...mas näo me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o que lhe confiei até àquele dia.
Wednesday, 1 July 2009
Tuesday, 26 May 2009
Nunca mas nunca (!) julguem a Rosa pelo seu nome
Venho cedo para a minha mesa enquanto ainda não chegaram os outros, enquanto apenas estou eu, a fornalha e o carvão...
Sento-me no meu montinho.
Propositadamente saboreio cuidadosamente o seu recheio. Folha depois de folha. Tentando alargar a distância que me separava.
Ei-lo
Conteúdo precioso. Letra a letra. Belo!
E de repente recordo uma passagem de um livro. Está sublinhada. Encontro-a facilmente
Obrigada por escreveres!- O senhor também o leu? (...)
- Quase ninguém. (...) está proibido. (...) Porque é velho. (...) Sobretudo
quando são belas. A beleza atrai (...) Porque o nosso mundo (...) é estável,
agora. As pessoas (...) conseguem o que querem e nunca querem aquilo que não
podem obter. (...)
- Apesar de tudo é belo!
- (...) esse é o preço que temos de pagar (...) escolher entre a felicidade
e (...) a grande arte.
(...) uma campanha contra o passado, pelo encerramento dos museus,
pela destruição dos monumentos históricos (...) pela supressão de todos os
livros publicados antes do ano 150 de N.F.
(...)
Cortou-se a parte superior de todas as cruzes para serem transformadas
em T."Admirável Mundo Novo" - Huxley, Aldous
Friday, 12 December 2008
Thank God it's Friday (once again)
Esta semana foi complicada...
"e não são todas, mãe?"
São, minha Cria. Mas esta foi mais que as outras!
Ainda assim, esta semana completou-se mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos... - engraçado... esta semana foi descoberto e desmantelado um grupo português que raptou e manteve cativo várias pessoas.
Já é crescidinha esta Carta... estaremos na generalidade muito melhor em razão do cumprimento efectivo dos Direitos, Liberdades e Garantias por esse mundo do que quando a Menina foi criada, mas haverá ainda um longo, longo caminho a percorrer. E esse faz-se... percorrendo-o, certo?
Em matéria de direitos internacionais há sempre o problema da sua efectividade, do seu cumprimento, ainda que compulsório.
Em matéria de razões tão delicadas (a expressão é pobre, confesso. Não partilho da delicadeza do mesmo, antes pelo contrário) como as dos direitos humanos há ainda uma pequena dúvida, subjacente aos nossos raciocínios, comprovada pela prática dos países incumpridores, de que cada quintal deverá tratar da sua horta.
Não subscrevo com o pressuposto acima descrito. E não estou sozinha, felizmente.
Cada indivíduo nesta Terra é Património Mundial e, como tal, não sujeito à discricionariedade de quem sobe a “um trono”, qualquer que seja ele e qualquer que tenha sido a foram de o adquirir.
Cada indivíduo é, antes de mais, Pessoa, Cidadão do Mundo e, como tal, superior aos ordenamentos pequenos e constritores da sorte ou azar da nacionalidade aposta em um qualquer cartão, debaixo de uma qualquer fantástica ou opressora bandeira.
Mas se tudo isto que se diz por aí, e há quem o diga tão melhor que eu, se concretizar apenas em palavras belas, essas levá-las-á o vento e em nada aproveitaram os milhões de Indivíduos plenos detentores de todas as garantias de qualidade, dignidade e outros “ades”, estes aqui em Hades terreno, terrível e verdadeiro.
Acredito na boa vontade como intrinsecamente humana. Acredito no cavalheirismo e acredito que vejo a Humanidade a caminhar, a resolver os seus problemas, acredito em não cruzar os braços perante a imensidade das questões que ainda restam.
É crescidinha a Declaração Universal dos Direitos Humanos!
____________________________
Amanhã vou ter uma bela manhã… deliciar-me-ei com a majestade tranquila de uma bela, energética e maravilhosa menina nas suas incursões desportivas.
Para Ti, minha Linda, e à revelia da Tua Mãe:
Muita merda.
(o corrector ortográfico não gosta da palavra… assinala-a a vermelho e aconselha-me a alterar para medra, meda… - não sr. corrector… é mesmo aquela palavra que quero escrever…)
São mesmo estranhos os artistas, responde-me ele. E somos mesmo!
