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Monday, 4 January 2010



… e 2010 chegou.
(assim. só com ponto final. de propósito. não porque me sinta infeliz, apenas porque gosto da secura de um ponto final. e de escrever propositadamente – acreditem, não é preguiça – sem maiúsculas. perguntaram-me lá em casa – matriarca defensora fundamentalista da boa escrita que facilmente desespero por ver um erro… - porque erro eu aqui… onde “toda a gente vê” – riso – digo-lhes que, em primeiro lugar, o “toda a gente” é muito pouca gente, gente de grande importância, sem dúvida, mas não muita gente. em segundo lugar e quanto aos erros que me encontram penalizo-me por eles mas afirmo que esta escrita assim não é erro. mas também não é original. ouvi a entrevista de um escritor (perdoe-me, Senhor, porque não me lembro do seu nome; inculta eu) que afirmava que a escrita assim sem grandes pudores podia proporcionar muitas coisas. tentei. e, a meu ver, a escrita flui descomprometida como se se tratasse de uma conversa. conversa de amigos ou até de conhecidos apenas mas sem grandes formalidades. no entanto, se quiser dar ênfase a qualquer coisa - como o nome do escritor que criminalmente não me lembro - ponho-lhe uma maiúscula e “a coisa” fica importante…)

passando à frente do que foi, provavelmente, o maior parêntesis deste lado, fica o regresso às rotina.



e as memórias (oh, as memórias) das festividades.

tenho dois homens pequenos lá em casa, já Vos disse?
estamos num limbo, eu sei. Não são “crianças” que nos acompanham com lamúrias e conseguimos fazer planos a quatro (e, sim, também sei, devo aproveitar muito bem este limbo, não tardará a quererem fazer planos com os amigos)


e este ano que começou já?

mais um… mas mais um cheio de dias limpinhos em folha. limpos para errar, para acertar, para perder, para vencer… para Viver.

deixo-Vos os seguintes “brindes”:
os meus dois homens em visita à exposição de “animais venenosos”





e os meus dois belos gatos com o brinquedo novo lá no covil








Thursday, 19 November 2009

peço-vos um exercício mental

imaginem que vão ver um espectáculo, um qualquer que não desporto e muito menos futebol, ok?
uma ópera, uma peça de teatro, um bailado, uma performance “andsoión”.
imaginem que pagam o vosso bilhete, que se sentam no vosso lugar sossegadinho e imaginem que não têm ninguém de chapéu ou peruca grande à vossa frente. é difícil, eu sei, mas imaginem ainda que ninguém tosse naquele interlúdio em que as luzem baixam e as cortinas começam a abrir.

o espectáculo começa e vêem, com pasmo, que a “coisa” não está a correr bem. Os actores esquecem-se das deixas, os cantores desafinam, os bailarinos caiem.
Imaginem que de repente o mist… digo, director, vem a palco e informa-vos das “vicissitudes”.

que não tiveram tempo suficiente para ensaiar, que algumas figuras essenciais estão lesion… digo, magoadas ou doentes; que o palco é torto, que o electricista é manco… o mais certo é zangarem-se ligeiramente, não?
mas então, imaginem que NÃO são como eu, que são pacientes e aceitam a oferta do director, recebem outro bilhete para outro espectáculo, num outro dia.
até aqui apanharam?

o grande dia chega
(o adjectivo grande é irónico)

o espectáculo lá se desenrola na normalidade (bem acentuado o adjectivo normal).
nem assim-assim nem brilhantismo, nem nenhuma falha de maior.
passa-se um bom bocado mas fica assim a faltar qualquer coisa… um pedido de desculpa ia bem, dizemos nós. ou então um bocadinho mais de entusiasmo, um bocadinho mais de entrega.

queremos mais, queremos mais, queremos mais, diria, se se tratasse de outra coisa.
mas, digo eu que sou do contra, poderemos exigir mais? afinal eles fizeram o possível, tentaram e cumpriram com o que estava no bilhete. não estaria impresso, com toda a certeza, que iríamos assistir ao fantástico espectáculo de qualquer-coisa. no bilhete não.
mas aquele sensação de amargo na boca, de uma entrega compensatória, de “sangue”, essa fica e permanece.
(...)
para quem ainda não percebeu parece que ontem Portugal ganhou à Bósnia e que, assim, continuou a caminhada gloriosa para o Mundial
(o adjectivo gloriosa também é ironia… da pura e dura)

assim sendo fiquemo-nos por estas glórias que conseguimos (este pronome pessoal parece irónico, não parece? e parece muito bem, sim senhor!) porque o director do espectáculo, digo, o mister, é muito do bom… pelos menos a julgar pelas palavras que ilustres senhores fulanos disseram sobre esta vitória ter “calado as bocas dos detractores do xenhorprofesso”.

