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Wednesday, 11 November 2009

Happy birthday, Mr.F.

o Macho Mor lá de casa faz anos hoje.
que dizer dele?
fico com as palavras turvas e os sentimentos engasgados. quer pelo amiguismo quer pelo amor falar imparcialmente dele é difícil, muito difícil.

amigo do seu amigo
calmo
apaixonado
pai fantástico
(...)

não chegam, F, para te descrever.
mas fica com a minha humilde homenagem ao rapaz que conheci, ao adulto com quem casei, ao homem que amo...

Parabéns, my love

Tuesday, 6 October 2009

História de uma terra de ninguém

O F., perdido em terras de ninguém, exilado num trabalho pesado, longo, duro e solitário, escreve para matar a saudade, para se sentir próximo da família, para minguar a falta que os telefonemas não conseguem.

Deu-me este texto que com a sua permissão publiquei naquele lado.

Ide ler.

Uma óptima semana para todos

Friday, 25 September 2009

Vinte e Cinco de Setembro de Mil Novecentos e Noventa e Três

O nascer do sol pareceu-me triste. Triste demais. Era eu, sei agora, que estava triste demais para um dia tão feliz.

Não me permiti chorar naquele momento. Não estaria ele comigo. Mas não faria drama, nem assumiria uma posição de menina mimada. Aceitei a mão do meu padrinho e aceitei ser ele e não o meu pai.

Realizei que há três noites que não dormia mas tinha energia para dar e vender. Duche demorado, ida à cabeleireira, vestir, preparar as últimas coisas, últimos pormenores. O telefone não parava de tocar. As flores que ainda não tinham chegado, as crises familiares com aquele parente que insiste que não quer estar ao pé daquele, o último, mais importante pensei eu, que me disse que não estavas em lado nenhum.
Tenha calma, respondi. Terás reconsiderado? Terás pensado que afinal a minha vida era demasiado complicada para partilhar? A coragem que sempre tive nos momentos de apuros disse-me que não. Tenha calma, repeti, não chore. Ele foi só à praia. À nossa praia, disse para mim.

Lembro-me de tudo e de todos os momentos daquele dia. Não tive a posição de princesa que se deixa embalar, nem faço ideia do que isso possa ser. As decisões e os fogos contínuos fui eu que os resolvi. Todos. Convidados, fornecedores, familiares, fotografias. E Rocha fui, claro. Porque como em todos aqueles anos, viram-me sempre como a forte.
Vi-te os olhos quando entrei na Igreja. Sorriste-me. Sorri-te.


Dezasseis anos.
Amo-te os filhos que me deste.
Amo-te o respeito que me tens.
Amo-te pelo homem que és.
E afinal que amor é este que nos une? Que coisa é esta que dura há tantos anos que dura e perdura que se fortalece e apura que envelhece com graça, honra e carinho? Que sentimento é este que ainda me faz corar quando me chamas?



Não sou romântica, nunca fui. Aliás, sei que fui, muitas vezes, cruelmente verdadeira, porque contigo, meu amor, contigo nunca usei máscaras. Nunca disse nada que não sentia; nunca afirmei nada que não fosse a total afirmação do que pensava.


Se condescendi, transigi, perdoei, olhei para o lado, relevei, não respondi? Claro. E tu também, muito.

Acordei no dia seguinte com um sol bonito. Vi-te. Pela primeira vez soube que as lágrimas que derramaria seriam acarinhadas. Sabia que estarias lá. E chorei. De alegria, de emoção, de paz.

O nosso sol era belo. A praia sorriu para nós, também. A vila pitoresca enfeitou-se só para nós. Os velhos sorriram, as crianças brincaram, a peixeira velha benzeu-nos; soube que nos amávamos e desejou-nos felicidade.

Dezasseis anos.




Digo-te os votos de há dezasseis anos com menos inocência mas acredita-mos.
Um bom dia, my love.
Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu
braço, porque o
amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme;
as suas brasas são
brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas
não podem apagar este
amor, nem os rios afogá-lo. Aonde quer que fores, irei
eu e, onde quer que
pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o
teu Deus é o meu Deus.
Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei
sepultada; faça-me o SENHOR o que
bem lhe aprouver, se outra coisa que não
seja a morte me separar de ti.
(o poema é de Simon and Gargunkel; os votos são adaptados de Cantares de Salomão 8:6 e Rute 1:16)

Monday, 13 April 2009

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
(…) Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara (…) porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
(…) E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de David, e de Samuel e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. (…) e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. (…) tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,
Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.
(…) Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados,
(…) Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.
(…) Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade;
(…) Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém

(Bíblia Sagrada, tradução e adaptação livre)