Monday, 22 September 2008
Friday, 22 August 2008
Pedro Pedreiro
Daqueles que me dão (quase) todos os dias enquanto cumpro uma rotina deliciosa...
A Rádio foi sempre uma companhia para mim. Por influência paterna, ou não, tive, desde que me lembro, grande prazer em ouvir aquela caixinha; comecei a ter rádios, vozes e programas que seguia. Em casa da Vó as crianças (eu, leia-se) só viam 1 hora de televisão. O aparelho era ligado por volta da uma da tarde para, por volta das cinco (acho eu) estar quente e ver o espaço infantil do Vasco Granja.
O resto do dia, quando não estava a tomar conta (a.k.a. brincar desmedidamente) dos animais, ouvia rádio.
“Quando o telefone toca” e “Os parodiantes de Lisboa” são marcos incontornáveis.
E lembro-me de procurar com o pai, em AM claro, estações estrangeiras para receber notícias frescas de “lá de fora”.
Não posso esquecer a minha emoção quando segui, o fecho da emissão da Rádio Cidade e da TSF, rádios muito diferentes mas, porque “piratas”, me davam uma sensação de perigo, de clandestinidade…
Em paralelo, ou consequência, não sei bem, a música tinha igual importância. Adormecer, acordar, estudar, limpar, ler… tudo acções que requeriam a presença do rádio ou da música (em cassetes e vinil, claro!).
Este preâmbulo longo para explicar a presença de um rádio/leitor em cada salita da minha humilde casa. Crias a receber esta influência, já não prescindem do rádio para adormecer, ou da escolha (sempre polémica) de um cd.
E para explicar que de manhã ouço a Rádio Comercial ou a TSF. À tarde deambulava pela M80, BestRock, TSF, Rádio Comercial ou um cdzito (isto quando tinha o meu rádio xpto. Agora fico-me pelo cdzito que a pesquisa neste é manual)…
Regresso ao início.
Ontem, impulsionada por uma música brasileira gravada no cd-salada-russa-diz-o-F-nem-acredito-que-tens-essas-músicas-todas-gravadas-no-mesmo-cd-que-vergonha, fui buscar um cd de Chico Buarque.
E ouvi esta música outra vez.
E chorei outra vez.
Não porque me sentisse triste, mas esta música faz, por falta de melhor expressão, chorar as pedras da calçada.
Expressa, de modo brilhante e simples, genial e translúcido, a inesperança. (acabo de criar esta palavra. Não é desespero, é NÃO ter esperança. Não me agradeçam… apenas serviço público deste lado. Agora a sério…) Aqui vos deixo a letra…
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando, tudo passa
E a gente vai ficando pra trás
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento
Desde o ano passado para o mês que vem
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal
Todo mês
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando a festa
Esperando a sorte
A mulher de Pedro
Está esperando um filho
Pra esperar também
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro norte
Pedro não sabe, mas talvez no fundo
Espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior que o mar
Mas pra que sonhar
Sei lá, no desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Que a esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem
Que já vem
Que já vem...
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PS
Parabéns Nelson Évora!!!!!!!!
Tuesday, 5 August 2008
5 de Agosto de 2008
Não irás, com toda a certeza, ler esta dedicatória.
Apesar disso, aqui te deixo, publica e descaradamente, um postal dedicado só a ti.
Impressiono-me com a tua maturidade.
Impressiono-me com a tua capacidade de resistência.
Ambas fruto, claro, da brilhante educação e da fortaleza de carácter que presencias desde o primeiro dia, mas também, e acima de tudo, fruto desse teu carácter que tens. Incorporas a sensibilidade feminina, tenacidade juvenil e inocência infantil como poucas que conheço.
Aceitas de bom grado tanto um abraço terno como a responsabilidade.
Eis-te aqui, forte, crescida.
Desta velha bailarina acabada recebe os meus desejos de um fantástico dia de anos, que a vida te preserve, que o céu te seja leve.
Muitos parabéns!