tudo bem visto, é evidente que eu – ferverosa amante de futebol – vou seguir e torcer por Portugal. Até porque a Selecção, por aquilo que valer para quem gosta de futebol é maior e melhor que o somatório dos vários fulanos que por lá passarem.
o arrepio na espinha quando “A Portuguesa” tocar vai existir.
só espero que não volte a acontecer um jogo destes enquanto decido quem matou quem, como e porquê (ah, pois é… teste de penal com “goooolo” ao fundo. simpático, não acham?)
-------------------------------------
and now, for something completely different

BABALERT

ele haverá coisa melhor que ver a nossa CV tocar uma linda e melodiosa peça, sentado num fantástico jardim, de olhos fechados para sentir a música?



melhor não












mas ver a nossa CN equipado com o novíssimo equipamento do clube, mostrar-me as costas com o número da camisola e nome impressos enquanto faz toques fantásticos na bola é perfeitamente equivalente…




















pelo menos para mim, mãe babada de um estudioso da bola e um estudioso da música

sou boa parideira, disseram-me na maternidade (é evidente que não foi quem me disse isso que passou lá vinte e três horasde perna aberta , mas enfim).
mas sou melhor torcedora, fã, entusiasta

os vizinhos que se cuidem porque eu quero ouvir os meus filhos tocarem na guitarra e na bola todos os dias




Wednesday, 11 November 2009

Happy birthday, Mr.F.

o Macho Mor lá de casa faz anos hoje.
que dizer dele?
fico com as palavras turvas e os sentimentos engasgados. quer pelo amiguismo quer pelo amor falar imparcialmente dele é difícil, muito difícil.

amigo do seu amigo
calmo
apaixonado
pai fantástico
(...)

não chegam, F, para te descrever.
mas fica com a minha humilde homenagem ao rapaz que conheci, ao adulto com quem casei, ao homem que amo...

Parabéns, my love

Monday, 19 October 2009

Good mornin' good mornin'


Um dia ainda escrevo sobre a minha Cria Mais Nova e o seu enorme talento para dançar e cantar...
Hoje não é o dia!
Mas foi delicioso rever (a seu pedido) este filme. Péssimo no enredo, "estucha" na história, contém alguns dos melhores momentos que se criaram em cinema musical.
Brilhante, my cub!
uma boa semana para todos




Wednesday, 15 April 2009

História de Amor

Foi o meu puppy love. Grande e imensurável, como é os daquela idade.

Uma pequena história de Romeu e Julieta (sem mortes no final mas ainda assim triste) dos tempos pseudo modernos.

Ele era inatingível por razões que não compreendia e não aceitava. Livres e responsáveis – como dois pré-adolescentes podem ser – achei sempre que podíamos, juntos, vencer tudo. Contra tudo e contra todos. Para o que desse e viesse.

Eu era pequena e (ou mas) determinada, cheia da segurança que o amor nos dá, da certeza de ser correspondida, da experiência da década e tal que tinha vivido.

A história parece tão banal e recorrente que se a contar na terceira pessoa parece apenas uma qualquer dos romances de bolso. A unicidade vem de ter acontecido comigo.

Quando teve que partir pediu-me para esperar, que tinha que pensar ele. Não aceitei. 4 meses era muito tempo para esperar na incerteza. Aqui e agora… decide. Espero contigo se quiseres, não por ti.
Com muitas desculpas, muitos “não me podes pedir isso” tentou justificar a indecisão. Os problemas são tantos.

À filme – riso – dei-lhe um prazo. As nossas famílias iriam juntar-se no dia seguinte. Se usasse a pulseira que lhe tinha feito saberia que me queria.

Anos depois encontrámo-nos. Por alturas do meu casamento. Ficámos amigos muito depois da dor passar, claro.

Também à filme – rio outra vez – disse-me que tinha usado a pulseira todos os dias seguintes à sua partida.
Não no dia que importava, disse-lhe eu.

A letra da música que aqui coloco foi minha companheira.

Mais retalhos da vida de uma verde, pois claro, a propósito das perguntas que lá em casa vão surgindo… porque lá começa-se a viver puppy love e as memórias carinhosas destas descobertas longínquas regressaram em tom de “história de velha”.

Um bom dia para todos.

