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Wednesday, 1 July 2009

Tuesday, 24 March 2009

A primavera chegou




Já fez um ano que a nossa Lady M. nos preteriu pelos campos fantásticos do “céu dos animais”.

Não é triste o postal porque ela está connosco e porque é recordada com todo o amor que lhe dedicámos (e de quem tivemos troco em sobra) em todos os anos em que nos fez feliz.

Já fez um ano que o Lord Faramir entrou nas nossas vidas.

- Somos cinco outra vez – dizia uma das minhas Crias quando chegou esta pequena pulga de energia.

- Não, mano – retorquiu a outra – somos seis.

Este pequeno Lord conquistou-nos no primeiro dia e ainda nos surpreende. Leva-nos às lágrimas não poucas vezes com as suas travessuras. (por exemplo - nesta foto que aqui ponho mostro uma das suas diversões: colocar-se dentro do saco para levar à lavandaria, entre os cabides...)

Já descobriu as características de todos e de como cada um gosta de ser agraciado com a sua lordeza…

Na ausência do F. Lord Faramir ocupou com toda a sua majestade o seu espaço na almofada vazia, e, no próprio dia do regresso, regressou tranquilamente ao seu. Reparem: ainda não estávamos nós deitados e já ele se tinha simplesmente esparramado (é feia a palavra mas foi mesmo o que ele fez) no seu cantinho lá ao fundo…

Decido que não vou ver o filme “Marley e eu”… pelas mesmas razões que não li o livro.

Tenho os meus próprios marleys e estou muito contente com eles.

Notícias frescas: o Crespim
(não, não é com “i”… o nosso cágado chama-se mesmo Crespim… com “e”) acordou da sua bela soneca invernal e pede comida (nota: apenas a mim… só a mim! e é cágado)



Se outra prova faltasse… o Crespim anunciou: a Primavera chegou.

Um bom dia a todos!

Tuesday, 29 July 2008

1920-2008

Anda deitar-te, fiz a cama de lavado
Cheira a alfazema, o meu lençol alinhado
Pus almofadas com fitas de cor,
Colcha de chita com barras de flor
E à cabeceira, tenho um santo alumiado

Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres
Manda recado ao luar, que se costuma deitar
Ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres

Ponho o meu xaile, pra te servir de coberta
E um solitário ao pé da janela aberta
Pus duas rosas que estão a atinar
Beijos vermelhos, sem boca para os dar
Sem o teu corpo, minha noite está deserta

Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim
Ser agarrada, por teus braços atrevidos
Quero o teu cheiro sadio, neste meu quarto vazio,
De madrugada, beijo os teus lábios adormecidos
Manda recado ao luar, que se costuma deitar,
Ao nosso lado, pra não vir hoje, se tu vieres

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Fernanda Batista morreu

O fado cansou-se de tanta dor que sofreu
Morreu, elevou-se, subiu ao céu
as nuvens é vê-las
sobre o céu azul estrelado
juntinho às estrelas a ouvir cantar o fado


Foi madrinha de muita gente.
Foi minha madrinha de palco também.

Nunca lhe ouvi uma única palavra amarga ou queixume. Recebeu aquelas 4 jovens miúdas como se netas fôssemos e ela própria (que nuna nós teríamos coragem para tal) se ofereceu para nossa madrinha de palco.

Deliciou-nos com tantas, tantas histórias, cantou só para nós.

Nós, irreverentes, ousámos pregar-lhe partidas. Riu-se deliciada com uma gargalhada limpa, sonora, inesquecível, agradecendo-nos a irreverência, porque já ninguém tinha coragem de brincar com a SôDona Fernanda Batista.

Vivemos intensamente como grupo naqueles meses. Só quem por lá passa sabe o que e como se vive aquele cheiro a tábuas.

Uma nossa colega perdeu a mãe. Uma outra sofreu com a morte assassina do tio. Outro divorciou-se. Um outro conheceu a namorada… em tudo procurávamos a mão amiga desta Senhora.

Vivemos sem dinheiro, sem público. Vivemos em festa, casa cheia, encores, gargalhadas, buchas. O cenário que se parte, a actriz que cai, o músico que tosse.

(...)

E apenas uma vez lhe ouvi dizer sobre alguém “não presta”. Sem alarido, apenas a nós as quatro. E tinha tanta, tanta razão.
Descanse em paz, Senhora Dona Fernanda Batista. Obrigada por tudo.

Saturday, 26 January 2008

RIP 1996 - 2008

Tentamos prepará-los para tudo.

Damos abraços,beijos, carinhos e também castigos, reprimendas e correcções.

Falamos, por vezes gritamos, ficamos exasperados, cansados, mas continuamos.

Queremos ser o porto seguro, a torre de aviso, o farol.

E depois?

Como os preparamos para isto?

Hoje a minha Cria Mais Velha enterrou uma amiga.

Nem me vou debruçar do que será perder um filho.

Mas como explicar a um filho que não voltará a ver aquela amiga?

A dor não passa, mãe. As lágrimas, desta vez, não lavam a alma.

As lágrimas picam, mãe. - disse a CN

Ainda assim, porque percebem que a vida "é isto também", lá foram como adultos pequenos, engolindo umas lágrimas, soltando outras, lutando por manter a dignidade de uma dor indigna.

As flores são bonitas, mãe. Mas ela era mais.

Descança em paz, minha linda.

Friday, 23 November 2007

a bien tôt, mon ami!

1 janvier 1927 - 22 novembre 2007