Há, para mim, poucas coisas mais racionais que a fé. É verdade, racional.
Será contra-senso, parvoeira, fundamentalismo? Não creio… mas pode até ser. A caminhada da ou para ou ainda com a fé faz-se caminhando, caminhando só… nós e o Nosso Deus. Melhor, porque o blog é meu, certo? Eu e o Meu Deus.
Já tenho afirmado por aqui algumas letras sobre isto… mas há pouco tempo passei (e aqueles que me seguem de perto) por uma prova. Notaram, claro, e já falei também alguma coisa sobre isso também.
Porquê agora?
Porque este texto foi florescendo ao longo desta odisseia e não tinha ainda o distanciamento necessário. Não tenho ainda agora, é provável – vejo-o pelas teclas que toco depressa demais, pelo atabalhoado das frases que escrevo… mas ainda assim.
Acreditar em Deus foi, a partir de um determinado momento da minha vida, um facto assente.
Lembro-me que um dia falei com alguém muito querido sobre o que passei e como cá cheguei (cá a terra da fé…) não por trovões, nem relâmpagos, nem vozes profundas, mas por uma luz ténue, um som calmo, uma voz suave que me incitou a confiar nEle.
A fé é, para mim, ténue, calma e suave.
Ténue porque balança, questiona, argumenta, grita, desespera mas prevalece
Calma porque não impõe, não exaspera, não grita mas fica
Suave porque sussurra, suspira e supera

Quando colocada perante situações extremas a fé pode reduzir-se – e reduz-se muitas vezes – a um sussurro, um grito mudo, um porquê respondido com sons incompreensíveis.
Quando colocada perante essa – mais recente – situação extrema o sussurro foi gritado sem voz, o porquê respondido em toque suave, solitário, dorido.
Se me fosse dado a escolher?
Preferiria ser uma cobarde, fútil, inconsciente e caprichosa que não sabe das agruras da vida. Preferiria nunca ter sido chamada de forte, grande mulher. Preferiria ter tido sempre um braço de carne e osso a quem recorrer, um peito forte e musculado ao qual me abraçar, umas costas largas para me refugiar.
Mas o que não é, não pode ser.
Raciocinei noites e noites. Pela força do raciocínio, do pensamento, da lógica levantei-me, guiei e dirigi-me a quem de mim precisava com o sorriso de sempre. Pela força do egoísmo – também – transformei o choro em sorriso e reclamei as palavras de forte e grande mulher para mim. Reclamei-as, sim. Não as pedi, reclamei-as porque eram, são, minhas. É isto fé? É. É isto acreditar? É. É isto ter o firme fundamento do que se espera?
É.

Monday, 9 March 2009

Manda recado ao luar

No dia 2 de Fevereiro deste ano de Deus as coisas deram para o torto. Um nariz que pinga e uns espirros leves degeneraram num turbilhão de noites solitárias e de questões que ninguém deveria colocar, muito menos, perdoem-me a personalização, a uma mãe jovem de trinta e cinco anos «com a vida toda pela frente».

As lágrimas? retive-as o mais que pude. Pela saúde das Crias, pela saúde dele… pela minha saúde.

às nove da manhã de um dia que me pareceu escuro e negro uma enfermeira disse-me que deveria ter esperança porque «ele era um homem novo»
O que se faz a seguir a isto?
Vive-se, é o que é. Vive-se segundo a segundo. Passos um à frente do outro, a vida dividida em pequenas fracções de segundo sem pensamentos filosóficos ou transcendentais.

Dizia uma professora que muito estimo que devemos sempre enfrentar a vida como uma guerra: seguir para a vitória que a derrota é nossa!

E assim fizemos, fiz, durante trinta e três dias… 33. Engraçado o número.

Parece que foi ontem, disse-me ele quando se sentou no “seu” sofá, e se embrulhou na manta «a cheirar às Crias».
Ontem, meu amor? Sim, talvez, mas numa outra dimensão, num outro mundo, não o que era no dia um de Fevereiro.

A simpática D. Amélia que nos conhece há tantos anos, que nos viu conhecer, namorar, casar, nascer os filhos; a simpática D. Amélia a quem nós vimos casar os filhos, nascer os netos, enterrar o marido, celebrou o regresso com um bem-vindo profundo, um abraço apertado, entre dois cafés bem tirados – como só ela sabe. E depois, não o deixando ver, aperta-me a mão. Olho-a e vejo-lhe uma lágrima teimosa nos olhos sofridos. Falamos sem voz e sei o que me transmite. De mãe, para mãe, de mulher para mulher. «vamos, menina, tem que engordar um bocadinho agora, está bem?» entregando-me o troco.

Diz-me ele comovido, que chorei baixinho durante a noite. A sério, pergunto? Não me lembro de nada. E é verdade.