Monday, 9 March 2009

Manda recado ao luar

No dia 2 de Fevereiro deste ano de Deus as coisas deram para o torto. Um nariz que pinga e uns espirros leves degeneraram num turbilhão de noites solitárias e de questões que ninguém deveria colocar, muito menos, perdoem-me a personalização, a uma mãe jovem de trinta e cinco anos «com a vida toda pela frente».

As lágrimas? retive-as o mais que pude. Pela saúde das Crias, pela saúde dele… pela minha saúde.

às nove da manhã de um dia que me pareceu escuro e negro uma enfermeira disse-me que deveria ter esperança porque «ele era um homem novo»
O que se faz a seguir a isto?
Vive-se, é o que é. Vive-se segundo a segundo. Passos um à frente do outro, a vida dividida em pequenas fracções de segundo sem pensamentos filosóficos ou transcendentais.

Dizia uma professora que muito estimo que devemos sempre enfrentar a vida como uma guerra: seguir para a vitória que a derrota é nossa!

E assim fizemos, fiz, durante trinta e três dias… 33. Engraçado o número.

Parece que foi ontem, disse-me ele quando se sentou no “seu” sofá, e se embrulhou na manta «a cheirar às Crias».
Ontem, meu amor? Sim, talvez, mas numa outra dimensão, num outro mundo, não o que era no dia um de Fevereiro.

A simpática D. Amélia que nos conhece há tantos anos, que nos viu conhecer, namorar, casar, nascer os filhos; a simpática D. Amélia a quem nós vimos casar os filhos, nascer os netos, enterrar o marido, celebrou o regresso com um bem-vindo profundo, um abraço apertado, entre dois cafés bem tirados – como só ela sabe. E depois, não o deixando ver, aperta-me a mão. Olho-a e vejo-lhe uma lágrima teimosa nos olhos sofridos. Falamos sem voz e sei o que me transmite. De mãe, para mãe, de mulher para mulher. «vamos, menina, tem que engordar um bocadinho agora, está bem?» entregando-me o troco.

Diz-me ele comovido, que chorei baixinho durante a noite. A sério, pergunto? Não me lembro de nada. E é verdade.

Suspira de alívio a minha querida cházinha, e suspiras bem. O teu sorriso ajudou-me, mate! More than you can imagine, I recon.

E tu, Sílvia, exemplo de força e coragem... obrigada!
Por último…

Deixo-Vos um fado. Ah, um fado. Este em particular. Meu e só meu. Vivido, sentido (não cantado por mim, descansem) … como só os fados sabem.


Agora preparem-se. Estou de volta mais fútil e engraçada que nunca…

… ou não…



Boa semana para todos

Thursday, 19 February 2009

A beautiful picture a day... 017



O Teu Olhar

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Tuesday, 23 December 2008

Dia de Natal - finalmente


Away in a manger, no crib for his bed,

the little Lord Jesus laid down his sweet head.

The stars in the bright sky looked down where he lay,

the little Lord Jesus asleep on the hay.

Dear Mary, his Mother, sang sweet lullabies,

as Jesus, awaking, gazed into her eyes.

The most holy Virgin, with loving caress

embraced the world’s Saviour with Love’s tenderness.

Good Joseph stood guarding the Mother and Child,

his soul filled with awe and his heart undefiled.

The birth of young Jesus made angels to sing,

but Joseph in silence kept watch o’er his King.

What once was a stable may our hearts become;

may God’s holy fam’ly in us find a home.

With Mary and Joseph and angels above

we worship the Infant, the gift of God’s Love.

Friday, 24 October 2008

Deste-me coragem

Whoa-oa-oa! I feel good,
I knew that I would, now
I feel good,
I knew that I would, now
So good, so good, I got you

Whoa! I feel nice,
like sugar and spice
I feel nice,
like sugar and spice
So nice, so nice, I got you

(banda sonora da nossa manhã de hoje)

O resto da letra é cantado em portulês ou intuguês... ou "não-quero-saber-vou-só-divertir-me-a-vomitar-palavras-da-música"

Enquanto andamos pelo pequeno caminho entre o carro e o colégio, corridas, escondidas e um "ainda bem que vens de saltos, mãe! Assim não me apanhas!" talvez um pouco alto demais para a hora da manhã. As faces ficam rosadas da corrida e o abraço da praxe com beijo obrigatório antes de entrar. (e depois de mais um beijo à grande D. B. - a "terceira" mãe)

Há quase uma semana a CN teve uma grande vitória pessoal. Resultado (ou não, sei lá eu) do que lhe foi acontecendo tinha um "pequeno" grande embaraço fisiológico que íamos trabalhando como podíamos...
Há quase uma semana que esse embaraço desapareceu.