Tuesday, 29 July 2008
1920-2008
Cheira a alfazema, o meu lençol alinhado
Pus almofadas com fitas de cor,
Colcha de chita com barras de flor
E à cabeceira, tenho um santo alumiado
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres
Manda recado ao luar, que se costuma deitar
Ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres
Ponho o meu xaile, pra te servir de coberta
E um solitário ao pé da janela aberta
Pus duas rosas que estão a atinar
Beijos vermelhos, sem boca para os dar
Sem o teu corpo, minha noite está deserta
Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim
Ser agarrada, por teus braços atrevidos
Quero o teu cheiro sadio, neste meu quarto vazio,
De madrugada, beijo os teus lábios adormecidos
Manda recado ao luar, que se costuma deitar,
Ao nosso lado, pra não vir hoje, se tu vieres
_______________________________________
Fernanda Batista morreu
O fado cansou-se de tanta dor que sofreu
Morreu, elevou-se, subiu ao céu
as nuvens é vê-las
sobre o céu azul estrelado
juntinho às estrelas a ouvir cantar o fado
Foi madrinha de muita gente.
Foi minha madrinha de palco também.
Nunca lhe ouvi uma única palavra amarga ou queixume. Recebeu aquelas 4 jovens miúdas como se netas fôssemos e ela própria (que nuna nós teríamos coragem para tal) se ofereceu para nossa madrinha de palco.
Deliciou-nos com tantas, tantas histórias, cantou só para nós.
Nós, irreverentes, ousámos pregar-lhe partidas. Riu-se deliciada com uma gargalhada limpa, sonora, inesquecível, agradecendo-nos a irreverência, porque já ninguém tinha coragem de brincar com a SôDona Fernanda Batista.
Vivemos intensamente como grupo naqueles meses. Só quem por lá passa sabe o que e como se vive aquele cheiro a tábuas.
Uma nossa colega perdeu a mãe. Uma outra sofreu com a morte assassina do tio. Outro divorciou-se. Um outro conheceu a namorada… em tudo procurávamos a mão amiga desta Senhora.
Vivemos sem dinheiro, sem público. Vivemos em festa, casa cheia, encores, gargalhadas, buchas. O cenário que se parte, a actriz que cai, o músico que tosse.
(...)
E apenas uma vez lhe ouvi dizer sobre alguém “não presta”. Sem alarido, apenas a nós as quatro. E tinha tanta, tanta razão.
Descanse em paz, Senhora Dona Fernanda Batista. Obrigada por tudo.
Tuesday, 22 July 2008
Diário de... tanta coisa! (parece que estive fora trezentos anos!!)
Pelo princípio claro... ou não, pelo regresso ao batente, pelos acontecimentos que me foram... acontecendo (ups!) ou pela crónica cronológica (ai!!)
Onde fiquei?
Ah, claro. No Euro 2008

Fiquei a dizer qualquer coisa sobre concordar com a estratégiado Mister Scolari sobre descansar e qualquer baboseira assim

Não digo que não concorde agora ou que me tenha arrependido do que disse...
O jogo contra a Alemanha começou dentro da última aula de Direito Constitucional. A professora a dissertar sobre como o futebol entorpecia as pessoas, que eram muito mais importantes os problemas reais e tal e tal. E eu até concordo, mas não lhe dá o direito de falar mal ou insinuar que quem gostasse de futebol não podia ser inteligente!!! Certo?
Adiante!
A aula correu bem, o jogo não. Faltava eu (risos) eu a torcer, gritar.
Portugal foi enganado.
Enganado por um guarda-redes que não estava nos seus dias.
Enganado por uma equipa inteligente, jogando bem os seus trunfos, no bluff, no medo, na ausência de coração.
Conhecem-me o amor (acho que posso usar esta palavra aqui sem chocar em demasia quem me ler. Tenho os meus amores muito bem ordenadinhos e catalogados. Fosse eu esquimó e o amor a neve e teria duzentas expressões diferentes para ele. Mas não sou... e ainda bem -risos) dizia, conhecem-me o amor pelo futebol. Digam de Vossa justiça, amigos, mas que outro desporto suportará tamanha variedade de táticas para o alcance de um mesmo fim?
Portugal foi enganado por si próprio. Porque provavelmente não aguentou as bocas do falhanço do último jogo, porque não aguentou o "famoso cinismo" alemão.
