...)
- Apesar de tudo é belo!
- (...) esse é o preço que temos de pagar (...) escolher entre a felicidade
e (...) a grande arte.

(...) uma campanha contra o passado, pelo encerramento dos museus,
pela destruição dos monumentos históricos (...) pela supressão de todos os
livros publicados antes do ano 150 de N.F.
(...)
Cortou-se a parte superior de todas as cruzes para serem transformadas
em T.

"Admirável Mundo Novo" - Huxley, Aldous

Obrigada por escreveres!

Wednesday, 14 January 2009

Postal para si

Há muito, muito tempo conheci um ser fantástico. Azul, bonacheirão, recto. Apresentou-se como MB e disse-me que gostava muito de bolachas. Quis ser meu amigo e eu, que muito aprecio amizades assim, que tenho a mania de me presumir pouco interessante, fiquei comovida, grata e pronta a retribuir o apreço.

Falávamo-nos com alguma frequência e um dia presenteou-me com uma comunicação directa. Disse-me que tinha encontrado, nas suas deambulações por antiquários, um telefone verde, velhinho e amoroso e decidimos ser esse o nosso meio de comunicação. Bastar-lhe-ia levantar o auscultador e ali estaria eu.

- Olá, MB. Como está hoje?
- Olá, princesa verde.
- Querido MB não me trate por princesa… sabe que não acredito na monarquia…
- (riu) não se amofine, menina. Apesar das suas cores sabe que a aprecio.
- Sabe que é mútuo, não sabe?
(em simultâneo)
- Um bom dia para si!

Depois o querido MB abriu um quartinho só dele e ainda por cima dedicou-mo. Fiquei espantada com tantas honrarias.

E depois? Como acaba esta história?

Não sei. Sei que o telefone já não deve funcionar.
Sei que o quartinho está um bocadinho empoeirado.
Sei apenas isso.
Escrevo-lhe um postal, ponho-lhe um selo verde, muito bonito e ponho-o no correio.

Caro MB,
Espero que esteja tudo bem consigo. Garanto-lhe que não lhe cobro nada a não ser a grande estima que lhe tenho e o cuidado que por si sinto.

Encontrei um outro telefone, não tão velho, não tão mimoso, acredito, mas igualmente eficaz se por algum acaso pretender comunicar-se.
Queira o meu amigo saber que o meu cantinho tem ainda o seu lugar guardado.
Por estas alturas de frio tem também uma manta quentinha e conte com as minhas bolachas caseiras e o leitinho quente para as tertúlias amigáveis.
Reiterando os meus sinceros votos de tudo se encontrar em paz no seu Muro,
Permaneço sempre e atenciosamente,
Sua NV



Bem haja, amigo

Thursday, 18 September 2008

Meu Caro P.

Deus continua a ser notícia hoje, em pleno século XXI?

Às pessoas agnósticas que mo perguntassem dir-lhes-ia, com palavras de Bento XVI que, postos a arriscar, partissem do pressuposto: Et si Deus daretur? (E se Deus existisse?)

Muitas vezes as pessoas pensam no mais além como se fosse um jogo de grandes penalidades: se meto golo, bem e se não…

Sinceramente, não gosto de pôr as coisas como que para ficar 0-0.

Parece-me que é muito mais atractivo sair para ganhar, arriscando às vezes um pouco porque, além disso, os católicos jogam sempre em casa.

Se o fazemos dessa maneira temos o Árbitro a nosso favor e, em caso de emergência, a grande penalidade… é-nos oferecida.

Ser católico é jogar para a “Champions” todos os dias.


_____________________________________________

O meu querido amigo P. enviou-me esta mensagem rematadita com

Hoje vi isto que vos mando e achei que devia partilhar convosco. É uma boa maneira de encarar a questão.
Que vos parece???
Nocas Verde, espero reacções tuas... eheheh



Pois meu Caro P., aqui deixo a singela mensagem embrulhada em desafio, não sem antes criticar a ausência da indicação do Autor de tal frase. (ai, ai, ai o prof. de MITI não ía gostar nada!!!!)

Reacções?

Eu, Verde que sou incapaz de deixar esse tipo de desafio/questão/pergunta sem resposta lanço-a aqui no espaço sideral.

Sem qualquer pudor de emitir a Minha Opinião (maiúscula propositada) permito-me, no entanto, a solicitar as V. ilustres reacções ou ausência delas.

Wednesday, 21 May 2008

Carta para ti

Querer não é poder.
Quem pode, quis antes de poder só depois de poder.
Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer
FPessoa

Não gostas de futebol
mas digo-te que tenho o passe do teu clube comprado. e assisto a todos os jogos com faixas compridas, cantos de vitória, pedidos de camisola. Já me viste lá? Sou eu mesmo. Claque oficial.

Não gostas de fado
mas digo-te que canto um bem bonito para ti. Daqueles que limpam a alma e transpõem o que sentimos e ainda o que não sentimos. Que me envolvo num xaile garrido, bebo de seguida quarenta penalties e canto com voz de rouxinol. Só para te alegrar.

Não gostas de ajuda
mas digo-te que fundei uma Associação Humanitária onde sou presidente, secretário e membro e que desenvolvo acções de solidariedade, peditórios e galas de beneficiência a toda a hora... apenas para convencer o Universo a ajudar-te.

És maior
mas digo-te que me faço gigante para ainda maior ser, para poderes ter o meu ombro e regaço

Ficas em silêncio
mas digo-te palestras infinitas, incaláveis que são as minhas palavras a teu favor e em teu favor

És assim
E ainda bem
Sou eu assim
E...
Desejo-te bom feriado!