Enquanto o ajudava a calçar (a próxima meta a alcançar) e lhe ajeito a camisa dentro das calças, ali com a carita dele tão perto pergunto-lhe quem é o campeão.
- Sou eu. mãe.
- quem conseguiu vencer?
- Fui eu, mãe.
(...)
- ...e obrigada, mãe.
-pelo quê, CN? Eu não fiz nada. Foste tu que conseguiste!
- Não, mãe. Tu deste-me coragem.

(...)
A música (não sei pô-la aqui...) do James Brown foi, e é, ouvida ainda de uma velha cassete pirata da mãe. A letra foi explicada e depois aprendida pelo visionamento até à exaustão do filme do "Astérix" e já tem direito a coreografia familiar. A felicidade é nossa mesmo!!!


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Completamente a despropósito...

Porque raio aumentamos nós o volume quando nos queremos fazer perceber em português a um estrangeiro????????
(eu sei, eu sei. é só comigo que acontece. grgrgrrrrr. acabei de o fazer!!!!)

Um bom fim-de-semana king size!! Mais uma horita!!!!

Thursday, 25 September 2008

15 anos


Os minutos passam devagar devagarinho no mostrador. Acordo, ou melhor, levanto-me por volta das 5.00 porque já não aguento os alfinetes que percorrem o meu corpo.

É a velha história da Gata Borralheira. Com variantes...

A madrasta não o era, em termos de parentesco. O princípe não o é, em termos monetários.

A 23 casámo-nos pelo Registo Civil, no Sábado seguinte casámo-nos perante Deus.

Seria uma cerimónia pequena, sem vestido, sem fatos, sem boda, sem festa. Apenas os pais, os noivos, o Pastor e os padrinhos.

Seria...

Fomos informando a comunidade pequena e simples de que nos iriamos casar a 25 de Setembro, explicando a cada um a situação: eram MUITO bem-vindos à Igreja, não haveria nada mais.

A comunidade onde eramos activamente voluntários era composta de muitos idosos, casais e viúvas a quem visitávamos, dávamos consolo e, principalmente, companhia.


Havia histórias difíceis, toxicodependência, filhos presos, casamentos destroçados, desemprego, jovens à procura de identidade numa terra tão perto de Lisboa mas, ainda assim, tão marcada (ainda) pela ruralidade.

A avó B. decidiu oferecer as flores para enfeitar a Igreja e compor o meu ramo.
A D. L. ofereceu o vestido antigo. Mudou-o, alterou-o para o tornar "apenas meu".


O avô C. ofereceu uma casita que tinha para lá de Mafra, caiada e enfeitada pelos avôs D., S. e T. com folhas de palmeira, ramos de alfazema e grandes folhas de que não conheço o nome.

Aqui e ali choveram, sem dar conta, ou pelo contrário, nós a darmos conta (!), ofertas disto e daquilo para que pudessem os "seus meninos" ter um casamento digno.

A filha da D. V, recuperada de um passado triste, ofereceu o serviço da loja onde trabalhava: fotografia!

O Senhor G., homem duro e um pouco irascível com a frágil mulher, dando abraços fortes de alegria e reconhecimento pela "pachorra em aturar as birras de um homem velho" oferece o fato (novo, novinho) ao F., além de contribuir para a comezaina com dois grandes e deliciosos leitões.

A avó A. oferece-me, por entre sorrisos cúmplices e um beijo tão terno, uma liga feita à mão, por ela, com uma libra de chocolate... "para ele comer... primeiro"!

Um pequeno almoço familiar trasnforma-se numa boda repleta.
Entrei na Igreja vendo para mais de 70 mães e outros tantos pais comovidos pelo casamento dos "seus meninos".


Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Outra diferença com a Gata Borralheira.

Não teve esta história um fim feliz.

Tem uma continuação feliz, dia a dia, ano a ano.


Há quinze anos!

Obrigada avós, avôs, Senhoras e Senhores que me fizeram tão feliz.
A ti, F., Amo-te e obrigada por ainda me aguentares!

Monday, 18 August 2008

16 de Agosto de 1989

Desde meados de Junho que não vivia. Sobrevivia ou andava de dia em dia, de hora em hora. (Não) gerindo a dor como podia, fechada pela dor e, principalmente, para não mostrar a dor. A raiva que sentia levava-me (loucamente) a considerar que a dor era SÓ minha, não a partilhando com mais ninguém. Resisti como pude e debalde a não assumir o papel de mãe da mãe, papel que não merecia, não queira, não podia…

Tinha 15 anos e obriguei-me a viver e viver.

Tinha 15 anos e o Verão aproximou-se normal, provavelmente lindo.

