Saúdo-a com um abraço apertado, porque ela não gosta de abraços e a mim permite que o faça, de cara torcida e um humpf engasgado.
Cara fechada como sempre porque o alto dos seus quinze anos não lhe permitem sorrir.
- queres contar-me alguma coisa? Faz-me o favor de me beijar, menina, que a sua mãe não criou nenhuma mal-educada.
- Só tu, realmente! (…) pronto, já está! O que aconteceu? O que aconteceu, dizes tu? É por isso que te detesto, pá! E achas que precisa de acontecer alguma coisa a mim – bate com força no peito – para estar assim? Só o viver é mau! A crise! A escola! Em casa! O trânsito! Os transportes! – pausa teatral enfrentando-me o olhar – queres que continue? Queres?
- Pois, é verdade. Mas e não ias passar o fim de ano com o … teu novo namorado? Deve ter sido divertido, não?
- Foi, foi. Esta coisa apanhou-me de surpresa. Pensei que por esta altura já teríamos terminado, sabes? Ele na Nazaré, eu em Lisboa. Mas não! E somos tão diferentes! Acreditas que ele não quer ir para a faculdade? Não quer! Não é que não possa ou não tenha inteligência, simplesmente não-quer-ir! É impressionante! Quer acabar o décimo segundo para ir trabalhar. É impressionante!
- E os dois? Como estão?
- Somos tão diferentes! Eu quero viajar, aprender, viver, conhecer coisas novas, pessoas novas, experimentar… ele quer ser feliz. Feliz! É o que ele diz sempre. Feliz! Achas normal?
As palavras são expulsas com ferocidade, raiva, sangue novo. Aguardo eu, faço eu agora uma pausa teatral.
- E os dois – enfatizo – Como estão?
Fita-me de olhos muito abertos. Vejo-lhe a lágrima detestável aparecer.
- Achas possível amar?
- Sabes que sim.
- Pois, casal de pombinhos e tal! humpf! Achas possível eu amá-lo. É que eu não quero, sabes bem! Não quero mesmo.
O trânsito ajuda. Estamos sozinhas e paradas na ponte. Ficamos em silêncio.
- Tinha saudades tuas.
- Eu também.
- E a tua passagem de ano?
- Calma, claro. Em casa como F. e as Crias.
- Apanhei uma tosga descomunal. – olha-me recuperando a raiva – sabes que ele não bebe? Não bebe! Diz que não gosta do que a bebida faz. Diz que gosta da vida que tem e de sentir tudo o que vive! Achas normal? – silêncio – mas foi um querido… no dia seguinte tratou-me e tudo. Quando é que voltas às tuas passagens de ano, hã? Lembras-te? Até às tantas.
- Muito, muito depois de adormeceres cansada ao meu lado. - rimos - é bom estar apaixonada, não é? Confessa, vá!
- É. - os olhos brilham - é bom, sim.
(continua)
...mas näo me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o que lhe confiei até àquele dia.
Showing posts with label wouddabe. Show all posts
Showing posts with label wouddabe. Show all posts
Wednesday, 7 January 2009
Thursday, 10 January 2008
Ever felt
Have you ever…
… felt like hating someone?
But you know you shouldn't
You can't
You can't hate her
Not her
She gave birth to you
She raised you
She nurtured you
But she doesn't know you
You know it's a sin
You know…
But then?
How can you help it?
How can you keep the scream inside?
Why don't you understand me?
Why don't you hear me?
And she doesn't
You owe her obedience
You know you do
You owe her respect and reverence
You know you have to
Why was I brought like this?
… felt like hating someone?
But you know you shouldn't
You can't
You can't hate her
Not her
She gave birth to you
She raised you
She nurtured you
But she doesn't know you
You know it's a sin
You know…
But then?
How can you help it?
How can you keep the scream inside?
Why don't you understand me?
Why don't you hear me?
And she doesn't
You owe her obedience
You know you do
You owe her respect and reverence
You know you have to
Why was I brought like this?