Suspira de alívio a minha querida cházinha, e suspiras bem. O teu sorriso ajudou-me, mate! More than you can imagine, I recon.

E tu, Sílvia, exemplo de força e coragem... obrigada!
Por último…

Deixo-Vos um fado. Ah, um fado. Este em particular. Meu e só meu. Vivido, sentido (não cantado por mim, descansem) … como só os fados sabem.


Agora preparem-se. Estou de volta mais fútil e engraçada que nunca…

… ou não…



Boa semana para todos

Tuesday, 17 February 2009

I Only...

...want to be with you

I don't know what it is that makes me love you so
I only know I never want to let you go
Cause you've started something
Oh, can't you see?
That ever since we met
You've had a hold on me
It happens to be true
I only want to be with you

It doesn't matter where you go or what you do
I want to spend each moment of the day with you
Oh, look what has happened with just one kiss
I never knew that I could be in love like this
Its crazy but its true
I only want to be with you

You cast a spell on me
And left me in a trance
I fell into your open arms
And I didn't stand a chance
Now listen honey

I just want to be beside you everywhere
As long as were together, honey, I don't care
Cause you've started something
Oh, can't you see?
That ever since we met
You've had a hold on me
No matter what you do
I only want to be with you

You cast a spell on me
And left me in a trance
I fell into your open arms
And I didn't stand a chance
Now hear me tell you

I just want to be beside you everywhere
As long as were together, honey, I don't care
Cause you've started something

imagem tirada do flirk

Tuesday, 27 January 2009

Sabemos que somos amadas...


... quando nos fazem sentir sexys mesmo depois de vestirmos o pijama dele!
















eu sei! a foto não tem nada a ver. tentem fazer pesquisa por pijama no google... mesmo com moderate search... as coisas que aparecem! Escolho este porquinho da india. Segundo parece chama-se pijama! :)

Um bom dia para todos e uma boa semana

Wednesday, 21 January 2009

A Teoria do Caos (ou da frigideira)





Uma gota de água escolhe um caminho, aleatório, para fazer o seu percurso. Apesar do caminho iniciado pela pioneira estar já desbravado é contrariado por uma outra, depois por outra. Um outro caminho pioneiro é tentado por ainda outra gota pioneira e sem dar conta a superfície é toda abrangida pela água.

Life will find a way – dizia o professor, amante de estrangeirismos – a Teoria do Caos remete para o aleatoriamente aleatório. Tão aleatório que deixa de o ser. O traçado inicial tem um considerável índice de atrito logo seria de pensar que todas as outras seguissem esse traçado, agora com um atrito muito menor. Mas não. Apesar da escolha entre o impossivelmente difícil e o já desbravado há sempre uma gota que decide pelo menos fácil. Resiste, demora mas segue em frente.

E se formos para líquidos menos fluidos aumentem a dificuldade. O resultado é o mesmo. A superfície acaba, eventualmente, por ficar toda coberta do líquido.

O traçado de um rio exemplifica isso mesmo. Dizemos que o rio escolhe o caminho mais fácil, com a força da gravidade a exercer a predominância nas escolhas mas rios existem que sobem, esculpem montanhas, seguem para Norte, contrariando a regra, preferindo a paciência do “gota a gota” ao facilitismo do “já traçado”.

(tudo porque ontem o F. me pediu que pusesse um pouco de azeite a cobrir uma frigideira)

Wednesday, 26 November 2008

Valta-me uma tichair-te

- Então a fazer a mala! Precisas de ajuda?
- (humpf)
- Se arrumasses as tuas coisinhas como deve ser não estavas sempre tão perdido!
- (humpf) Vou deixar-te.
- Porque dizes isso?
- Porque me faz falta.
- Faz-te falta? Vais deixar-me porque te faz falta?
- Vou deixar-te porquê?
- Porquê pergunto eu. Faz-te falta estares sozinho, é o que é.
- Bem, se tu o dizes.
- Digo o quê?
- O quê o quê?
- Parece-me pouco, só isso.
- Mas faz-me mesmo falta.
- Pois, respeito isso. Mas continuo a dizer que me parece pouco deixares-me pela frase que disse.
- Mas tu é que disseste!
- Eu? Foste tu que disseste primeiro!
- Disse o quê?
- Que me ias deixar.
- Eu? Quando?
- Agora mesmo! Pronto, pá, desculpa. Não queria aborrecer-te com aquela coisa do tudo arrumadinho, mas também não era preciso tanto.
- Tanto o quê?
- Deixares-me.
- Mas eu não disse nada disso!
- Disseste, disseste! Eu disse "se tivesses tudo arrumadinho" e tu disseste "Vou deixar-te"!
- EU? Eu disse "Falta-me uma t-shirt"! Estou a fazer a mala porque amanhã é dia de natação!
- Ah! Então está bem (...) Eu ajudo-te a procurar...