Trabalho de Verão como sempre, mas este ano mais a sério, porque era a adulta da casa. Olhando para trás parece quase parece ofensivo aquilo que fiz, mas compreensível… sei lá. Digo isto porque forcei-me a uma vida que sabia que ele quereria para mim., companheiros que éramos, confidentes que sempre fomos. Namoradeira como ele gostava, mas vivendo em falsidade, porque nunca me dei nem superficialmente aos “namorados” que fui tendo. Utilizei-os como uma droga, magoando inevitavelmente algumas alminhas pelo caminho.

Este preâmbulo para dizer que a 12 de Agosto de 1989 conheci um rapaz simpático, charmoso e brincalhão. Apresentou-se como Luís. Trocámos umas palavritas de ocasião mas vi-lhe nos olhos que ficou encantado por mim. Achei-lhe piada. Namorava com um amigo dele, razão porque não lhe dei grande bola.

O outro, o amigo, era parvo. Digo-o com toda a sinceridade que o anonimato me permite. Ele não sabe quem eu sou, eu não sei dele agora. Acredito até que seja um homem decente, trabalhador, respeitável… mas na altura era parvo! “armado em bom” era a expressão que usávamos e já estava um pouco farta duns ciúmes que me tentava provocar e da raiva que sentia quando não lhe correspondia.

Eu explico:
Banheiro, giro, musculado. Miúdas à volta e olhares significativos na minha direcção.
- Se quiseres é só acabarmos, respondia-lhe eu. Não te devo nada e tu não me deves nada. Namoras porque queres.
- Mas eu gosto de ti, dizia atrapalhado. Não tens ciúmes?
- Tenho ciúmes de quem gosto. Eu curto contigo, não gosto de ti. Queres acabar?

Um dos dias em que o Luís apareceu convidou-me para ir ao banho. Enquanto atravessávamos o areal, eu, a D., minha grande amiga da altura, o Luís e o Bola vi alguma coisa esquisita no comportamento dele. Sabia (porque sabemos sempre!) que ele gostava de mim e que estava interessado em mim. Sentia nos seus beijos de “olá” pouca inocência nas intenções mas ali estávamos quatro pessoas… reforço pessoas a divertirem-se na água. Talvez não consiga explicar bem este sentimento mas o F. (já sabem que é ele, não?) era – e é – assim. Eu era uma pessoa para ele, sem machismo, sem “coisas do Y”.

Queria namorar com ele. Mas namorava com o Banheiro. Dei a entender a um amigo comum que queria acabar com ele para que ele se antecipasse. É verdade, meus caros. Deixei que o Banheiro terminasse comigo, pela honra do “Y”.

A 16 de Agosto de 1998 cumprimentei o F. (agora já sabia o nome verdadeiro) com um beijo pouco inocente e disse-lhe, sem mais, que queria namorar. Namoro de Verão, combinámos nós. Com o regresso das aulas, do trabalho e alguma distância geográfica não restaria grande tempo nem pachorra para continuar.

Termos acordados, Verão louco. Frase favorita
“Será eterno enquanto durar” – retirada de uma música brasileira qualquer que ouvimos algures.

Quando Setembro chegou falámos em “deixar andar as coisas” até o Verão acabar na nossa pele.
Os dias tornaram-se meses
Os meses tornaram-se anos
E um dia decidimos que bastava de namoro
(…)
e casámos (mas deixo essa história para 25 de Setembro)
O F. cantava uma música que expressava brilhantemente aquilo que fomos sentindo crescer.

When I fall in love,
It will be forever
Or I'll never fall in love

In a restless world like this is,
Love is ended before it's begun
And too many moonlight kisses
Seem to cool in the warmth of the sun

When I give my heart,
It will be completely
Or I'll never give my heart

And the moment I can feel that
You feel that way, too,
Is when I fall in love with you.

Thursday, 31 July 2008

Hoje...

Hoje faz anos.
Cinquenta e sete anos.

Acordo-a com um telefonema em coro, eu e as Crias cantando os parabéns.
Riu e agradeceu.

Parabéns!

Não teve uma vida fácil. Não teve nada do que pretendeu e não tem, ainda hoje, a vida que quer.

História de Romeu e Julieta com fim diferido. Perdeu o seu Romeu.

Lutou, frágil que é, com as armas que conheceu.

Compreendo-a hoje um pouco melhor, mulher apaixonada que sou, compreendo-a muito menos, mãe que sou também.

O amor pelo mesmo homem separou-nos.
O amor que desapareceu sem honra e sem exéquias.

Hoje faz anos, cinquenta e sete anos.