Segui, como sempre, o resto do campeonato com calma e afastamento. Achei que a Alemanha ía ganhar. Surpreendi-me com a Rússia e comecei a gostar da Espanha. Futebol bonito, eficaz, de onze! Latinos... e como me diverti nesse dia! A reacção dos alemães, como que não sabendo o que fazer.
-O que se faz quando se perde?
- Não sei, pá! Parece que há qualquer coisa que sai dos olhos, pá! e que ficamos com o nariz a pingar...
- A sério, pá? Que nojo! Mas sempre era melhor, se calhar. Como é que isso se chama?
- Chorar, pá! Acho que é isso...
(não sei se os alemães dizem "pá"! Provavelmente não. Mas assim fica mais giro!!)
Balanço final?
A equipa vencedora foi:
a selecção brasileira!!!!!
Não acreditam? Deixei aqui em cima algumas das fotos deles. (tenho a certeza de que haviam mais jogadores com esta nacionalidade... mas não consegui encontrar...)
Não tenho nada contra isso. Poderei "postar" mais tarde sobre isso. Mas eram de facto muitos...
(risos)
Humpf!
Numa esqueci-me de responder a duas perguntas, noutra esqueci-me de assinar a folha de presenças, noutra não levei o CPA, noutra... não... noutra esqueceram-se de contabilizar um dos testes de Avaliação contínua. Querem mais?
Resolveu-se tudo, felizmente.
Voltei atrás e supliquei ao Professor que me deixasse assinar. Fiz requerimento à secretaria e a nota correcta apareceu, pedi um código à colega do lado, mas aquelas duas perguntas esquecidas ficaram-me aqui atravessadas. parva, parva, parva...
Até agora, altura em que me falta receber apenas uma nota, não tenho orais. Com esta coisa de bolonha dispensa-se com 10... mas, felizmente, mesmo com o sistema antigo dispensaria à maior parte delas.
Não são notas brilhantes... mas o primeiro ano já passou. Faltam 2! ai!
Depois segui para férias por terras da Lusitânia!
Tenda da Quechua armada em 3 segundos, carro despejado em 3 horas!!
1.ª paragem:
Arganil
Silêncio, tranquilidade, o Parque praticamente nosso. Pessoas simpáticas, restaurante fechado (mas podem ir para lá comer com os meninos! muito obrigada, minha senhora!)
Verde, verde, muito verde.
Resto do dia para relaxar. Um banhinho tomado, roupa quentinha
E muita conversa, sentados os quatro com o rádio a tocar qualquer coisa muito baixinho.
De vez em quando dava notícias do trânsito e eu ría-me por dentro. Tão longe ficou aquilo tudo.
Levámos livros para ler mas o sono chega cedo para todos. (menos eu que fico para ali a pensar em construir cimenteiras e auto-estradas! a sentir logo falta do barulho dos carros e do barulho, mas consegui abstrair-me disso. )
Uns bons exercícios dos meus (que os anos de dança tiveram que servir para alguma coisa) e um café sozinha.... sozinha... vou escrever outra vez para reforçar... sozinha
Sentada na bela cadeira vi o sol nascer atrás daquelas montanhas e fiz amizade com uma melro. (nunca a suficiente para que me deixasse tirar uma fotografia)
por isso vão ter que acreditar em mim quando vos digo que me acompanhava de manhã roubando altivamente as migalhas da minha bolacha como se ambas não soubéssemos que a outra lá estava
Rotinas muito diferentes, estas das férias.
De mapa em punho seguimos rumo à Mata da Margaraça.
Parece estrangeira dizem alguns que olham para estes frondosos verdes...
Portugal, meus queridos.
Já na mata, apaixonados pelos caminhos que parecem perdidos ouvimos o som de água muito lá ao longe.
As Crias não sabem onde vamos.
À descoberta, digo eu... mas o que é isto? pergunto falsamente olhando para o mapa. Parece água
- É a Farsa da Pena - diz a CV que leu atentamente o catraplázio lá mais atrás.
- Fraga - corrige o F.
Mas sabendo nós que íamos a uma cascata, fiquei eu rendida, de boca aberta. Isto ainda existe, diz a NV da Cidade em mim.
Não acredito que as fotografias captem o meu espanto, a minha rendição a estes lugares que saltam assim, brutos, rudes, magníficos.