(...)

Um boa dia para todos!

Tuesday, 11 November 2008

Dia de São Martinho

Tinhas 17 anos quando te conheci. Eras jovem, bonito e muito engraçado.

Cortejaste-me com graça e conquistaste-me com o teu amor descuidado, sincero e insistente.

A minha vida contigo tem mais anos do que os que passei sem ti e não só em termos de longevidade.

De ti ressalto a minha inveja por seres daqueles (poucos) sortudos que gosta do que faz e és o que sempre quiseste ser.

De ti ressalto também a masculinidade calma, sem provas requeridas. Soubeste e demonstraste sempre saber o que eras.

Crescemos juntos e em tantas, meu Deus, tantas ocasiões foste a única coisa que me separou da loucura. Ajudaste-me e deixaste-me ajudar-te.

Tens sido meu amigo e deixas-me ser tua amiga também.

Sabes que te amo?

Hoje fazes anos. Com o teu ar despreocupado lá seguiste para mais um dia normal mas ouço-te a voz contente quando as nossas Crias te cantam ao telefone.

Parabéns, Pai!

Parabéns, Amigo.

Parabéns, meu Amor.

Monday, 10 November 2008

Dia de Médico ... e outros acontecimentos

A CV teve consulta de vigilância.

Tudo bem, tudo correcto, talvez um bocadito aborrecido (riso) porque está tudo bem.

A CV é precoce, menino que vê o corpo disparar em homem antes de todos... mas parece ter a cabeça "limpa"... "é a vida" afirma com um sorriso perante a cara espantada da médica que o viu literalmente nascer e acha de repente (enquanto desvia a cabeça para escrever no computador) que um homem lhe entrou no gabinete. riem-se os dois, aliás, rimo-nos os três. É a última vez que entro com ele, vaticina com ar orgulhoso! A próxima vem o meu adolescente sozinho, está bem?

Na sala de espera, pacientes (nós) lemos os nossos livros - esses bichos raros que nos acompanham para todo o lado. Tão pacientes que nem ouvimos a funcionária chamar o nosso número. A que nos conhece (também) desde que esta CV era intra-uterina ri-se com um "sempre acompanhados". Até posso dizer que é triste ser tão estranho estarmos "sempre" (como disse) acompanhados... mas isso serão outras considerações.

Enquanto conduzo recebo uma chamada que (claro) não atendo - ah! é verdade! sou daquelas que não atende o telefone enquanto conduzo :) - e quando tento devolver a chamada percebo que é da escola da CV, mais concretamente da Directora de Turma que, porque não me encontra, decide ligar ao pai. Quando consigo falar com o F para perceber que quereria a Senhora, recebo uma voz ainda a rir da trapalhada que para ali surgiu.

Tudo porque, pelos vistos, ao contrário da grande maioria dos casais da nossa praça sempre insistimos (e é a palavra certa, insistir) para sermos os dois Encarregados de Educação. Para perceberem, dizem-nos sempre que isso só costuma acontecer com os pais separados, isto de insistir em dois encarregados de educação, e que isso costuma acontecer para os pais se vigiarem, blá, blá. Lá explicamos que é apenas uma razão logística. Temos horários díspares e assim podemos sempre tomar decisões sozinhos. Esta gerência por parte das DT de saber sempre o que falar e a quem falar sobre os alunos é absurda e muito complicada, admito. É evidente que recorrem ao "normal", ou seja, falam com a mãe.

Mas isto não é agradável ao F, que, como um D. Quixote, se vê perante a situação de provar a todo o tempo que é um pai presente, um encarregado de educação activo e que está a par de tudo o que diz respeito às nossas Crias. Não é incomum os pais irem às reuniões, de facto, mas remetem-se muitas vezes ao papel de assistentes ou "secretários" respondendo "depois pergunto à mãe" sobre qualquer decisões ou questões. O F. não é assim... e, imagino-lhe o enfado, cansa-se por ter sempre de o provar. "Pode falar comigo. Eu sei o que se passa."

Não é normal. Pode não ser a regra, mas é o que se passa lá em casa.

Uma boa semana para todos!

Tuesday, 21 October 2008

Demoras?...

Uma simples mensagem de telemóvel. Inócua, talvez preocupada, provavelmente apenas decorrente de não saber de cor o meu horário.

Recebi-a em plena aula de Direito Internacional Público e fiquei a pensar nela. Fiquei preocupada. Teria acontecido alguma coisa às Crias? Se calhar, “discorreu” a brilhante cabeça verde, o F. espera por mim, como é o meu aniversário e tal, para conversarmos um bocado.