Não os vai festejar comigo. Compreendo como mulher… não como filha, menos como mãe.

É inevitável para mim fazer balanços e o nosso mal consegue escapar ao défice.
Pergunto-me porque não me lembro do seu aconchego, de palavras ternas, de força transmitida. Porque não me lembro eu da confiança, do ombro amigo. Porque me lembro da dureza, da solidão, do desamparo.

Hoje faz cinquenta e sete anos.
Hoje faz anos a minha mãe.

Parabéns.

Monday, 2 June 2008

O amor... imperável ou não? - Fim

Aqui ficam as respostas amabilíssimas dos outros lados a esta conversinha das Crias:

CN - Mãe, diz-me lá. O amor é imparável ou não?
CV - Eu acho que NÃO É imparável.
CN - Eu acho que é!

___________

Once In a While
Imparável minha Amiga? Que te dizer? O Rossi foi imparável em Le Mans há poucos dias atrás ;) dizem que o Cristiano Ronaldo, o puto-maravilha, também o é!
A mudança climática que se prevê se continuarmos assim cantando e rindo também é assim adjectivada e a subida dos preços dos combustíveis então .. nem se fala :)
O Amor Imparável. Boa Questão essa. Oxalá as tuas crias não aprendam à sua própria custa que não o é. (...)

mike
(...) O amor é impagável?... desculpe, imparável? Claro que o amor é imparável, Nocas Verde. A CN está coberta de razão, mesmo que a CV não queira admitir. (...)
O amor é mesmo imparável. Porque quando pára deixa de ser amor. Passa a ser amizade, raiva, indiferença, sei lá, outras coisas que não amor. Mas enquanto é amor, ah ninguém o pára mesmo.

O Réprobo
(...) Quanto à magna questio, é assim: não há sinais de sentido proibido que o parem, mas pode ser bloqueado por alguma empresa malévola que ande a controlar os... estacionamentos.

Van Dog
Não é imparável.

ana v. said...
Good point, o do Mike. Eu ia dizer que o amor é imparável, sim, o estafeta que o leva é que se cansa às vezes e passa o testemunho a outro...

_____________________________________________________

NV - Então, CN, porque é que dizes que o Amor é imparável?
CN - Porque quando amamos nada nos pára. Mas não é gostar gostar... é amar. Mesmo. Como eu amo a L. Ela ainda está triste porque o M. acabou com ela. Então eu não lhe digo que gosto dela. Sabes o que fiz, sabes? (isto dito sem respirar...) Disse-lhe: Oh L., queres que eu seja teu guarda-costa, queres? Eu protejo-te do M. Eu sou teu amigo. E a L. ficou mais contente.
CN - Mas... não lhe dizes que gostas dela?
NV - Não, mãe! Claro que não! Ela ainda não está pronta... e é por isso que eu digo que o Amor... mas o amor mesmo, não é gostar, estás ver? (sem respirar - ufa!) é imparável. Tenta tudo para estar ao pé... só para estar ao pé. (pensa um bocadinho) até porque sou ainda muito novo para namorar... não achas? (e com um esgar) e depois elas pedem beijinhos e tal... blraaaargh!
(depois de nos recompormos, eu e o F., de tentarmos não rir perante conversa tãããão séria)
F- E tu, CV, porque dizes que o amor não é imparável?
CV - Oh, porque sim. Eu gostava da A. e ainda namorava com ela, mas fui lá à escola e ela já namorava com outro!
(silêncio - ai, ai, ai)
F. - Sabes, às vezes as mulheres....
(atirei-lhe com um vaso e parti-lhe a cabeça!!! - mas só no pensamento. Os olhos bastaram para o calar. Sim, porque respeitinho à Rainha da colmeia é muito bonito e eu gosto!!!!... adiante)
CN - Mano? A A. não era a tua namorada da pré?
CV - Sim! Já viste aos anos que namorávamos? E ela acaba comigo assim!
NV - Mas filho... há quanto tempo não a vias?
CV - (pensa) para aí... 2 anos.
(!!!)
NV - Filho! O namoro não é só dizer! (fico sem palavras)
CN - pois, pois! Como eu faço. Estou TOOOOOOOdos os dias com ela. E mesmo quando mudar de escola vou lá vê-la... É como o pai e mãe. Dão beijinhos todos os dias, namoram, vão passear juntos... brincam... é isso! (pensa) mas sem os beijinhos.
CV - Estar todos os dias com uma pessoa? É muito cansativo!
CN - quando se ama não se pára.
F. - Se se pára é porque deixou de ser amor...

Monday, 26 May 2008

O amor... imparável ou não?