Só os 4 e a Fraga
O F. vê um carreiro que segue Fraga acima.
E outras pequenas cascatas se nos deparam por entre verde e mato e não pises a formiga, mãe! (riso)
Mergulhar nestas águas frias despertou a veia artística que há em mim... mas, claro, não suficiente para criar alguma coisa de facto artística, apenas para considerar estes jogos de luz das folhas presas numa pedra absolutamente magníficas. (rindo outra vez)
Já passa muito da hora de almoço e seguimos em direcção ao Piodão.
Passámos por aldeias lindas mas avançamos porque queremos mesmo esta bela aldeia... nas outras cumprimentamos quem nos atravessa o caminho sem demora.
Parámos lá em cima para a ver, antever a beleza. Um outro carro estava também lá parado. Um casal sai do carro e sorri-nos. Matrícula estrangeira, parecem reformados, algo receosos.
Desbocada digo para o F. à laia de deixar eles ouvirem - Vamos F. que esta estrada até parece acabar... mas não acaba!
O casal sorri e segue-nos fielmente até o
Piodão bela, estranha.
Parece construída de propósito, diz a CN.
Mas também muito turística. Senhor simpático onde comprámos lembranças, outro senhor que nos convida para experimentarmos o seu restaurante. Tudo caseiro, anuncia.
E tinha razão. A começar pelas moscas. Nome: Piodão XXI, não tem o que enganar. Não vale a pena. A comida não é má mas o serviço é péssimo. Péssimo, digo-vos! Não espero, nem quero que me sirvam com nove horas mas a simpatia é importantíssima. E isso faltou. Faltou, digo eu? Não existiu, melhor assim.
Com tão pouca clientela aguardámos mais de uma hora pelo almoço e quase adormecíamos...
Resultado? Crias rabugentas e cansadas sem vontade nenhuma de descer ruas belas e primárias (no que de mais belo terá esse adjectivo)
-Mãe, por favor, podemos voltar noutro dia?
- Quero ir para casa!... ou para o Parque
Acedi. Queria mesmo ir e fotografar aquelas casinhas tão belas, descobrir, quem sabe recantos, mas tudo tem um limite. E um almoço "rápido" e "caseiro" deitou abaixo qualquer vontade.
Regressámos e o banho foi já tomado entre olhos semicerrados porque ainda parámos para as compras (diárias, certo, que não frigorífico nem nada dessas modernices)
2.ª Paragem (ainda que breve)
Coja
Gente simpática, rio bonito, lindo, com tanta natureza, tanta fauna insectívora (blarghhh)
Avançamos que o caminho é longo e queremos chegar ao Gerês antes das 18.
(uma voz sussurrou only in your dreams mas não ligámos...)
Devemos mesmo ser os quatro (bem, nós os dois, sim de certeza, e as Crias por arrasto... ou arresto... ainda não sei) loucos. Mas que loucura bela aquelas auto-estradas pela serra, e as estradas e estradinhas que sobem e descem e viram e reviram.
- Que avisa este sinal?
- Curva e contracurva.
- e não há nenhum que indique contra curva e curva?
Passamos serras e mais serras que o F. vai dando o respectivo nome mas que não repito. (Desculpa F., já não me lembro delas. só da beleza)
- vejo agora que deveria consultar o dicionário para procurar outros adjectivos porque "bela" e "linda" e seus derivados foram já utilizados talvez em demasia. Mas isto é um diário por isso perdão por não ser fluente... e nisto, sem avisar... numa mera curva da estrada. ELA apareceu!
A Serra do Gerês imponente, magestosa.
Já lá fomos várias vezes. Mas entrar por esta auto-estrada apanha-nos desprevenidos. Ela aparece mesmo assim como Vos digo... de repente e depois de uma curva... e mesmo sendo eu umas tosca verde a Geografia disse antes do F. é o Gerês, não é?
Uma pequena correria (garanto-vos que dentro dos limites, que isto com crianças lá atrás não se brinca com as velocidades...) mas, como dizia, não paramos, não abrandamos porque o tempo urge e o parque não admite depois das 18.
A simpática assistente do parque sossega-nos.
- São já 19.45, eu sei...
- Calma, calma. Pode entrar.
