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Friday, 15 January 2010

podem chamar-me utópica…
podem, podem. não me incomodo.
já está?
ok, então.
o Assunto não é, de facto, para rir, mas ao reler o que escrevi acho que sou mesmo utópica. ou naif. ou as duas.


como (muito) poucos a minha querida Cházinha (d)escreve o que aconteceu naquela pequena ilha. o chão a tremer. o mundo a ruir. quem já tinha tão pouco ficou sem nada. as notícias chegam, como outros tremores de terra. a falta de Tudo. Tudo.
E vamos ouvindo e vendo e sabendo e agradecendo intimamente pelo quentinho das casas, pelo prato à frente por poder reclamar da cria que não come tudo, por… levantamos as nossas preces para que algum conforto chegue. apetece fechar os olhos, mudar o canal mas não é essa a decisão lá em casa.

não trago nada de novo, eu sei, mas enquanto deixávamos arrefecer o prato porque víamos e comentávamos uma das minhas Crias fala
- mãe, o mundo inteiro está a ajudar, que bonito…
ficamos em silêncio. fiquei eu a pensar que – infelizmente? – vê-se nestas alturas a mobilização de todos. liga a Humanidade o botão da solidariedade, numa acção conjunta… Bonita
e depois (tenho a mania de ligar a estes pormenores, desculpem lá) uma história que até pode ser “fofoca”. daquelas coisas que até podem irritar. a história do jogador haitiano de um clube português. as imagens mostram-no sentado com uma lágrima que esconde como se fosse suor. baixa a cara porque sabe que está lá a televisão. um outro jogador põe-lhe displicentemente o braço por cima dos ombros. abana-o e diz-lhe qualquer coisa, arranca-lhe um sorriso e um suspiro. aquele abraço como se não fosse nada, aquele esforço por arrancar um sorriso, uma baboseira talvez. levou-me às lágrimas.
que bonito, digo eu também
uma oração que se levanta, um Coração que se une. a Humanidade que se revela.

que bonito

Thursday, 5 November 2009

então aqui vai...



surge da conversa comigo em plena ponte, surge do que possam pensar aqueles que procuram fotos da miss checa (enjoativo, não é?...)

este blog é o meu ponto de desabafo. é a minha catarse, é o meu refúgio.

desabafo porque gosto de escrever, gosto de ler, gosto de inventar, porque gosto de ir recebendo os (apesar de) poucos comentários.



catarse porque aqui, ainda que sem nunca identificar de quem falo (e não será nunca a minha intenção) vou falando do que acontece, das histórias que vão povoando a minha cabeça, porque o esforço ou exercício de aqui colocar, com sentido, obriga-me a racionalizar, encadear. o resultado final é um grito mudo… mas grito.



refúgio porque me sinto confortável por aqui… umas vezes lendo apenas os outros, outras comentando…



sabem que mais?
gosto da minha vida. gosto deste canto. gosto do que fui fazendo por aqui e do que farei.

gosto gosto.

por isso dou este prémio a mim mesma.



blog felino de gritos aquáticos




e peço – não nomeio – a quem se identifique com esta posição assustadora e felina, ainda que momentaneamente subaquática o coloque no seu canto, se quiser…



debaixo de água mas ainda feroz


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Claro que não podia ficar em branco...

hoje é dia nacional da esclerose múltipla

visitem, informem-se

a ti, minha querida reitero os parabéns que te dei e que te dou


recebe a minha tulipa!
(adenda do tipo "perdeste uma óptima oportunidade para continuares silenciosa como estavas porque em blog "fechado" não entra mosca nem"...)
o dia nacional da escleroso múltipla é 4 de Dezembro... e não Novembro
mas fica a tulipa para ti hoje, amanhã e todos os dias...

Thursday, 4 June 2009

isto hoje não aconteceria, pois não, mãe?

Há vinte anos atrás o mundo assistiu a (mais) um massacre.

As imagens que nos chegaram pareciam tiradas de um filme. Inimagináveis, impensáveis… inconcebíveis.

Na altura pensei “como seria possível?”. Hoje, vinte anos depois, estou menos inocente, menos incrédula. Nos olhos das minhas Crias vejo o que senti na altura e o meu silêncio em resposta ao “isto hoje não aconteceria, pois não, mãe?” foi incómodo, assumindo a forma de uma lágrima teimosa naqueles olhos inocentes tão meus.

Na altura olhei para aquele acontecimento como estudante. Senti-me orgulhosa de haver gente da minha idade capaz de tal actos heróicos, estudantes que se preocupam, agem, lutam.

Hoje olho para os acontecimentos abraçando os meus próprios filhos, pedindo interna e secretamente nunca me ver na posição orgulhosa de mãe de um estudante capaz de um acto tão heróico.

Vinte anos não apagam nada. Celebram-se os “redondos” apenas, como ouvi de uma dessas Mães, apenas para que o Mundo não esqueça. Porque para elas, sei, todos os dias são mais um dia sem os seus meninos.

Que o Mundo não esqueça, minhas Mães.

Tuesday, 2 June 2009

Ai do que me fui esquecer!



Juro que não me esqueci deste meu ladinho precioso. Esqueci-me de vários Aniversários

No dia 27 de Maio celebrou-se o dia internacional da esclerose múltipla
No dia 28 o Jardim Zoológico de Lisboa fez anos
Ontem foi dia da criança

E outros tantos assuntos…

Mas voltemos à esclerose múltipla.

Foi o primeiro ano que Portugal aderiu tendo até aqui celebrado apenas o dia nacional a 4 de Dezembro.

Como em muitos outros casos, a EM é praticamente desconhecida à excepção de quem, por qualquer razão, tem de privar com ela.

E assim foi comigo. Conheci-te por mero acaso. Conheci-te como se conhece os colegas que por artes do destino se encontram. sem razão. sem porquê.

E um dia lá estavas tu. Em plena demonstração de vida, coragem e coragem, falaste do que te era familiar. Por causa de um trabalho escolar. Não recorreste a facilitismos. Apenas foste tu. Falaste na primeira pessoa.
Ninguém sabia. Porquê?
Porque és assim. Grande, poderosa e descomplexada.
Acedeste com prazer às inúmeras perguntas que te faziam. E eram normais, não?

Aquela velha máxima do “ninguém diria” aplica-se a ti; foi pensada para ti.


torna-se este postal um elogio a ti, mais do que à EM?

Sim, claro. Porque o mereces. Porque falhei quando deixei passar o dia.

Ter esclerose múltipla é não saber o que se tem. É conquistar dia a dia o normal de cada dia. É viver para sempre com um nunca mais tornado possível. Pela força, pela casmurrice, pela obstinação.

Aqui fica a minha sincera mas singela homenagem a Ti, e a todos os que contigo partilham o teu caminho de vitória.

Deus te abençoe!