Levei grande parte do trajecto de hoje a pensar se escreveria sobre isto ou não. Mesmo para mim, igual a mim mesma, talvez seja expor-me demasiado, contar assuntos de dentro de portas. Talvez. Mas, em honra dos participantes dela, e em desonra minha, aqui fica…

No intervalo respondo que ainda me falta uma aula, para não se preocupar, kiss, kiss, blá, blá, blá.
Devo recuar no tempo.
O problema de (querer) ser a Matriarca do covil é condescender em demasia. Eu sei, eu faço, eu coordeno provoca naquela que o expressa, ainda que sub-repticiamente, uma sensação de que o covil não funciona sem ela. De que tudo acontece porque ela diz e, mesmo assim, é seu dever desculpar quando as coisas não acontecem.

Avisei os meus machos de que queria uma festa a sério. De que queria prendas pessoais, de que não admitira esquecimentos. Avisei uma semana antes, uns dias antes, na véspera. Fiquei, veja agora, de certo modo “magoada” quando não vi qualquer preparativo de surpresa. Fiquei mas desvalorizei. Segunda de manhã todos agiram mais ou menos como é hábito, sem o meu desejado pequeno-almoço de parabéns nem festarolas. Deram-me os parabéns, claro, e muitos beijinhos mas nada de cartão… nadica de nada.
E, condescendente com a sua matilha, pensei que era o que se podia esperar de machos. Quem me conhece, saberá que não o digo por desprezo ou qualquer despeito. Sei-me amada e querida.

Sigo o meu dia normalmente e, porque as coisas a nível carteirístico não estão brilhantes decido fazer a vida normal. Trabalho, faculdade, casa… talvez o F. espere por mim para um cigarrinho à janela.
“Demoras?...”
Boa, boa. Ele espera. (a bem da verdade e apesar de o F. entrar às 6.30, espera por mim quase todos os dias). Mas o que podia eu esperar de um dia de trabalho normal, com as Crias e Progenitores a deverem acordar sempre tão cedo?
Não aquilo que aconteceu.
Entrei numa casa a cheirar a comida, luzes ainda acesas, Crias e Pai vestidos a rigor aguardando-me para uma… festa surpresa!

Fiquei sem palavras… e sem pinga de sangue!
À laia de uma (muito merecida) delicada reprimenda dizem-me que não achavam que fosse às aulas porque tinha dito especificamente que queria uma festa.
Desfazem-se em mimos, abraços, beijos e muito, muito dificilmente contenho as lágrimas de arrependimento e gratidão.
Fico sem palavras.
Estou sem palavras.

ps – talvez apenas estas: fazer as minhas Crias estudarem muito… porque para pintores é que eles não servem!!!! J

Um bom dia para todos!

Thursday, 25 September 2008

15 anos


Os minutos passam devagar devagarinho no mostrador. Acordo, ou melhor, levanto-me por volta das 5.00 porque já não aguento os alfinetes que percorrem o meu corpo.

É a velha história da Gata Borralheira. Com variantes...

A madrasta não o era, em termos de parentesco. O princípe não o é, em termos monetários.

A 23 casámo-nos pelo Registo Civil, no Sábado seguinte casámo-nos perante Deus.

Seria uma cerimónia pequena, sem vestido, sem fatos, sem boda, sem festa. Apenas os pais, os noivos, o Pastor e os padrinhos.

Seria...

Fomos informando a comunidade pequena e simples de que nos iriamos casar a 25 de Setembro, explicando a cada um a situação: eram MUITO bem-vindos à Igreja, não haveria nada mais.

A comunidade onde eramos activamente voluntários era composta de muitos idosos, casais e viúvas a quem visitávamos, dávamos consolo e, principalmente, companhia.


Havia histórias difíceis, toxicodependência, filhos presos, casamentos destroçados, desemprego, jovens à procura de identidade numa terra tão perto de Lisboa mas, ainda assim, tão marcada (ainda) pela ruralidade.

A avó B. decidiu oferecer as flores para enfeitar a Igreja e compor o meu ramo.
A D. L. ofereceu o vestido antigo. Mudou-o, alterou-o para o tornar "apenas meu".


O avô C. ofereceu uma casita que tinha para lá de Mafra, caiada e enfeitada pelos avôs D., S. e T. com folhas de palmeira, ramos de alfazema e grandes folhas de que não conheço o nome.

Aqui e ali choveram, sem dar conta, ou pelo contrário, nós a darmos conta (!), ofertas disto e daquilo para que pudessem os "seus meninos" ter um casamento digno.

A filha da D. V, recuperada de um passado triste, ofereceu o serviço da loja onde trabalhava: fotografia!