Tenda montada em 3 segundos (já disse que era da Quechua, não disse?) e ainda temos tempo para uma foto rápida do início oficial do rio Gerês
Com banho tomado e comida comprada no caminho assim ficamos os quatro com tranquilidade... ou talvez não...
mas oquéquéisto???????????
Por volta já das 10 horas entra ainda uma família enorme, mais de 20 elementos que com todo o barulho possível procuram e montam tendas... riem, gritam, correm. Fazem camas (mas... senhores... não se fazem camas aqui, boa? sacos-cama, boa? pijamas? e que tal t-shirt deslavada? e que tal CALARAM-SE??
O F. procura desesperado a minha cara. Uma das famílias decide abancar mesmo ao nososo lado. Ao NOSSO lado. O homem da família procura um martelo para a complicada montagem da tenda e admiro-me como consegue ele fazer aquilo se não tem laterna e ali não há candeeiros de rua. Descubro como quando o F., com um pequeno acto de malvadez/traquinice desliga a nossa pequena lanterna de L.E.D. ecológica e económica (gasta pouco e não atrai mosquitaime...) o homem bate no dedo e diz o chorrilho de elogios próprios de nortenhos. Vejo, sem ver, os olhos flamejantes deles na nossa direcção mesmo antes do F. ligar a lanterna de novo. É evidente que o homem continua como se nada fosse. A gota de água acontece quando um dos muitos miúdos de pijama já bvestido sai da tenda e diz que quer fazer xixi.
- Faz ali - responde a mãe apontando para a nossa árvore
A NOSSA árvore. Percebem, claro, que quando digo nossa árvore refiro-me a uma Senhora Árvore ao pé da qual tínhamos a nossa Quechua montada. O F. segurou-me o braço enquanto o homem ordenou que fosse à casa de banho.
- Isto é demais. Amanhã partimos! - digo um bocado alto demais. Estava furiosa... - este barulho é insuportável.
De manhã, ainda não eram 7.30 já estavam aqueles maganos todos de pé e com grande barulheira. Levantei-me num repente. Juro-vos que ía abordá-los mas não foi preciso. O barulho era apenas a desmontagem das camas, dos colchões, avançados, tendas, malas refeitas.
- Mas que...
Foram-se embora. Eles e quase todos os outros do parque. E recuperei o MEU querido parque silencioso. Tive nessa noite a companhia dos lobos na sua cantilena no topo da serra e adormeci mais uma vez a sonhar com a cimenteira e discotecas e auto-estradas.
Mas antes!
Seguimos por serra Brufe e outras aldeias. Parámos obrigatoriamente no Museu de Vilarinho das Furnas e emocionámo-nos com
Janelas do carro abertas e tanto céu.
Fomos ter a Espanha depois de almoçarmos maravilhosamente bem num café de estrada. Repito maravilhosamente bem!
Passamos pela bela localidade de Entre ambos os rios e o seu rio magnífico.
Deixámos o Gerês para entrarmos no Xurez.
Voltas e mais voltas e refrescamo-nos no Rio Caldo.
Aproveitamento fantástico de um rio que atravessa a vila de Lobios com relva, árvores e água limpa acamlado por vias de mini barragem.
Regressamos a Portugal pela Portela do Homem e fazemos o nosso pequeno "ritual" de falarmos espanholês até ao momento mágico de avistar a placa "Portugal".
No nosso penúltimo dia, depois de uma agradável caminhada vemos a bela Cascata do Leonte com fotografias dos corajosos 4 debaixo da mesma.
Descobrimos um girino, nadamos, rimos e servimos de
guia a outros intrépidos que do alto da ponte nos perguntam como chegar ali. Quase ninguém se
aventura... e ainda bem.
... e a natureza aqui tão perto!
- Não, CN, apenas 7 dias...
Wednesday, 30 January 2008
Friday, 23 November 2007
Thursday, 15 November 2007
A arte contra-ataca
Olá.
Parafraseando o que disse Jean Cocteau sobre a poesia: "Sei que a arte é indispensável,mas não sei a quê...
O povo cantava Verdi.
Monday, 12 November 2007
Arte - II

As três questões mais ou menos aceites do que é uma obra de arte tornam-se extremamente ineficazes quando aplicadas às artes performativas, ie, Teatro, Dança e Música.