(antes de mais... ainda bem que no blog escreve-se e não se fala. É que hoje falava com metade da boca. Fui ao dentista arrancar um dente de..... tcharam!!!! LEITE! detalhes depois...)

Conversa entre Crias

CN - Mãe, diz-me lá. O amor é imparável ou não?
CV - Eu acho que NÃO É imparável.
CN - Eu acho que é!

será que podem dizer de Vossa justiça?

Prometo no fim dizer porque a CN e a CV têm estas opiniões. Digam agora os Excelentíssimos... pode ser?

Tuesday, 18 December 2007

Thursday, 11 October 2007

O líquido amaciador... ou como o Avatar te pode salvar a vida

Assim de chofre
Sem qualquer preparação
Sem aviso

- Mãe, o que é o amor?
e como se não bastasse o amaciador ficar de repente, por artes do embaraço, espalhado em (e principalmente) tudo quanto é recanto - porque aquele "#$&#" amaciador tem juízo próprio e esconde-se nos sítios "mas-como-é-que-o-líquido-veio-aqui-parar" mais estúpidos

- Como é que aconteceu contigo e o pai?

Mas como, por-amor-de-Deus, vou eu explicar isto?
Por esta altura aqueles (muito) poucos que me lerem estarão a pensar que esta fulana não tem mesmo jeito para isto... então não é simples contar?
Não... não é...

Não se quiser manter a nossa (eu e F) aparência mais ou menos credível de miúdos bem comportados que até trabalhavam e estudavam e que casaram com os namorado de há 4 anos, que já têm muitos anos de casamento e tal e tal e tal

Como é que eu explico que esses miúdos começaram tudo mal (ou não, ou não...) com uma grande solipampa de atracção desmedida, que acabámos rapidamente com os nosso namorados porque não conseguíamos conter-nos quando estávamos perto, que a sólida e responsável união que temos hoje começou com um tórrido namoro de Verão (e que Verão meus senhores)... como se não houvesse amanhã...

Não quero, nem vou mentir
Não quero, nem vou fantasiar

Mas foi adiado (ALELUIA)

- Está a dar o AVATAR!!!!

E a cria inquiridora desistiu da pergunta e foi ver o maravilhoso, espectacular, fantástico (está bem, está bem... até nem gosto - glup) Avatar!

Chiça! Já nos safemos............ desta

Bom dia!

Friday, 21 September 2007

Bom fim de Semana

NESTE fim de semana vou ensinar a minha CV a "passar" aulas.

SE conseguir transmitir as noções de organização que eu aprendi (mas NUNCA consegui praticar) pode ser que o estudar se torne menos penoso. Bem... para a CV (até agora) estudar nunca foi penoso. Durante estes 4 anos vi-a muitas vezes a pegar nos livros "porque sim".

TAMBÉM vou passar para a CN o gosto pela escola...

Isto das crias! Já aqui tenho derramado alguns pensamentos sobre isto de ter crias... mas não cesso de me surpreender com as diferenças e com o amor que circula!!!

BEM... vai ser cansativo... mas também poderá ser interessante

Glup!!!

Bom Fim-de-Semana

Thursday, 13 September 2007

All time favorites

Wuthering heights

Out on the wiley, windy moors
We'd roll and fall in green.
You had a temper like my jealousy:
Too hot, too greedy.
How could you leave me,
When I needed to possess you?
I hated you. I loved you, too.

Bad dreams in the night.
They told me I was going to lose the fight,
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering Heights.

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Ooh, it gets dark! It gets lonely,
On the other side from you.
I pine a lot. I find the lot
Falls through without you.
I'm coming back, love.
Cruel Heathcliff, my one dream,
My only master.

Too long I roam in the night.
I'm coming back to his side, to put it right.
I'm coming home to wuthering, wuthering,
Wuthering Heights,

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
You know it's me--Cathy!

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!
Let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me--Cathy.
Come home. I'm so cold!

Monday, 3 September 2007

A propósito...

do post do Cão que morde que li hoje aqui lembrei-me de, pelo menos 3 histórias que se passaram comigo sobre estes nossos desalmados animais.

Tinha 5 anos e, de repente, deixei de falar. Não esmiuçarei as razões e/ou as causas mas a médica disse que a míuda queria era atenção.
- mimo a mais!
O pai, homem relativamente sábio puxou-me à parte e pergutou o que ela queria
- um cão
A mãe não deixou
E a miúda calou.

A psicóloga pediu para falar a sós com aquele diabrete mudo
- o que queres?
- um cão

Convencidos pelos pedidos desmesurados da miúda lá foram eles ter com um amigo da família criador de animais de caça

- Vem cá, pá! a cadela teve uma ninhada há pouco tempo e os cachorros são impecáveis.