O Senhor G., homem duro e um pouco irascível com a frágil mulher, dando abraços fortes de alegria e reconhecimento pela "pachorra em aturar as birras de um homem velho" oferece o fato (novo, novinho) ao F., além de contribuir para a comezaina com dois grandes e deliciosos leitões.

A avó A. oferece-me, por entre sorrisos cúmplices e um beijo tão terno, uma liga feita à mão, por ela, com uma libra de chocolate... "para ele comer... primeiro"!

Um pequeno almoço familiar trasnforma-se numa boda repleta.
Entrei na Igreja vendo para mais de 70 mães e outros tantos pais comovidos pelo casamento dos "seus meninos".


Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Outra diferença com a Gata Borralheira.

Não teve esta história um fim feliz.

Tem uma continuação feliz, dia a dia, ano a ano.


Há quinze anos!

Obrigada avós, avôs, Senhoras e Senhores que me fizeram tão feliz.
A ti, F., Amo-te e obrigada por ainda me aguentares!

Monday, 18 August 2008

16 de Agosto de 1989

Desde meados de Junho que não vivia. Sobrevivia ou andava de dia em dia, de hora em hora. (Não) gerindo a dor como podia, fechada pela dor e, principalmente, para não mostrar a dor. A raiva que sentia levava-me (loucamente) a considerar que a dor era SÓ minha, não a partilhando com mais ninguém. Resisti como pude e debalde a não assumir o papel de mãe da mãe, papel que não merecia, não queira, não podia…

Tinha 15 anos e obriguei-me a viver e viver.

Tinha 15 anos e o Verão aproximou-se normal, provavelmente lindo.

Trabalho de Verão como sempre, mas este ano mais a sério, porque era a adulta da casa. Olhando para trás parece quase parece ofensivo aquilo que fiz, mas compreensível… sei lá. Digo isto porque forcei-me a uma vida que sabia que ele quereria para mim., companheiros que éramos, confidentes que sempre fomos. Namoradeira como ele gostava, mas vivendo em falsidade, porque nunca me dei nem superficialmente aos “namorados” que fui tendo. Utilizei-os como uma droga, magoando inevitavelmente algumas alminhas pelo caminho.

Este preâmbulo para dizer que a 12 de Agosto de 1989 conheci um rapaz simpático, charmoso e brincalhão. Apresentou-se como Luís. Trocámos umas palavritas de ocasião mas vi-lhe nos olhos que ficou encantado por mim. Achei-lhe piada. Namorava com um amigo dele, razão porque não lhe dei grande bola.

O outro, o amigo, era parvo. Digo-o com toda a sinceridade que o anonimato me permite. Ele não sabe quem eu sou, eu não sei dele agora. Acredito até que seja um homem decente, trabalhador, respeitável… mas na altura era parvo! “armado em bom” era a expressão que usávamos e já estava um pouco farta duns ciúmes que me tentava provocar e da raiva que sentia quando não lhe correspondia.

Eu explico:
Banheiro, giro, musculado. Miúdas à volta e olhares significativos na minha direcção.
- Se quiseres é só acabarmos, respondia-lhe eu. Não te devo nada e tu não me deves nada. Namoras porque queres.
- Mas eu gosto de ti, dizia atrapalhado. Não tens ciúmes?
- Tenho ciúmes de quem gosto. Eu curto contigo, não gosto de ti. Queres acabar?

Um dos dias em que o Luís apareceu convidou-me para ir ao banho. Enquanto atravessávamos o areal, eu, a D., minha grande amiga da altura, o Luís e o Bola vi alguma coisa esquisita no comportamento dele. Sabia (porque sabemos sempre!) que ele gostava de mim e que estava interessado em mim. Sentia nos seus beijos de “olá” pouca inocência nas intenções mas ali estávamos quatro pessoas… reforço pessoas a divertirem-se na água. Talvez não consiga explicar bem este sentimento mas o F. (já sabem que é ele, não?) era – e é – assim. Eu era uma pessoa para ele, sem machismo, sem “coisas do Y”.

Queria namorar com ele. Mas namorava com o Banheiro. Dei a entender a um amigo comum que queria acabar com ele para que ele se antecipasse. É verdade, meus caros. Deixei que o Banheiro terminasse comigo, pela honra do “Y”.

A 16 de Agosto de 1998 cumprimentei o F. (agora já sabia o nome verdadeiro) com um beijo pouco inocente e disse-lhe, sem mais, que queria namorar. Namoro de Verão, combinámos nós. Com o regresso das aulas, do trabalho e alguma distância geográfica não restaria grande tempo nem pachorra para continuar.

Termos acordados, Verão louco. Frase favorita
“Será eterno enquanto durar” – retirada de uma música brasileira qualquer que ouvimos algures.