Tuesday, 20 November 2007
Wouddabe I
IF
If you'd only know
How I've been feeling for so long
If you'd only know
You should know my heart
You should know by heart
You should see beyond my smile
'Cause we've been together not for awhile
You should see beyond my words
You should know
If you'd only know
The dream I've been having
Nor tears nor fears
Nor smiles nor miles
Apart
We've been together
And you should know
But this I pledge
I'll be here 'till the end
And unless you know my heart
Unless you know by heart
Unless you feel me with
Eyes shut
You'll never know
My deepest feelings
My deepest fears
My deepest desperation
If you'd only know
Thus I keep my smile
Knock myself out
Is it still worthwhile?
Thus I'll still dangle about
My smile is yours
If you'd only know
I'll fight the wars
I'll face the deathblow
I will be your rock
I have my own
I will be your hope
I have my own
I'm an island
You should know
I keep you apart
You should know
You should know my heart
You should know me by heart
If you'd only know
Now
----------------------------------------------
by Wouddabe
16.11.2007
If you'd only know
How I've been feeling for so long
If you'd only know
You should know my heart
You should know by heart
You should see beyond my smile
'Cause we've been together not for awhile
You should see beyond my words
You should know
If you'd only know
The dream I've been having
Nor tears nor fears
Nor smiles nor miles
Apart
We've been together
And you should know
But this I pledge
I'll be here 'till the end
And unless you know my heart
Unless you know by heart
Unless you feel me with
Eyes shut
You'll never know
My deepest feelings
My deepest fears
My deepest desperation
If you'd only know
Thus I keep my smile
Knock myself out
Is it still worthwhile?
Thus I'll still dangle about
My smile is yours
If you'd only know
I'll fight the wars
I'll face the deathblow
I will be your rock
I have my own
I will be your hope
I have my own
I'm an island
You should know
I keep you apart
You should know
You should know my heart
You should know me by heart
If you'd only know
Now
----------------------------------------------
by Wouddabe
16.11.2007
Tuesday, 28 August 2007
Wouddabe - prólogo
Conheci-a há pouco tempo...
Por razões de protecção de identidade chamo-a assim.
Tem 16 anos. É simpática. Olhos escuros muito vivos. A energia da juventude transpira em tudo o que faz, diz, pensa.Gostei dela. Ela nem tanto de mim.
Falamos todos os dias.
- ...e hoje como estamos?
- Mal, muito mal. O exame de inglês foi mais difícil do que estava à espera. A prof é uma parva de primeira.
- Mas o teu inglês é fantástico!
- Sim, mas como passei o ano a chagá-la, pôs-me um processo disciplinar e agora tive que ir fazer o exame... - (suspiro) - nunca mais aprendo!
- (riso) - Achas que vais ter má nota?
- Não! 16.... talvez 17 - pensa melhor - talvez 14 ou 15. O inglês da escola é estúpido!
(silêncio)
- Para o ano é que vai ser! Vou-me embora deste sítio atrasado.
- Sempre vais para Londres?
- Sim. Lá em casa as coisas estão péssimas... a mãe chora pelos cantos. à minha frente não porque o pai não deixa... Nem posso esperar!
- Vais ter saudades disto, garanto-te.
- Sou crescida o suficiente para tratar de mim. Não penses que me vou deixar ficar por aqui, casar, ter filhos, empregozinho, casinha, carrinho. (asco)
- Ser normal...
- E tu com isso! É horrível essa palavra. Uma vida normal, cheia de dias normais. Para mim é preferível não viver! E nem comeces com essa conversa de que a idade ensina-nos! É desculpa esfarrapada para quem acha que não tem mais nada pelo que viver essa treta de "outro ritmo", "outras alegrias", "outra sensibilidade"... puf!
- Deves pelo menos dar o benefício da dúvida! Pode, de facto, haver outras razões pelo que viver para além do fast life.
- Só há fast life, amiga! Aos 30... kaput. O que não conseguir aos 30, já não vou conseguir nunca! Sem ofensas, claro.
- Not taken. Até porque é mentira, "amiga". Há vida para além ... muito para além dos 30. E também muito para além das nossas ambições.
- Desculpa de mau pagador. Second hand.
- Garanto-te, Wouddabe, não é assim.
Subscribe to:
Posts (Atom)