A miúda, incapaz de se conter saltitou atrás deles para ver a mãe e os filhos.
Lindos, castanhos claros, enroscados na mãe
Pegou em todos, não se conseguia decidir
E, de repente... o clássico. Um ganido ténue, quase imperceptível.
- E aquele?
- Não é puro. É muito fraco. Não serve para nada. Está ali para morrer.
Palávras mágicas. A miúda largou todos os "belos" e correu para o moribundo. Até hoje retém os seus olhos fracos, sujos e tristes.
- É este!

O amigo-da-família-criador-de-cães-de-caça ainda tentou dissuadi-la. Mas o pai sabia.
- É este!

Passaram pelo veterinário, que lhe receitou calma pois estava fraco, desnutrido, etc, etc, etc

Foi uma demanda maravilhosa. A miúda egoísta e mimada, intempestiva, birrenta tornou-se na "mãe" do Josef.

Acordou de noite para lhe dar leitinho e limpou as "porcarias" porque a mãe tinha dito que à primeira sujidade o cão "ía para o olho da rua".

Quando o Josef ficou maiorzinho a míuda começou a dar-lhe (imaginem) a coxa do franguinho assado de sexta-feira.
-É mais tenrinha...

Crescida num bairro operário com um imenso pinhal perto, sem medos e onde todos conheciam todos, a míuda fazia todos os dias longos passeios com o Josef.

O tempo de primavera ajudava e os dois criaram uma cumplicidade que só existe de facto entre dois seres assim.

A miúda contava-lhe histórias e ele adormecia com o focinho em cima das pernas dela. Ela não se mexia para ele não acordar, mesmo depois das pernas ficarem dormentes de tanto tempo imóveis.

A miúda entrou na escola. O Josef, à semelhança do nosso herói, pedía à mãe quando chegava a hora do autocarro chegar.

A mãe abria o portão e lá ía ele esperá-la à paragem. Os vizinhos riam e as velhotas amorosas muitas vezes convidavam os dois para um bolinho caseiro.

A miúda sentava-se no quintal e o Josef aos pés dela. Imóvel.

Que longas horas e longas conversas e muitas azedas comidas, colares de malmequeres e papoilas, chás de bonecas, chapéus de palha, beijos e sestas no cimento fresquinho do quintal!!!

O Josef nunca foi um cão bonito. Tinha as pernas pequenas e até o degrau da entrada ele tinha por vezez difuldade em subir. Mas era o cão mais bonito do mundo para a miúda.

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ps - não vou contar como a miúda ficou sem o Josef e como aconteceu que o Josef se viu sem a miúda. são coisas de adulto que a miúda não conseguiu esquecer nem entender e que eu hoje também não consigo esquecer nem entender

A miúda sem o Josef ficou amargurada, febril e foi internada um fim-de-semana por princípio de desidratação. Os pais zangaram-se e ficaram sem se falar durante muito tempo
Mas seguiram em frente

O Josef morreu.

Monday, 16 July 2007

Não fui

Um dia chegaste ao pé de mim e afirmaste, com a segurança com que sempre usavas, com a certeza das palavras nem sempre bem medidas, com o coração, sempre e cada vez mais à frente da boca:
- Vou ser bailarina!
Olhei para ti como da primeira vez... temi perder-te tantas vezes. Adormeci-te nos meus braços em todas as noites com se fosse a última. Porque sabia que não iria estar contigo. Sabia, sabia, sabia.
E se tantas vezes me fez chorar por ti, contigo e por causa de ti, deu-me o prazer de apreciar cada sorriso (e foram tantos), cada abraço (e tão abraçadora que és), cada tudo.
Foste inteligente desde o primeiro dia.
- Não sei se poderá sobreviver.
Mas aqui estás.
E com estas três palavras destruiste o império que criei para ti.
E discutimos.
E não fui ver-te dançar.
E não fui sentir a tua alegria.

Sabes que te conheço como a mim mesma.
Disse-te aquilo porque sabia que podias aguentar. Porque não irias gostar, porque irias provocar, forçar, obrigar-me-ías a provar que era o que eu queria.
Não disse nada à mãe.
Não digo nada à mãe.
Estou aqui a discutir contigo, a gritar que não mandas em mim, que não sabes o que é melhor para mim, que do alto dos meus 12 anos sei melhor que tu.
E vejo o teu orgulho.
É isso que queres? Que as minhas decisões sejam tomadas à prova de bala? Que aceite as consequências. TODAS?