Quando Setembro chegou falámos em “deixar andar as coisas” até o Verão acabar na nossa pele.
Os dias tornaram-se meses
Os meses tornaram-se anos
E um dia decidimos que bastava de namoro
(…)
e casámos (mas deixo essa história para 25 de Setembro)
O F. cantava uma música que expressava brilhantemente aquilo que fomos sentindo crescer.

When I fall in love,
It will be forever
Or I'll never fall in love

In a restless world like this is,
Love is ended before it's begun
And too many moonlight kisses
Seem to cool in the warmth of the sun

When I give my heart,
It will be completely
Or I'll never give my heart

And the moment I can feel that
You feel that way, too,
Is when I fall in love with you.

Thursday, 27 March 2008

Rodilha

- Mãe, posso partir a parede com a cabeça?

???????

Felizmente não tinha amaciador nas mãos (lol)

Normalmente sentar-me-ía numa cadeira ou no sofá... puxaria a Cria para perto de mim e, com a voz mais doce que alguma mãe ou Cria já ouviu perguntar-lhe-ía de onde lhe tinha saído aquela ideia, insistiria numa explicação, entrelaçando abraços e beijos, explicaria por "A mais B" porque é que "deste lado da vida" não é lá muito conveniente andar a partir cabeças ou paredes ou qualquer outra coisa assim por-cá-dá-aquela-palha;

....

Está bem... confesso

Não tenho a voz mais doce
Não uso, quando falo com as Crias, a expressão "deste lado da vida"
As Crias não gostam de palha
...mas...

adiante

Isto seria no meu estado normal... aquele que certos "cafés" não gostam
(estou a abusar nas aspas, não acham?)

mas não estou nem ando (se é que alguma vez lá estive ou andei ou fui... devaneio outra vez!...) no meu estado normal

Não filtrei a linguagem, não filtrei a idade das Crias

- O QUÊ? Ouve, Cria, deste-me muito trabalho a parir para agora andares a partir-te por aí!...

silêncio

- Mãe? Não te zangues... mas eu posso ter dado muito trabalho a parir... mas, mãe, dás muito trabalho a aturar.

........................................................

Se eu tivesse alguma dignidade (que ficou cá em baixo por ter exposto este lado sombrio) acabaria o post de hoje aqui

Mas continuo
Com remorsos instantâneos e antevendo milhares de Euros gastos por aquela Cria em psicanálise porque a mãe lhe disse uma coisa daquelas e tal
segui-a

- Mano, não posso desmanchar a parede do castelo de Lego com a cabeça... temos que a desmanchar peça a peça

(mais tarde sussurra ao pai) - Pai, o que é parir?

hihihihihi
o F. que ESSE sim estava, não com o amaciador na mão, mas com um anzol por "empatar" (é mesmo esse o termo técnico) deixou cair a linha e quase que enfiava o dito por empatar na unha...

Fechei-me na casa de banho a rir enquanto o F. me chamava furiosamente

ps
Perguntam-se porque é que se chama rodilha???? Eu também... mas é uma palavras que gosto bastante
Desculpem lá este chorrilho mas vou ali rir

Wednesday, 29 August 2007

Animais e o dia ecológico

Este fim de semana fizemos uma saída ecológica.

Sem carro, andámos até ao "novo" metro de Almada.
Conversámos, brincámos, falámos mal (está bem,) falei - lol- mal do sistema complicadíssimo de tirar bilhetes, do nome das estações...
Mas é simpático.

Na última estação decidimos, assim como quem não quer a coisa, mas sempre querendo... andar de comboio. Fomos até à estação, bebemos um cafezinho, fumámos um cigarrinho, gelados para as crias. Uma garrafa de água bem fresquinha... com todo o tempo do mundo. O comboio, as escadas rolantes, a ponte, o barulho, o rio, o sol... tudo serve para brincar. As crias têm pulgas e não sossegam um segundo.

E se fôssemos ao Zoo - diz o F à laia de segredo...

BOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!

Segredo nem vê-lo.

Os preços são, para a minha parca e - este mês - assaltada carteira, caríssimos.

Mas o dia foi tão espectacular como aprazível, delicioso, cansativo também, que isto de calcorrear as ruelas, esquerda, direita, sobe desce... mãe, olha, o bebé está a comer... volta para a quela jaula que da primeira vez estava muita gente e não conseguimos contar o número exacto de folhas que a árvore tinha!!!

E os felinos que têm, melhor, DEVEM ser vistos, pelo menos, 3 vezes em alturas do dia diferentes.

Oh, os micos estão todos recolhidos.
Claro, está a "chover" - bem giro aquele sistema de imitar a humidade. Voltamos cá depois
E voltámos
Os carimbos nas mãos - invisíveis, mãe! - não posso lavar as mãos, mãe? - como é que eles sabem, mãe? - que luz é, pai?

Vamos lá sair, para experimentar.

Atravessar o parque inteiro, sair e voltar a entrar e andar tudo outra vez??? No problem.

Falta os lobos, mãe! estão recolhidos. A área está a ser remodelada.
Oh, mummy (há alturas que, talvez por serem seguidas de um daqueles pedidos muito difíceis, mereço o "mummy" com voz melada) podíamos ir outra vez... aos felinos
Claro (porque NÃO resisto) a qual
Trio:
TODOS

Sentámo-nos

Esta apresentação é às 14, a outra às tantas

Mas F, são em lados opostos(!)

No problem

Eram 10.20 (give or take) quando pusemos o pé fora do T3 da CP...

Tenho fome, mãe.

Ai! são quase 4 horas! (não me matem... não sou má mãe... juro. mas o tempo voa!!!!!!!!!!)

Os espectáculos e apresentações foram vistas. A cria escolhida para andar de barco (!)

Os beijos enviados

Mummy (sim!...) da próxima tem que ser a cria-mana a ir.

motherproud

E depois o regresso onde-vais?-PARA-A-FESTA!!!-de-onde-vens?-da-festa...

com abraços apertados, corpos cansados e uma enorme taça de cereais, porque nem tenho forças para trincar, mãe.

Friday, 13 July 2007

Vou de férias!

Não serão aquilo que pensei...

As contrariedades lá vieram ao meu encontro e eu cá estava para as encontrar.

Mas a felicidade das coisas simples, normais (esta é para ti, OIW) está sempre comigo.

A NV, o F, as crias e Nina vão de férias.

Até daqui a 15 dias.

Thursday, 12 July 2007

Músicas da minha vida - II

Nat King Cole

When I fall in love
quando eu me apaixonar
it will be forever
será para sempre
Or I'll never fall in love
Ou então nunca me apaixonarei

In a restless world
Num mundo inquieto
like this is
como este
Love is ended
O amor está acabado
before its begun
Ainda antes de começar

And too many
E demasiados
moonlight kisses
beijos ao luar
Seem to cool
Parecem gelar
in the warmth of the sun
ao calor do sol

When I give my heart
Quando entregar o meu coração
it will be completely
será completamente
Or I'll never give my heart
Ou então nunca entregarei o meu coração

And the moment
E nesse momento
I can feel that
quando eu sentir
you feel that way too
que sentes o mesmo
Is when I fall in love with you
É nesse momento que me apaixonarei por ti

ps - kitch exponencial... mas foi assim que o F me apanhou.
Praia, moreno, jovem e romântico a cantar ao ouvido da paat (=miúda gira em linguagem da altura!)

Thursday, 5 July 2007

Todos os dias

Há quase 7 anos que uso o mesmo meio de transporte.

Paro no café da estação, bebo o meu café, fumo o meu cigarro e sigo. Ao longo destes (tantos) dias vamos encontrando caras que se vão tornando caras familiares. Acompanhamos com frequência a gravidez e a ausência da licença, a ida e volta de férias, as alterações no penteado, no corpo, na expressão diária. Com algumas vamos, pouco a pouco, metendo conversa. Tornamo-nos quase confidentes.

Sentamo-nos juntas e comentamos o tempo, fazemos crochet, lemos, falamos da vida.

É muito curioso como acabamos por falar mais com estas estranhas.

Hoje estava no grupo uma "recém-chegada". Senhora já entradota, pespineta no seu melhor, língua afiada e conselho amigo para quem quer (e para quem não quer).

Recebi uma chamada. Era ele. Falámos. Desliguei.

- O amor é lindo! - ouço a tal senhora. E como terá reparado na anilha - recém- casadinhos, ham?

Ainda estive alguns segundos sem perceber que era para mim. As outras riram. Corei. EU! corei. Não sou de rubores fáceis. Assim tão repentino só quando recebi aquela entrada a pés juntos "- És a Nocas Verde, não és?"

Adiante.

Corei.

- Não. Somos casados há 14 anos.

A senhora ficou sem palavras. E eu também.

A minha conversa banal com ele demonstrou o que às vezes não vemos. O que EU às vezes não vejo.

O amor ainda cá está. E parece tão vivo que é confundido com amor recente. É verdade que me zango - que nos zangamos, que fico amargurada, que questiono, penso, blogo, choro e rumino. Que me calo e ponho tudo cá dentro, que me sacrifico e sofro.

Mas assim, como quem-não-quer-a-coisa-sempre-querendo, a D. Pespineta viu-O.

O Amor que ainda existe... há (glup) 18 anos (se somarmos os anos de namoro)

Obrigada F por ainda me amares.
Obrigada a mim mesma por ainda te amar...